Pedro Paulo de Sena Madureira – Matsuo Basho, Uma Garça

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Sílvia Rocha – Solidão

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Salvatore Quasimodo – E De Repente é Noite

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Cassiano Ricardo – As Andorinhas de Antônio Nobre

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Ferreira Gullar – de Sete Poemas Portugueses (4)

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Ferreira Gullar – de Sete Poemas Portugueses (4)

Nada vos oferto
além destas mortes
de que me alimento

Caminhos não há
Mas os pés na grama
os inventarão

Aqui se inicia
uma viagem clara
para a encantação

Fonte, flor em fogo,
quem é que nos espera
por detrás da noite ?

Nada vos sovino:
com a minha incerteza
vos ilumino

Philip Larkin – Por Que Sonhei Contigo a Noite Passada?

Por que sonhei contigo a noite passada?
Agora a manhã empurra cabelos para trás
[com uma luz grisalha
Lembranças batem de volta, como tapas na cara;
Apoiado no cotovelo, eu fito o branco nevoeiro
Além da janela.

Tantas coisas que eu pensava esquecidas
Voltam agora à mente numa estranha dor:
Como cartas que chegam para outra pessoa
Que há muito tempo já se foi.

Trad.: Luiz Roberto Guedes

Philip Larkin – Ignorância

Estranho nada saber, nunca ter a certeza
Do que é verdadeiro, certo ou real,
Forçado então a dizer pelo menos é o que sinto
Ou Bom, é o que parece:
Alguém deve saber.

Estranho ignorar o modo como as coisas funcionam:
A sua capacidade de encontrar o que necessitam,
O seu sentido de forma, e o espalhar da semente preciso,
E a sua vontade de mudar;
Sim, é estranho,

Trazer vestido até tal conhecimento – pois a nossa carne
Cerca-nos com as suas próprias decisões –
E ainda assim gastar a vida em imprecisões,
Tanto que quando começamos a morrer
Nem fazemos a ideia do porquê.

Trad. : Pedro Silva Sena

Cassiano Ricardo – O Relógio

Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.

Cada minuto de vida
nunca é mais, é sempre menos.

Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser.

Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer.

 

José Paulo Paes – Auto-epitáfio n° 2

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