Donald Justice – Ponto de Ônibus

Donald Justice – Ponto de Ônibus

Luzes ardem
Em cômodos silenciosos
Onde vidas continuam
Parecidas com as nossas.

As vidas silenciosas
Que nos acompanham —
Essas vidas que levamos
Mas não possuímos —

Ficam na chuva
Tão silenciosamente
Quando já não estamos,
Tão silenciosamente…

E o último ônibus
Chega deixando sair
Guarda-chuvas escuros —
Flores negras, flores negras.

E as vidas continuam.
E as vidas continuam
Como luzes repentinas
Nas esquinas

Ou como as luzes
Em cômodos silenciosos
Deixadas acesas por horas,
Ardendo, ardendo.

Trad.: Nelson Santander

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Bus Stop

Lights are burning
In quiet rooms
Where lives go on
Resembling ours.

The quiet lives
That follow us—
These lives we lead
But do not own—

Stand in the rain
So quietly
When we are gone,
So quietly . . .
And the last bus
Comes letting dark
Umbrellas out—
Black flowers, black flowers.

And lives go on.
And lives go on
Like sudden lights
At street corners

Or like the lights
In quiet rooms
Left on for hours,
Burning, burning.

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