Ruth Stone – Mais uma vez

Ó, meus corvos,
quando retornarem em abril,
com suas vozes ásperas,
seus corpos escuros
cortando o ar puro,
vocês, machos, que voltaram para casa
na montanha;
esta sombra abaixo de vocês
no pomar
sou eu,
triunfante,
ouvindo
as pedras se chocarem rio abaixo
no degelo.

Trad.: Nelson Santander

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Once More

O my crows,
when you return in April,
your harsh voices,
your dark selves
rowing the raw air,
you males who made it home
to the mountain;
this shadow below you
in the orchard
is me,
triumphant,
listening
to rocks smash downstream
in the snowmelt.

Delmore Schwartz – Calmamente caminhamos neste dia de abril

Calmamente caminhamos neste dia de abril,
Poesia urbana por todo lado,
No parque sentam-se indigentes e usurários,
As crianças gritando, o carro
Em fuga que passa correndo por nós,
Entre o trabalhador e o milionário
Os números expressam as distâncias,
Estamos em mil novecentos e trinta e sete agora,
Muitos camaradas foram levados para longe,
O que será de você e de mim
(Esta é a escola em que aprendemos…)
Além da foto e da lembrança?
(…que o tempo é o fogo em que nos queimamos.)

(Esta é a escola em que aprendemos…)
O que é o eu no meio deste incêndio?
O que sou eu agora que fui então?
Que devo sofrer e fazer novamente,
A teodiceia que escrevi em meus tempos de colégio
Restaurou toda a vida desde a infância,
As crianças gritando resplandecem enquanto correm
(Esta é a escola em que elas aprendem…)
Inteiramente arrebatadas em seu brincar passageiro!
(…que o tempo é o fogo em que nos queimamos.)

Ávida em sua urgência, essa chama vacilante!
Onde estão meu pai e Eleanor?
Não onde eles estão agora, mortos há sete anos,
Mas o que eles eram então?
               Não mais? Não mais?
De mil novecentos e quatorze até o presente,
Bert Spira e Rhoda consomem, consomem
Não onde estão eles agora (onde eles estão agora?)
Mas o que eles eram então, ambos belos;

Cada minuto explode no quarto em chamas,
O grande globo se contorce sob o fogo solar,
Consumindo o único e o trivial.
(Como todas as coisas pulsam! Como todas as coisas brilham!)
O que sou eu agora que fui então?
Que a memória restaure de novo e de novo
A mínima cor do menor dos dias:
O Tempo é a escola em que aprendemos,
O Tempo é o fogo em que nos queimamos.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 02/08/2019

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Calmly we walk through this April’s day

Calmly we walk through this April’s day,
Metropolitan poetry here and there,
In the park sit pauper and rentier,
The screaming children, the motor-car
Fugitive about us, running away,
Between the worker and the millionaire
Number provides all distances,
It is Nineteen Thirty-Seven now,
Many great dears are taken away,
What will become of you and me
(This is the school in which we learn …)
Besides the photo and the memory?
(… that time is the fire in which we burn.)

(This is the school in which we learn …)
What is the self amid this blaze?
What am I now that I was then
Which I shall suffer and act again,
The theodicy I wrote in my high school days
Restored all life from infancy,
The children shouting are bright as they run
(This is the school in which they learn …)
Ravished entirely in their passing play!
(… that time is the fire in which they burn.)

Avid its rush, that reeling blaze!
Where is my father and Eleanor?
Not where are they now, dead seven years,
But what they were then?
               No more? No more?
From Nineteen-Fourteen to the present day,
Bert Spira and Rhoda consume, consume
Not where they are now (where are they now?)
But what they were then, both beautiful;

Each minute bursts in the burning room,
The great globe reels in the solar fire,
Spinning the trivial and unique away.
(How all things flash! How all things flare!)
What am I now that I was then?
May memory restore again and again
The smallest color of the smallest day:
Time is the school in which we learn,
Time is the fire in which we burn.

Marie Howe – Prece

Todos os dias eu quero falar com você. E todo dia algo mais importante
chama minha atenção – a farmácia, produtos de beleza, a mala

que devo comprar para a viagem.
Mesmo agora, mal consigo ficar aqui

entre pilhas de papéis e roupas desabando, os caminhões de lixo lá fora
já rangendo e fazendo barulho.

Os místicos dizem que você está tão próximo quanto minha própria respiração.
Por que eu fujo de você?

Meus dias e minhas noites fluem como lamentos
e se tornam uma história que esqueci de contar.

Ajude-me. Mesmo enquanto escrevo estas palavras, estou planejando
levantar da cadeira assim que terminar esta frase.

Trad.: Nelson Santander

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Prayer

Every day I want to speak with you. And every day something more important
calls for my attention – the drugstore, the beauty products, the luggage

I need to buy for the trip.
Even now I can hardly sit here

among the falling piles of paper and clothing, the garbage trucks outside
already screeching and banging.

The mystics say you are as close as my own breath.
Why do I flee from you?

My days and nights pour through me like complaints
and become a story I forgot to tell.

Help me. Even as I write these words I am planning
to rise from the chair as soon as I finish this sentence.

Joan Margarit – El Primer Frío

Acompanhei-te até o museu, no parque,
em uma manhã de inverno. Detivemo-nos
diante daquela escultura: El primer frío.1
Era de mármore cinzento: um velho, nu,
olha ao longe, entre as folhas mortas
que o vento carrega.
A arte não é diferente da vida,
lembro que disseste. Mas eu
via apenas um mármore frio,
um tanto retórico, e pensava em garotas.
Entre aquele dia e hoje, como um mar,
minha vida se expandiu.
E se aproximam, singrando este mar cinzento,
cascos negros de embarcações, minhas recordações.
Retorno ao museu nesta manhã de inverno
e estou pensando em ti ao cruzar o parque:
olho ao longe, entre as folhas mortas
que o vento carrega.

Trad.: Nelson Santander

  1. Escultura em mármore branco de Miguel Blay i Fábregas (1892) (vide a foto que ilustra o poema), representando um homem idoso nu com uma jovem menina, interpretada como alegoria da passagem do tempo e da fragilidade da vida. Obra-prima da escultura catalã, exposta no Museu Nacional d’Art de Catalunya (Barcelona) e no Museu Nacional de Belas Artes (Buenos Aires). ↩︎

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 30/07/2019

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Joan Margarit – El Primer Frío

Te acompañé al museo, en el parque,
una invernal mañana. Nos paramos
ante aquella escultura: El primer frío.
Era de mármol gris: un viejo que, desnudo,
mira a lo lejos entre la hojarasca
que va arrastrando el viento.
El arte no es distinto de la vida,
recuerdo que dijiste. Pero yo
veía solamente un mármol frío,
más bien retórico, y pensaba en chicas.
Entre aquel día y hoy, igual que un mar,
se ha extendido mi vida.
Y se acercan, surcando este mar gris,
cascos negros de buques, mis recuerdos.
Vuelvo al museo esta invernal mañana
y voy pensando en ti al cruzar el parque:
miro a lo lejos entre la hojarasca
que va arrastrando el viento.

Malena Mörling – Viajando

Como postes de luz
ainda acesos
após o amanhecer,
os mortos
nos encaram
de fotografias
emolduradas.

Você pode discordar,
mas ali estão eles,
ainda presentes
viajando
incessantemente
para trás
sem um som
cada vez mais
para o passado.

Trad.: Nelson Santander

N. do T.: A temática deste poema pareceu-me muito semelhante à abordada por Carlos Drummond de Andrade em seu excepcional “Convívio”, publicado anteontem no site. Ambos refletem sobre a persistência dos que se foram, a presença contínua dos ausentes na vida dos que ficaram e como essa influência se manifesta de forma sutil, porém significativa, na existência cotidiana.

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Traveling

Like streetlights
still lit
past dawn,
the dead
stare at us
from the framed
photographs.

You may say otherwise,
but there they are,
still here
traveling
continuously
backwards
without a sound
further and further
into the past.

Nicole Sealey – histórico médico

Já estive grávida. Fiz sexo com um homem
que fazia sexo com outros homens. Não consigo dormir.
Minha mãe tem, e a mãe dela tinha,
asma. Meu pai teve um derrame. A mãe
do meu pai tem pressão alta.
Meus dois avós morreram de diabetes.
Eu bebo, mas não fumo. Xanax para flutuar.
Propranolol para ansiedade. Meus olhos são ruins.
O vento me deixa nervosa. Minha prima Lily morreu
de um aneurisma. Tia Hilda, de um ataque cardíaco.
Tio Ken, sábio como era, foi atropelado
por um carro, como que para refutar qualquer teoria
sobre a qual escrevo. E, pelo que pude compreender,
as estrelas no céu já estão mortas.

Trad.: Nelson Santander

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medical history

I’ve been pregnant. I’ve had sex with a man
who’s had sex with men. I can’t sleep.
My mother has, my mother’s mother had,
asthma. My father had a stroke. My father’s
mother has high blood pressure.
Both grandfathers died from diabetes.
I drink. I don’t smoke. Xanax for flying.
Propranolol for anxiety. My eyes are bad.
I’m spooked by the wind. Cousin Lily died
from an aneurysm. Aunt Hilda, a heart attack.
Uncle Ken, wise as he was, was hit
by a car as if to disprove whatever theory
toward which I write. And, I understand,
the stars in the sky are already dead.

Robert Penn Warren – Conta-me uma história

A

Há muito tempo, no Kentucky, eu, apenas um rapaz, estava
Em uma estrada de terra, ao anoitecer, e ouvi
A algaravia dos gansos que rumavam para o norte.

Não pude vê-los, pois não havia lua,
E escassos eram os astros. Eu os ouvi.

Não sabia o que se passava em meu coração.

Era a estação antes dos sabugueiros florescerem,
Por isso eles rumavam para o norte.

O som rumava para o norte.

B

Conta-me uma história.

Neste século e momento de insanidade,
Conta-me uma história.

Faz dela uma história sobre as grandes distâncias, e a luz das estrelas.
O nome da história será Tempo,
Mas não deves pronunciar tal nome.

Conta-me uma história de intenso contentamento.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 27/07/2019

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Tell Me a Story

A

Long ago, in Kentucky, I, a boy, stood
By a dirt road, in first dark, and heard
The great geese hoot northward.

I could not see them, there being no moon
And the stars sparse. I heard them.

I did not know what was happening in my heart.

It was the season before the elderberry blooms,
Therefore they were going north.

The sound was passing northward.

B

Tell me a story.

In this century, and moment of mania,
Tell me a story.

Make it a story of great distances, and starlight.

The name of the story will be Time,
But you must not pronounce its name.

Tell me a story of deep delight.

Roger McGough – Camas erradas

A vida é uma ala de hospital, e as camas em que nos colocam
são aquelas em que não queremos estar.
Melhoraríamos mais rápido se estivéssemos junto à janela.
Ou pertos do aquecedor, seria mais suportável lá.

À noite, a alma impaciente sonha com lugares distantes.
O Egeu: todo mármore e luz. Onde, numa praia
tão plana quanto um mapa, você poderia se aquecer ao sol como um lagarto.

O Polo: onde, imerso na escuridão, você poderia observar
as faíscas do Inferno refletidas em um céu glacial. A alma
poderia ser mais feliz em qualquer outro lugar, exceto onde está.

Em qualquer lugar, menos aqui. Tomamos nossos remédios diariamente,
acenamos educadamente e resmungamos ocasionalmente.
Mas não temos controle sobre nada. Sempre no lugar errado.
Nós não fizemos nossas camas, mas nelas nos deitamos.

Trad.: Nelson Santander

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The Wrong Beds

Life is a hospital ward, and the beds we are put in
are the ones we don’t want to be in.
We’d get better sooner if put over by the window.
Or by the radiator, one could suffer easier there.

At night, the impatient soul dreams of faraway places.
The Aegean: all marble and light. Where, upon a beach
as flat as a map, you could bask in the sun like a lizard.

The Pole: where, bathing in darkness, you could watch
the sparks from Hell reflected in a sky of ice. The soul
could be happier anywhere than where it happens to be.

Anywhere but here. We take our medicine daily,
nod politely, and grumble occasionally.
But it is out of our hands. Always the wrong place.
We didn’t make our beds, but we lie in them.

Ángel González – O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado

Queria ser alga, alga enredada
na parte suave de tuas coxas.
Sopro de brisa nas tuas bochechas.
Leve areia sob tua pegada.

Queria ser água, água salgada
quando corres nua no litoral.
Sol cortando em sombra tua banal
Silhueta virgem recém-molhada.

Tudo quisera ser, indefinido,
ao teu redor: vista, luz, ambiente
gaivota, céu, navio, vela, vento…

A concha que aproximas ao ouvido,
para poder unir, timidamente,
com o rumor do mar, meu sentimento.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 25/07/2019

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Mañana es un mar hondo que hay que cruzar a nado

Alga quisiera ser, alga enredada,
en lo más suave de tu pantorrilla.
Soplo de brisa contra tu mejilla.
Arena leve bajo tu pisada.

Agua quisiera ser, agua salada
cuando corres desnuda hacia la orilla.
Sol recortando en sombra tu sencilla
silueta virgen de recién bañada.

Todo quisiera ser, indefinido,
en torno a ti: paisaje, luz, ambiente,
gaviota, cielo, nave, vela, viento…

Caracola que acercas a tu oído,
para poder reunir, tímidamente,
con el rumor del mar, mi sentimiento.

John Burnside – História

História

St Andrews: West Sands; Setembro de 2001

Hoje
enquanto empinávamos pipas
– a areia se desfazendo em fitas ao longo da praia
e o cheiro de gasolina de Leuchars1 flutuando sobre
os campos de golfe;
a maré alta distante
cinza-codorna;
pessoas
correndo, ou parando para observar
enquanto os aviões de guerra decolavam e circulavam
na luz matinal –

hoje
– com as notícias em mente e o temor abafado
do que pode vir2
ajoelhei-me na areia
com Lucas
recolhendo conchas
e seixos
encontrando evidências de vida em toda essa
deriva:
conchas de caracóis; fragmentos de peixes-navalha;
manchas de membranas e mascarenha nas rochas desgastadas pela maré.

Às vezes penso que o que nos define
não é o parentesco nem nossos atributos naturais
mas algo perdido entre o mundo que possuímos
e o que sonhamos além de nossos nomes
em dias como este
nossas linhas erguidas ao vento
nossos corpos fixos e ancorados à costa

e embora estejamos confinados pelos limites
o que nos prende à gravidade e à luz
tem mais a ver com a distância e as formas
que encontramos na água
lendo no livro
dos sedimentos e das marés:
o rosa ou o azul-petróleo
das águas-vivas e das anêmonas
combinando com a primeira
nudez de uma criança.

Às vezes, fico tonto de medo
de perder tudo – o mar, o céu,
todas as criaturas vivas, florestas, estuários:
negociamos tanto para compreender o virtual
que mal registramos a deriva e o repuxo
de outros corpos
mal apreendemos
o momento enquanto ele acontece: mudanças na luz
e no clima
e as formas locais e discretas
da história: o peixe preso pela maré
além da praia;
a longa vigília
das carpas ornamentais nos parques públicos
cativas e radiantes
suspensas em seu próprio
dourado transitório
que arde lentamente;
compotas de ovas
e carapaus
ou peixes-dourados levados para casa
dos parques de diversão
ao som do rádio;
mas este é o problema: como estar vivo
em todo este admirado e contemplativo mundo
e não causar danos

uma criança na praia
peneirando madeira e grama seca da areia
e intrigada com os padrões de uma concha

seus pais na duna calças folgadas com uma pipa
plugada no céu
nervos e linha:
pacientes; assustados; mas ainda assim, em meio a tudo,
atentos ao irremediável.

N. do T.: 1. “Leuchars” é uma referência a uma vila escocesa localizada perto de St Andrews, West Sands. Essa vila é conhecida por abrigar uma base da Força Aérea Real Britânica (RAF); 2. Referência aos ataques de 11 de setembro de 2001, quando o World Trade Center em Nova York foi alvo de atentados terroristas coordenados por membros da Al-Qaeda, resultando em colapso, perda de vidas e impacto global significativo.

Aqui você pode ler uma ótima análise deste poema.

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History

St Andrews: West Sands; September 2001

Today
as we flew the kites
– the sand spinning off in ribbons along the beach
and that gasoline smell from Leuchars gusting across
the golf links;
the tide far out
and quail-grey in the distance;
people
jogging, or stopping to watch
as the war planes cambered and turned
in the morning light –

today
– with the news in my mind, and the muffled dread
of what may come –
I knelt down in the sand
with Lucas
gathering shells
and pebbles
finding evidence of life in all this
driftwork:
snail shells; shreds of razorfish;
smudges of weed and flesh on tideworn stone.

At times I think what makes us who we are
is neither kinship nor our given states
but something lost between the world we own
and what we dream about behind the names
on days like this
our lines raised in the wind
our bodies fixed and anchored to the shore

and though we are confined by property
what tethers us to gravity and light
has most to do with distance and the shapes
we find in water
reading from the book
of silt and tides:
the rose or petrol blue
of jellyfish and sea anemone
combining with a child's
first nakedness.

Sometimes I am dizzy with the fear
of losing everything - the sea, the sky,
all living creatures, forests, estuaries:
we trade so much to know the virtual
we scarcely register the drift and tug
of other bodies
scarcely apprehend
the moment as it happens: shifts of light
and weather
and the quiet, local forms
of history: the fish lodged in the tide
beyond the sands;
the long insomnia
of ornamental carp in public parks
captive and bright
and hung in their own
slow-burning
transitive gold;
jamjars of spawn
and sticklebacks
or goldfish carried home
from fairgrounds
to the hum of radio;
but this is the problem: how to be alive
in all this gazed-upon and cherished world
and do no harm

a toddler on a beach
sifting wood and dried weed from the sand
and puzzled by the pattern on a shell

his parents on the dune slacks with a kite
plugged into the sky
all nerve and line:
patient; afraid; but still, through everything
attentive to the irredeemable.