Louise Glück – Campo de flores

O que você está dizendo? Que quer
vida eterna? Seus pensamentos realmente
o convenceram disso? Certamente
você não nos vê, não nos ouve,
mancha de sol
em sua pele, pó
de ranúnculos amarelos: eu estou
falando com você, aí deslumbrado pelas
barras de grama alta agitando
seus pequenos chocalhos — Ó
alma! a alma! Será suficiente
só olhar para dentro? O desprezo
pela humanidade é uma coisa, mas por que
desdenhar o amplo
campo, para que esse olhar de desprezo sobre
os alvos ranúnculos silvestres? Sua limitada
ideia de paraíso: ausência
de mudança. É melhor do que a terra? Como
poderia saber quem não está nem cá
nem lá, em pé no meio de nós?

Trad.: Nelson Santander

Field flowers

What are you saying? That you want
eternal life? Are your thoughts really
as compelling as all that? Certainly
you don’t look at us, don’t listen to us,
on your skin
stain of sun, dust
of yellow buttercups: I’m talking
to you, you staring through
bars of high grass shaking
your little rattle — O
the soul! the soul! Is it enough
only to look inward? Contempt
for humanity is one thing, but why
disdain the expansive
field, your gaze rising over the clear heads
of the wild buttercups into what? Your poor
idea of heaven: absence
of change. Better than earth? How
would you know, who are neither
here nor there, standing in our midst?

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