Jeffrey Harrison – Um gole de água

Quando meu filho de dezenove anos abre a torneira da cozinha,
e se inclina sobre a pia, virando a cabeça de lado
para beber diretamente do jato de água fresca,
eu penso no meu irmão mais velho, agora quase dez anos ausente,
que costumava fazer o mesmo nessa idade;

e quando ele ergue a cabeça de volta e, saciado,
enxuga a água que escorre da face
com a manga da camisa, é o mesmo gesto casual
que meu irmão costumava fazer; e eu não lhe digo
para usar um copo, como nosso pai fazia com meu irmão,

porque gosto de me lembrar do meu irmão
quando ele era jovem, décadas antes de algo
dar errado, e gosto do jeito como meu filho
se torna um pouco mais meu irmão por um momento
com este pequeno hábito nascido de uma necessidade simples,

que, natural e espontânea, os une
além dos limites da morte, e através do tempo…
como se o jato límpido fluísse entre dois mundos
e entrasse neste pela torneira da cozinha,
meu filho e meu irmão bebendo a mesma água.

Trad.: Nelson Santander

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A drink of water

When my nineteen-year-old son turns on the kitchen tap
and leans down over the sink and tilts his head sideways
to drink directly from the stream of cool water,
I think of my older brother, now almost ten years gone,
who used to do the same thing at that age;

and when he lifts his head back up and, satisfied,
wipes the water dripping from his cheek
with his shirtsleeve, it’s the same casual gesture
my brother used to make; and I don’t tell him
to use a glass, the way our father told my brother,

because I like remembering my brother
when he was young, decades before anything
went wrong, and I like the way my son
becomes a little more my brother for a moment
through this small habit born of a simple need,

which, natural and unprompted, ties them together
across the bounds of death, and across time …
as if the clear stream flowed between two worlds
and entered this one through the kitchen faucet,
my son and brother drinking the same water.

Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonada
das habitações da minha infância,
meus ouvidos relembram o badalar,
ouvindo suas vozes soterradas.

Ouço o verão primordial,
as margens da aurora iluminadas por aves,
o pulsar de sangue da escrevedeira-amarela
dourando meus olhos de berço.

Ouço a lua-de-estanho subir
e a moeda do crepúsculo cair,
o rastejar da geada e o gemido
do degelo e o pio dos piscos no inverno.

Ouço novamente a casa falante
e as quatro vogais do vento,
e o sussurrar dos monstros da meia-noite
na lívida garganta do meu quarto.

Liturgia das estações e da paisagem,
o texugo e a persistência da chuva,
o trissar dos morcegos e o salto dos
coelhos borbulhando sob a colina:

Cada língua antiga e ecoada
canta para o meu olhar que recua,
mas a voz do menino, o menino que procuro,
na minha boca está muda.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 01/05/2020

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The abandoned shade

Walking the abandoned shade
of childhood’s habitations,
my ears remembering chime,
hearing their buried voices.

Hearing original summer,
the birdlit banks of dawn,
the yellow-hammer beat of blood
gilding my cradle eyes.

Hearing the tin-moon rise
and the sunset’s penny fall,
the creep of frost and weep of thaw
and bells of winter robins.

Hearing again the talking house
and the four vowels of the wind,
and midnight monsters whispering
In the white throat of my room.

Season and landscape’s liturgy,
badger and sneeze of rain,
the bleat of bats, and bounce of rabbits
bubbling under the hill:

Each old and echo-salted tongue
sings to my backward glance;
but the voice of the boy, the boy I seek,
within my mouth is dumb.

Philip Roth – Patrimônio (excerto)

“Quando se visita uma sepultura, todo mundo tem pensamentos mais ou menos iguais, que, abstraída a questão da eloquência, não diferem muito daqueles que Hamlet expressou ao contemplar o crânio de Yorick. Há muito pouco para se pensar ou dizer que não seja uma variante de “Ele me carregou nos ombros mil vezes”. Num cemitério, a gente costuma se dar conta de como são limitados e banais nossos pensamentos sobre o assunto. Ah, pode-se tentar conversar com o morto, caso você acredite que isso possa ser útil; pode-se começar, como fiz naquela manhã, dizendo: “Muito bem, mamãe…”, porém é difícil não pensar – mesmo que se tenha ido além da primeira frase- que você poderia, do mesmo modo, estar conversando com a coluna vertebral pendurada no consultório de alguma osteopata. Você pode fazer promessas a eles, pô-los a par das últimas notícias, implorar que o compreendam, que o desculpem ou que lhe deem seu amor – ou pode optar por uma abordagem oposta, mais efetiva, arrancando as ervas daninhas, ajeitando os cascalhos, passando o dedo pelas letras gravadas na lápide; pode até se abaixar e pôr as mãos diretamente sobre os vestígios deles – tocando a terra, a terra deles, pode fechar os olhos e recordar-se de como eram quando ainda estavam ao seu lado. Mas nada se modifica com tais recordações, exceto que os mortos parecem ainda mais distantes e fora do alcance do que estavam quando você dirigia o carro dez minutos antes. Se não há ninguém no cemitério para observá-lo, você pode fazer algumas coisas bem doidas a fim de conseguir que os mortos pareçam algo mais do que são. Mas, mesmo que você tenha êxito e se motive suficientemente para sentir a presença deles, ainda assim irá embora sem eles. O que os cemitérios provam, ao menos para gente como eu, não é que os mortos estão presentes, mas que se foram de vez. Eles se foram, enquanto nós, por enquanto, não fomos. Isso é fundamental e, embora inaceitável, bem fácil de compreender.”

Trad.: Jorio Dauster

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José Miguel Silva – Tudo coisas mortais para a poesia

A casa, o lume, o sono dobrado
do corpo feliz, a cesta de figos,
a curva do rio, a fotografia
no cimo do monte, a veracidade
das glicínias, o rosto da mãe,
a fava no bolo, o trunfo de copas,
o filme da tarde, a música nova,
o rasto da chuva por entre os pinheiros,
as aves que voltam, os dias que passam
perto de nós.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 09/04/2020

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Donald Justice – Ponto de Ônibus

Luzes ardem
Em salas silenciosas
Onde vidas continuam
Tais quais as nossas.

As vidas tranquilas
Que nos acompanham —
Essas vidas que levamos
Mas não possuímos —

Permanecem na chuva
Tão silenciosamente
Quando partimos,
Tão silenciosamente…

E o último ônibus
Chega despejando
Guarda-chuvas escuros —
Flores escuras, flores escuras.

E as vidas continuam.
E as vidas continuam
Como luzes repentinas
Nas esquinas

Ou como as luzes
Em salas silenciosas
Deixadas acesas por horas,
Ardendo, ardendo.

Trad.: Nelson Santander

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Bus Stop

Lights are burning
In quiet rooms
Where lives go on
Resembling ours.

The quiet lives
That follow us—
These lives we lead
But do not own—

Stand in the rain
So quietly
When we are gone,
So quietly . . .
And the last bus
Comes letting dark
Umbrellas out—
Black flowers, black flowers.

And lives go on.
And lives go on
Like sudden lights
At street corners

Or like the lights
In quiet rooms
Left on for hours,
Burning, burning.

Juan Vicente Piqueras – Lençóis herdados

A ferida mais íntima é herdada.

O onde, o como, o quando,
a morte, o nascimento,
língua, família, deus, tempo, amor:
o decisivo do que nos acontece,
e quem somos,
não é algo desejado nem escolhido.

E passamos a vida, a despeito disso, ou por isso,
crendo que o desejo é nosso deus,
e não uma rosa rara que em nós cultiva
o acaso
que nos guia, nos cega e nos ignora.

Ninguém escolheu o mundo em que nasceu.
Nem sequer seu nome, sua memória.

O importante se impõe, não se escolhe.

E no entanto somos seres livres
para escolher entre dar e destruir
o que temos, deseja-lo, ama-lo
mais do que o que não há, lutar sem mundo,
aceitar o que ocorre e trabalhar
duro para que ocorra
o que de todo modo vai ocorrer.

Não há mais sabedoria ou remédio
que amar a vida mais que o seu sentido
e deixar-se levar pelas águas indomáveis
de estar aqui e, assim, com sede de partir,
de escolher o que há e, ai de nós,
ser quem somos, pródigos, saber
que não temos mais que o que damos.

Chamamos liberdade a esta tarefa
minuciosa e secreta de bordar,
manchar, romper, lavar, estender, dobrar,
guardar no armário, entre folhas de marmelo,
lençóis herdados da avó
que por sua vez herdou da sua, um estranho enxoval
para essa solidão que me desposou.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 09/04/2020

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Sábanas Heredadas

La más íntima herida es heredada.

El dónde, el cómo, el cuándo,
la muerte, el nacimiento,
lengua, familia, dios, época, amor:
lo decisivo de lo que nos pasa,
y los que somos,
no es algo deseado ni elegido.

Y pasamos la vida, sin embargo o por eso,
creyendo que el deseo es nuestro dios
y no una rosa rara que en nosotros cultiva
el azar
que nos guía, nos ciega y nos ignora.

Nadie ha elegido el mundo en que ha nacido.
Ni siquiera su nombre, su memoria.

Lo importante se impone, no se elige.

Y sin embargo somos seres libres
de escoger entre dar y destruir
lo que tenemos, desearlo, amarlo
más que a lo que no hay, luchar sin mundo,
aceptar lo que ocurre y trabajar
duro para que ocurra
lo que de todos modos va a ocurrir.

No hay más sabiduría ni remedio
que amar la vida más que su sentido
y dejarse llevar por las aguas salvajes
de estar aquí y así, con sed de irse,
de elegir lo que hay y, ay de nosotros,
ser quienes somos, pródigos, saber
que no tenemos más que lo que damos.

Llamamos libertad a esta tarea
minuciosa y secreta de bordar,
manchar, romper, lavar, tender, plegar,
guardar en el armario entre membrillos
sábanas heredadas de la abuela
que a su vez heredó de la suya, extraño ajuar
para esta soledad que me ha esposado.

Christopher Wiseman – Maneiras à Beira da Cama

Quão pouco os moribundos parecem precisar —
Talvez de uma bebida, um pouco de comida,
De um sorriso, a mão para segurar, medicação,
De uma troca de roupas, uma compreensão
Velada sobre o que está acontecendo.
Você imaginaria que precisariam de mais, muito mais,
Algo mais difícil de fazer
Para ajudá-los nessa imensa ruptura,
Mas talvez seja porque, conforme a enorme forma
Se ergue mais alta e mais escura a cada hora,
Eles ficam ansiosos para que nós também a vejamos
E tentam nos mostrar com um aperto de mão.

Entramos em pânico para fazer mais por eles,
Especialmente quando se trata do seu pai,
E seus olhos estão distantes, e suas lágrimas
Estão por toda sua face e roupas,
E ele não as vê agora, mas sorri
Talvez, apenas talvez porque você esteja lá.
Quão pouco ele precisa. Apenas de amor. Mais amor.

Trad.: Nelson Santander

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Bedside Manners

How little the dying seem to need —
A drink perhaps, a little food,
A smile, a hand to hold, medication,
A change of clothes, an unspoken
Understanding about what’s happening.
You think it would be more, much more,
Something more difficult for us
To help with in this great disruption,
But perhaps it’s because as the huge shape
Rears up higher and darker each hour
They are anxious that we should see it too
And try to show us with a hand-squeeze.

We panic to do more for them,
And especially when it’s your father,
And his eyes are far away, and your tears
Are all down your face and clothes,
And he doesn’t see them now, but smiles
Perhaps, just perhaps because you’re there.
How little he needs. Just love. More love.

W. S. Merwin – A estrada

Parece grande demais para que apenas um homem
Caminhe sobre ela Como se ela e o dia vazio
Fossem tudo o que existisse. E um cachorrinho
Trotando no compasso das ondas de calor, perto
Do horizonte, parecendo nunca avançar.
O sol e todas as coisas
Estão empoçados nos mesmos lugares, e a vala
É sempre a mesma, repleta de todo tipo de
Osso, enquanto o ar vazio continua a zumbir
Aquele som memorizado das coisas que por ali
Passaram. E as placas com cabeças enormes e corpos
Desnutridos, ensaiando passos de dança no calor,
E outras, grandes como casas, todas prometem,
Mas sem nada dentro, apenas uma parede,
E falam de outros lugares onde você pode comer,
Beber, tomar um banho, deitar-se numa cama
Ouvindo música, e sentir-se seguro. Se você
Olhar ao redor, verá que, em sentido contrário,
voltando, é igual; e que agora está mais distante
De onde veio, provavelmente,
Do que dos lugares que poderia alcançar prosseguindo.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 06/04/2020

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The Highway

It seems too enormous just for a man to be
Walking on. As if it and the empty day
Were all there is. And a little dog
Trotting in time with the heat waves, off
Near the horizon, seeming never to get
Any farther. The sun and everything
Are stuck in the same places, and the ditch
Is the same all the time, full of every kind
Of bone, while the empty air keeps humming
That sound it has memorized of things going
Past. And the signs with huge heads and starved
Bodies, doing dances in the heat,
And the others big as houses, all promise
But with nothing inside and only one wall,
Tell of other places where you can eat,
Drink, get a bath, lie on a bed
Listening to music, and be safe. If you
Look around you see it is just the same
The other way, going back; and farther
Now to where you came from, probably,
Than to places you can reach by going on.

Jackie Bartley – Lendo mitologia para crianças do jardim da infância

Hoje, li para elas a história de Perséfone e Hades,
uma versão resumida, adaptada para crianças.
Começo a pensar em cada história como um médico
pensa na vacinação; parte da minha tarefa
é garantir que recebam suas doses,
essas pequenas porções de perdas atordoantes,
sementes de tristeza plantadas cedo para que, mais tarde,
quando suas próprias vidas pesarem sobre elas,
possam se lembrar dessas histórias,
recordar como, ao ouvir esta pela primeira vez,
prenderam a respiração e ficaram sentadas,
imóveis e em completo silêncio em suas cadeiras,
afetadas pelo que as flores e os pássaros
disseram a Deméter em sua dor:
Foi-se, foi-se. Perséfone
se foi.

Trad.: Nelson Santander

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N. do T.: O mito de Perséfone e Hades é uma das histórias mais conhecidas da mitologia grega. Perséfone, filha de Deméter, a deusa da colheita e da fertilidade, foi raptada por Hades, o deus do submundo, para ser sua esposa. Desolada com a perda de sua filha, Deméter causou uma terrível esterilidade na terra, recusando-se a permitir que as plantas crescessem. Eventualmente, um acordo foi alcançado: Perséfone passaria parte do ano no submundo com Hades e o restante com sua mãe. Este mito é frequentemente interpretado como uma explicação para as estações do ano, com a ausência de Perséfone simbolizando o inverno estéril e sua volta à terra simbolizando a primavera e a renovação. Nos últimos versos do poema, as flores e os pássaros lamentam a perda de Perséfone, refletindo a dor de Deméter e a desolação da terra durante sua ausência.

Reading Myth to Kindergartners

Today I read them the story of Persephone and Hades,
the telling of it brief, a child’s version of the tale.
I am beginning to think of each story the way
a doctor thinks of vaccination; part of my task
to see they’ve had their shots,
these small doses of stunning loss,
seeds of grief planted early so that later,
when their own lives bear down on them,
they will remember these tales,
recall how, on first hearing this one,
they held their breaths and sat,
unmoving and absolutely silent in their chairs,
stricken by what the flowers and the birds
say to Demeter in her sorrow:
Gone, gone. Persephone
is gone.

Mary Oliver – Quando a morte chegar

Quando a morte chegar
como um urso faminto no outono;
Quando a morte chegar e tirar todas as moedas brilhantes de sua bolsa

para me comprar, e fechá-la com um estalo;
quando a morte chegar
como o sarampo-varíola

quando a morte chegar
como um iceberg entre as omoplatas,

quero atravessar o portal cheia de curiosidade, perguntando:
como será essa sombria cabana?

E por isso olho para tudo como uma irmandade,
e vejo o tempo como nada além de uma ideia,
e considero a eternidade como outra possibilidade,

e penso em cada vida como uma flor, tão comum
quanto uma margarida do campo, e ainda assim tão singular,

e em cada nome como uma confortável canção entre os lábios,
que, como toda canção, tende ao silêncio,

e em cada corpo como um leão de coragem, e algo
precioso para a terra.

Quando tudo terminar, quero dizer que por toda minha vida
fui uma noiva desposada pelo assombro.
Fui o noivo, tomando o mundo em meus braços.

Quando tudo terminar, não quero me perguntar
se fiz de minha vida algo especial e verdadeiro.
Não quero me encontrar suspirando e assustada,
ou cheia de argumentos.

Não quero terminar tendo apenas passado por este mundo.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 05/04/2020

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When death comes

When death comes
like the hungry bear in autumn;
when death comes and takes all the bright coins from his purse

to buy me, and snaps the purse shut;
when death comes
like the measle-pox

when death comes
like an iceberg between the shoulder blades,

I want to step through the door full of curiosity, wondering:
what is it going to be like, that cottage of darkness?

And therefore I look upon everything
as a brotherhood and a sisterhood,
and I look upon time as no more than an idea,
and I consider eternity as another possibility,

and I think of each life as a flower, as common
as a field daisy, and as singular,

and each name a comfortable music in the mouth,
tending, as all music does, toward silence,

and each body a lion of courage, and something
precious to the earth.

When it’s over, I want to say all my life
I was a bride married to amazement.
I was the bridegroom, taking the world into my arms.

When it’s over, I don’t want to wonder
if I have made of my life something particular, and real.
I don’t want to find myself sighing and frightened,
or full of argument.

I don’t want to end up simply having visited this world.