Mary Oliver – Primavera

Em algum lugar,
uma ursa preta
acaba de despertar
e lança seu olhar

montanha abaixo.
A noite toda,
na inquietação viva e superficial
do início da primavera,

eu penso nela,
suas quatro patas pretas
agitando o cascalho,
sua língua

como uma chama rubra
tocando a grama,
a água fria.
Existe apenas uma questão:

como amar este mundo.
Eu penso nela
erguendo-se
como uma saliência negra e frondosa

para afiar suas garras contra
o silêncio
das árvores.
O que quer que seja

a minha vida
com seus poemas
e sua música
e suas cidades,

ela é também este ofuscante negror
descendo
a montanha,
respirando e fruindo;

o dia todo eu penso nela –
em suas presas brancas,
sua ausência de palavras,
seu amor perfeito.

Trad.: Nelson Santander

Spring

Somewhere
a black bear
has just risen from sleep
and is staring

down the mountain.
All night
in the brisk and shallow restlessness
of early spring

I think of her,
her four black fists
flicking the gravel,
her tongue

like a red fire
touching the grass,
the cold water.
There is only one question:

how to love this world.
I think of her
rising
like a black and leafy ledge

to sharpen her claws against
the silence
of the trees.
Whatever else

my life is
with its poems
and its music
and its cities,

it is also this dazzling darkness
coming
down the mountain,
breathing and tasting;

all day I think of her –
her white teeth,
her wordlessness,
her perfect love.

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