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Pedro Salinas – [A tua forma de amar]
![Pedro Salinas – [A tua forma de amar]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2018/03/images-of-sad-love-and-wallpaper-28.jpg)
A tua forma de amaré deixar-me que te queiras.O sim com que te rendesé o silêncio. Teus beijossão oferecer-me os lábiospara que eu possa beija-los.Nunca palavras, abraços,me dirão que exististe,que me quiseste: nunca.Dizem-mo as folhas em branco,mapas, augúrios, chamadas;tu, não.E fico abraçado a tisem perguntar-te, com receioque não seja verdadeque tu vives e me ama.E…
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Linda Pastan – Por que seus poemas são tão sombrios?

Por que seus poemas são tão sombrios? Não é a lua também sombria,na maior parte do tempo? E a página em branconão parece inacabada sem a mancha escuradas letras? Quando Deus demandou a luz,Ele não baniu a escuridão. Em vez disso, Ele criouo ébano e os corvos e aquela pequena pintano lado esquerdo do seu…
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Manuel António Pina – Depois

Primeiro sabem-se as respostas.As perguntas chegam depois,como aves voltando a casa ao fim da tardee pousando, uma a uma, no coraçãoquando o coração já se recolheude perguntas e de respostas. Que coração, no entanto, pode repousarcom o restolhar de asas no telhado?A dúvida agitaos cortinadose nos sítios mais íntimos da vidaacorda o passado.Porquê, tão tardo,…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Xochiquetzal

Xochiquetzal1 (Homenagem a Chuang-Tzu2) Ontem sonhei contigo. Vestias uma gabardine de pele, e por baixo nada.Era outono e estavas ensopadapela chuva; caminhavas em alguma gare de Madrid indo para lugarnenhum. Estancavas ocasionalmenteteus passos para sentires transluzentetua pele resplandecer ao luar de um espelho invisível em que haviaum homem que sonhava com uma mulhere uma mulher…
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Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]
![Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/img_53191-scaled.jpg)
Amo a vida simples,sentar-me à entradapara ver o ir e vir das pessoas,como se move um pardal,como se inclina a tardenas casas do corpo. Bem sei que morrereimuito antes de morreremas árvores que amo. Mas isso não me preocupa,porque no instanteem que se me romper o último fioserei apenas aquela mulherque se sentava à entradapara…
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Nisha Atalie – Fazer/Não fazer

Eu cheiro o Lírio Tigre em flor,duas línguas saltandode uma boca. Eu enveneno o rio involuntariamente.Marcho nos caminho demarcados. Eu corto a montanha, seu corpo e sua boca escancarados.Recolho a água da chuva em um carrinho de mão. Eu forro o ventre da baleia com presentes atéque eles dilacerem seu estômago.Eu rego os morangos. Novamente…
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Ana Martins Marques – História

Tenho 39 anos.Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos.Meus seios têm cerca de 12 anos a menos.Bem mais recentes são meus cabelose minhas unhas.Pela manhã como um pão.Ele tem uma história de 2 dias.Ao sair do meu apartamento,que tem cerca de 40 anos,vestindo uma calça jeans de 40 anose uma camiseta de não…
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Vievee Francis – Estive pensando de novo no amor

Estive pensando de novo no amor Naqueles que vivem para recebê-lo enos que vivem para dá-lo. Claro que existem aqueles para quem ambos são aplicáveis,mas nunca na mesma medida. Aqueles que o têm para dar são como cardeais na neve. Tão fáceise lindamente iluminados. Algunssão como coelhos. Difíceis de verexceto para aqueles que os caçariam:toda…
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Marcia Vinci – Mãe Solteira

dadeiraparideiranutrizcriadeiratoda mãeé sozinhatoda mãeé solteira REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 12/03/2018
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Raymond Carver – Chuva

Despertei esta manhã com a urgênciaterrível de permanecer na cama o dia inteiroe ler. Lutei contra isso por um minuto. Depois olhei a chuva pela janela.e me rendi. Coloquei-me inteiramentenas mãos dessa manhã chuvosa. Viveria minha vida novamente?Cometeria os mesmos erros imperdoáveis?Sim, se tivesse a mínima chance. Sim. Trad.: José Antônio Cavalcanti Rain Woke up…