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Páladas – da “Antologia Grega”

Nascidos nus. Enterrados nus.Qual a azáfama? Toda a vidaconduz à primeira nudez. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 29/10/2018
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Maya C. Popa – O que não foi dito

Com que frequência, dirigindo por aquelas estradas,receávamos não bater em algo,as cabras pelas quais passamos naquela manhãpastoreadas àquela hora para que os chacaisnão as matassem mais rapidamente,a gema vermelha rompendo sobre os picosenquanto corríamos contra a luz, descendo a montanha? Apenas uma vez um javali irrompeu do bosquecomo uma pergunta rapidamente retirada.Depois ficamos sozinhos outra…
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Lucilius – da “Antologia Grega”

Eutychides, o poeta lírico, morreu.Fugi, ó moradores do Hades! – ele transporta odese ordenou que consigo queimassemvinte liras e vinte e cinco pautas de música,que Caronte terá de transportar.Onde se poderá encontrar refúgio,agora que Eutychides canta pela eternidade? Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 28/10/2018
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Natasha Trethewey – Blues do Cemitério

Choveu o tempo todo enquanto a deitávamos no chão;Choveu da igreja ao túmulo quando a enterramos no chão.A sucção da lama em nossos pés: uma murmuração. Quando o pregador conclamou, eu levantei a minha mão;Quando ele pediu uma testemunha, ergui a minha mão —A morte detém a lida do corpo, a alma do artesão. O…
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Anônimo – da “Antologia Grega”

Não esbanjem comigo o odor da mirra,nem ofereçam coroas de flores,nem acendam a pira funerária,tudo isso é desperdício; ofereçam-mepresentes, se quiserem, enquantoestiver vivo – mas espalhar cinzasno vinho torná-lo-á lamae dele não beberão os mortos. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 27/10/2018
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Andrea Cohen – Crepúsculo

Havia, enquanto caminhávamos pelas planícies salgadas ao crepúsculo,uma linha invisível entre nós –até que eu senti sua tesoura invisível. Trad.: Nelson Santander Dusk There was, as we walked the salt flats at dusk, an invisible thread between us –and then I felt her invisible scissors.
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Automedon – da “Antologia Grega”

Mandaste chamá-la, disseste para vir,preparaste tudo. Mas, se vier, o que farás?Repara no que se passa contigo, Automedon.Esse canalha, que era alegre e firme, estáagora flácido, como cenoura cozida, mortoe encolhido entre as pernas. Como irãorir se te puseres a navegar de mãosvazias, um remador que perdeu o remo. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema…
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Laura Gilpin – Vida após a morte

O que eu sei:como os vivos seguem vivendoe como os mortos seguem vivendo com eles Assim, em uma floresta,mesmo uma árvore morta projeta uma sombrae as folhas caem uma a umae os galhos se partem com o ventoe a casca se desprende lentamentee o tronco se rachae a chuva se infiltra através das rachadurase o…
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Marcus Argentarius – da “Antologia Grega”

Psyllas jaz aqui. A sua ocupaçãoproxeneta; mantinha um bandode raparigas e alugava-as para festas.Um negócio pouco simpático, ganhardinheiro com carne humana e fraca.Mas poupem o seu túmulo, não atirempedras, agora que está morto e enterrado.Lembrem-se disto: os serviços que prestouconvenceram os rapazes a deixaremas nossas mulheres sossegadas. Versão: José Alberto Oliveira REPUBLICAÇÃO: poema publicado na…
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Jorge Luis Borges – Maio 20, 1928

Agora é invulnerável como os deuses. Nada na terra pode feri-lo, nem o desamor de uma mulher, nem a tísica, nem as ansiedades do verso, nem essa coisa branca, a lua, que já não precisa fixar em palavras. Caminha lentamente sob as tílias; olha as balaustradas e as portas, não para recordá-las. Já sabe quantas…