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Louise Glück – Trevo

O que está dispersoentre nós, que você chamade sinal de bem-aventurança,embora seja, como nós,uma erva daninha, uma coisapara ser extirpada — qual lógicao faz reterum único brotode algo que desejamorto? Se há alguma presença entre nóstão poderosa, não deveria elase multiplicar, a serviçodo adorado jardim? Você mesmo deveriaestar fazendo essas perguntas,não deixando-aspara suas vítimas. Você…
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Louise Glück – A papoula vermelha

O melhor de tudoé não teruma mente. Sentimentos:oh, eu os tenho; elesme governam. Tenhoum senhor no céuchamado sol, e me abroa ele, mostrando-lheo fogo do meu próprio coração, ardentecomo a sua presença.O que poderia ser tal glóriase não um coração? Oh meus irmãos e irmãs,vocês já foram como eu, tempos atrás,antes de se tornarem humanos?Já…
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Louise Glück – Campo de flores

O que você está dizendo? Que desejavida eterna? Seus pensamentos realmentesão tão convincentes assim? Certamentevocê não nos vê, não nos ouve,mancha de solem sua pele, póde ranúnculos amarelos: estoufalando com você, aí, olhando fixamenteatravés das barras de grama alta que agitamseus pequenos chocalhos — Óalma! a alma! É suficienteapenas olhar para dentro? O desprezopela humanidade…
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Louise Glück – Canção

Como um coração blindado,o botão vermelho-vivoda rosa silvestre começaa desabrochar no ramo mais baixo,sustentado pela malhareticulada de um arbusto robusto:ela floresce contra a escuridão,que é o cenário constante do coração, enquanto as floresmais acima murcham ou apodrecem;sobreviverà adversidade apenasacentua sua cor. Mas Johnobjeta, ele acredita quese isto não fosse um poema, massim um jardim de…
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Louise Glück – Matinas (6)

O que é o meu coração para vocêque precisa parti-lo repetidas vezescomo um jardineiro testandosua nova espécie? Pratiqueem algo diferente: como posso viverem colônias, como você prefere, se impõeuma quarentena de aflição, apartando-mede membros saudáveis deminha própria tribo? Você não faz issono jardim, não segregaa rosa doente; permite que ela balance suas sociáveisfolhas infestadas nosrostos…
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Louise Glück – Matinas (5)

Quer saber como passo o meu tempo?Eu caminho pelo jardim, fingindoque estou capinando. Deve saberque nunca estou capinando, de joelhos, extirpandotufos de trevos dos canteiros de flores: na verdade,estou em busca de coragem, de alguma evidênciade que minha vida irá mudar, ainda queisso leve uma eternidade, verificandocada touceira em busca da folhasimbólica, e logo o…
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Louise Glück – A Escada de Jacó

Preso à terra,você também não gostaria dealcançar o céu? Eu habitoo jardim de uma senhora. Perdoe-me senhora;o anseio roubou minha graça. Não souo que você esperava. Mascomo homens e mulheres parecemdesejar uns aos outros, também desejoconhecer o paraíso — e agorasua dor, uma haste nuaalcançando a vidraça da varanda.E no final, o quê? Uma pequena…
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Louise Glück – Capim-das-bruxas

Algoindesejado chega ao mundoclamando desordem, desordem — Se você me odeia tantonão se dê ao trabalho de me darum nome: você precisade mais um insultoem sua língua, outramaneira de culparuma tribo por tudo — pois ambos sabemos,se você cultuaum deus, só precisade um inimigo — Eu não sou o inimigo.Apenas um pretexto para ignoraro que…
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Louise Glück – Violetas

Porque em nosso mundosempre há algo oculto,pequeno e branco,pequeno e o que você chama depuro, nós não lamentamoscomo você, caromestre sofredor; vocênão está mais perdidodo que nós, sobo espinheiro, o espinheiro segurandobandejas equilibradas de pérolas: o queo trouxe até nóspara que possamos ensina-lo, sevocê se ajoelhar e chorar,apertando suas grandes mãos,em toda sua grandeza, sem…
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Louise Glück – Abril

O desespero de mais ninguém é como o meu desespero — Vocês não têm lugar neste jardimpensando em tais coisas, emitindocansativos sinais exteriores; o homemdesmatando intencionalmente uma floresta inteira,a mulher mancando e se recusando a trocar de roupasou lavar os cabelos. Acham que eu me importose vocês conversarem um com o outro?Mas quero que saibamque…