Louise Glück – Canção

Como um coração blindado,
o botão vermelho-vivo
da rosa silvestre começa
a se abrir no ramo mais baixo,
sustentado pela aglomeração
reticulada de um grande arbusto:
ele floresce contra a escuridão,
que é um contexto constante
para o coração, enquanto as flores
mais acima murcham ou apodrecem;
sobreviver
à adversidade apenas
acentua sua cor. Mas John
objeta, ele cogita que
se isto não fosse um poema mas
um jardim de verdade, a
rosa vermelha seria
obrigada a se parecer com
outra coisa, nem
outra flor, nem
um coração sombrio, ao
nível da terra, pulsando
meio marrom, meio carmim.

Trad.: Nelson Santander

Song

Like a protected heart,
the blood-red
flower of the wild rose begins
to open on the lowest branch,
supported by the netted
mass of a large shrub:
it blooms against the dark
which is the heart’s constant
backdrop, while flowers
higher up have wilted or rotted;
to survive
adversity merely
deepens its color. But John
objects, he thinks
if this were not a poem but
an actual garden, then
the red rose would be
required to resemble
nothing else, neither
another flower nor
the shadowy heart, at
earth level pulsing
half maroon, half crimson.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s