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Mary Oliver – Primavera

Em algum lugar,uma ursa-negraacaba de despertare lança seu olhar para baixo na montanha.A noite toda,na inquietude vivaz e superficialdo início da primavera, eu penso nela,suas quatro patas pretasesparramando o cascalho,sua língua como uma chama rubratocando a relva,a água fria.Só há uma questão: como amar este mundo?Eu penso nelaerguendo-secomo um rochedo negro e musgoso para afiar…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – As flores do mall

As jovens deusas, noturnasaparições (roupas escuras,prata queimando seus umbigos)na cadência da pista,começam a desbotarcom a premência dos anos,os problemas, talvez os filhosque ainda não têm. Olhamagora para os teus olhos com clarodesprezo (já tens quarenta)e pensas em certas palavrasde Baudelaire que lhes dariascomo se fossem teus frutos(se ao menos se aproximassem), sesoubessem quem foi o…
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Henry Wadsworth Longfellow – A reunião

Depois de uma longa ausência Nos vemos de novo, afinal:O encontro nos dá prazer, Ou, ao contrário, aflição?A Árvore foi chacoalhada, E poucos de nós perduramos,Como os tais frutos do profeta, No topo mais alto dos ramos.Saudamos-nos cordialmente No velho tom familiar;E pensamos, mas só conosco, Quão velho e grisalho ele está!Falamos de um bom…
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David Mourão-Ferreira – Ladainha dos Póstumos Natais

Ladainha dos Póstumos Natais, um poema de David Mourão-Ferreira sobre o Natal
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Charles Simic – Medo

O medo passa de homem para homemInconscientemente,Como uma folha passa o seu estremecimentoPara outra. De repente, a árvore toda está tremendo,E não há nenhum sinal do vento. Trad.: Nelson Santander Fear Fear passes from man to manUnknowing,As one leaf passes its shudderTo another. All at once the whole tree is trembling,And there is no sign…
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Linda Pastan – As Íris de Monet

Estas floresse sonharamde volta à cor pura –os verdesda água indivisa,os verdesinformes do pradoassim como Deus disse:Que hajaÍris. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog Monet’s Irises These flowershave dreamed themselvesback into pure color—the greensof undivided water,the formlessgreens of meadowjust…
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Danusha Laméris – Vestindo-se para o enterro

Ninguém fala sobre a hilaridade após a morte —a forma como na semana em que o meu irmão se matoua esposa dele e eu caímos na cama gargalhandoporque ela não conseguia decidir sobre o que vestir para o grande dia,e me perguntou, “Eu quero ser sexy ou Amish?” Eu respondi: sexy.E nós rolamos sobre o…
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Kenneth Rexroth – Delia Rexroth

A Califórnia entra numVerão modorrento, e o arEstá repleto da agridoceFumaça de relva queimandoNas colinas de São Francisco.A carne arde assim, as pirâmidesIdem, assim como as estrelas em combustão.Cansado esta noite, em uma cidadeDe arrivistas, no desumanoOeste, no mais sangrento dos anos,Peguei um livro de poemasDe que você costumava gostar, com Aquela música que você…
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Joana – Sumário

Joana – Joan Margarit Tradução: Nelson Santander SUMÁRIO Apresentação de “Joana”, de Joan Margarit Joana – Prólogo Oração para J. M. R. Enquanto tu dormes Não há milagres Riera Pahissa Amanhecer em Cádiz Luzes de natal em Sant Just Às quatro da madrugada Manhã de domingo com a música de Lluís Claret Metrô Fontana Pai…
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Joan Margarit – No final da noite

O ar está congelando.Até o rouxinol mantém-se em silêncio.Com a testa apoiada na vidraçapeço perdão às minhas filhas mortas,porque já quase nunca penso nelas.O tempo passou, deixando sobre a cicatrizsua argila empoeirada, e ocorre que, mesmoquando se ama alguém, sobrevém o esquecimento.A luz tem a mesma aspereza das gotasque vão, com o degelo, caindo dos…