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Lawrence Ferlinghetti – Receita para a felicidade em Khabarovsk ou em qualquer lugar

Uma grande avenida arborizadacom uma grande cafeteria ao solcom café preto forte em xícaras muito pequenas. Uma mulher ou um homem não necessariamentemuito bonito(a) que te ame. Um dia aprazível. Trad.: Nelson Santander Recipe For Happiness in Khabarovsk Or Anyplace One grand boulevard with treeswith one grand cafe in sunwith strong black coffee in very…
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Manuel Bandeira – Profundamente

Quando ontem adormeciNa noite de São JoãoHavia alegria e rumorEstrondos de bombas luzes de BengalaVozes, cantigas e risosAo pé das fogueiras acesas. No meio da noite desperteiNão ouvi mais vozes nem risosApenas balõesPassavam errantesSilenciosamenteApenas de vez em quandoO ruído de um bondeCortava o silêncioComo um túnel.Onde estavam os que há poucoDançavamCantavamE riamAo pé das fogueiras…
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Garrett Hongo – Mendocino Rose

Na Califórnia, ao norte da Golden Gate,a vinha cresce por quase todos os cantos, brotando de pastagens,de baixo das sombras dos eucaliptos à beira da estrada,ultrapassando todos os casebres fantasmas e cercas quebradas que se desintegram de podres,encharcadas pelas chuvas frescas. Ela mimetiza, em suas réplicas firmes, parecidas com nuvens, a forma de tudo o que asfixia,uma delicada vegetação treliçada…
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Carlos Drummond de Andrade – Encontro

Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.Se a noite me atribui poder de fuga,sinto logo meu pai e nele ponhoo olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga. Está morto, que importa? Inda madrugae seu rosto, nem triste nem risonho,é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxugasuor algum, na calma de meu sonho.…
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Donizete Galvão – Solitude

Juntos, em solitude. Cada qual com sua chaga. Cada qual com sua cruz. Dois corpos ardentes tão próximos, separados pela geografia que a mágoa desenha. Entre os braços, interpõem-se desertos, salinas e dunas. O amor morreu? Não. Condenou-se. Soterrou-se em veios de duro e negro minério. Duas árvores cujas raízes trançaram-se rumo ao fundo. Que…
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Giuseppe Ungaretti – Céu Claro

Bosque de Courton, julho de 1918 Depois de tantanévoaumaa umase desvelamas estrelas Respiroo frescorque me deixaa cor do céu Me reconheçoimagempassageira Presa de um cicloimortal Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 15/09/2017 Sereno Bosco di Courton Iuglio 1918 Dopo tantanebbiaa unaa unasi svelanole stelle. Respiroil frescoche mi lasciail colore del…
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Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora depois de Jorge Luis Borges Você é invulnerável.A única constante é a mudança.Tal repetição leva à nostalgiado presente. Tenso e tímidovocê recita este livro de cor. Àscegas, você me confia à memória.O calvo e impertinente filósofosabe que o caráter do homem é o seu destino.Este poema – não vivo, mas…
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Nicanor Parra – Acácias

Passeando anos atráspor uma rua cheia de acácias em florsoube por um amigo bem informadoque você tinha acabado de se casar.Respondi que por certoeu não tinha nada a ver com o assunto.Mas apesar de nunca ter amado você– e disso você sabe melhor do que eu –cada vez que florescem as acácias– imagina só –sinto…
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Tyree Daye – Rio Neuse

Diga-lhes para não iremsozinhos às margens. Diga-lhes ondepodem beber sem olharpor cima dos ombros. Diga-lhes que o afogamentovem em terceiro na sua lista de preocupações.A primeira é deite-se, a segunda, venha cá.Mesmo a água em que fui batizadanão é segura. Eu sabia que Deusera homem porque ele pôsum bebê em Maria sem apermissão dela. Trad.:…
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargobastao amor Agridoce,ela disse Mas a mimpareceuamargo CADEIRA I Repetesdiariamenteos gestosdo primeiro homemque se sentounuma tarde quenteolhando as savanas II Pousode gigantescos pássaroscansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesaessas doces evidênciasda morte? CRISTALEIRA Guardae revelaa nudezbrancada louçao incêndiodespareadodos cristais TALHERES Colher Se o sol nelabatesseem cheiopor exemplonuma mesa postano jardimimediatamente…