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Sharon Olds – Destino

Finalmente desisti e me tornei meu pai,sua face oleosa e abatida, brilhando paraqualquer pessoa que eu olhasse, seus olhos castanhos-lodoem meu rosto, cintilando como chão molhado em queas coisas que amamos caíram, e se perderam para sempre. Não mais tenteinão ter o mau hálito dele,sua postura derrotada de fracasso, seu tristesexo pendurado entre suas coxas,…
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Ian Hamilton – Memorial

Quatro lápides gastas apoiam-se na parededo teu asilo Vitoriano.Além dos limites, ajoelhas-te na grama altaDecifrando nomes apagados:Velhos lunáticos que aqui morreram. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO com alterações na tradução: poema publicado anteriormente na página originalmente em 09/12/2018 Ian Hamilton – Memorial Four weathered gravestones tilt against the wallOf your Victorian asylum.Out of bounds, you kneel…
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Ellen Bryant Voigt – A cúspide

Tão poucos pássaros — os que passam o invernoe os gansos migrando pelos campos vazios,atravessando as hastes retorcidas de milho cortado:ao nosso redor, tudo o que é verde é suprimido,e na melancólica floresta, as árvores nuas,despidas de folhas ou quase sem elas,formam uma morada sombria entre nuvens baixasque têm o aspecto de neve obstinada. Em…
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José Carlos Soares – Camel Blue

“Camel Blue”, um poema de José Carlos Soares que contrasta o silêncio do cemitério com a indiferença do céu, revelando a pequena e inquieta persistência da vida entre os restos da morte.
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Louise Glück – Um silêncio bem afiado

Deixa eu te contar uma coisa, disse a senhora.Estávamos sentadas, uma diante da outra,no parque de cidade conhecida por seus brinquedos de madeira. Na época, eu tinha fugido de um triste caso amorosoe, por penitência ou autocastigo, fui trabalharnuma fábrica, onde esculpia à mão minúsculos pés e mãos. O parque era meu consolo, sobretudo nas…
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Halldís Moren Vesaas – Oração à Vida

A vida terrena, única, seja o meu quinhão!Vida minha, tudo o que tenho na tua mão!Toma-me e usa-me e exaure-me nos diase então me larga alhures, alijada de ti, friae impotente e condenada a não renascerna noite, na eterna noite sem amanhecer! Trad.: Luciano Dutra REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 28/11/2018 BØN TIL…
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO poema publicado na página…
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Jeffrey McDaniel – O mundo silencioso

Na tentativa de fazer as pessoas olharemmais nos olhos umas das outras,e também para apaziguar os mudos,o governo decidiu atribuira cada pessoa exatamente cento e sessenta e sete palavras por dia. Quando o telefone toca, coloco-o no ouvidosem dizer alô. No restaurante,aponto para a sopa de macarrão com frango.Estou me adaptando bem ao novo jeito.…
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Paulo Henriques Britto – Nenhuma Arte

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Alison Luterman – Eu admito

Eu a perseguino mercado; sua coroade tranças de neve presa por uma grande presilha prateada,seu porte ereto, irradiando ternura,a maneira como ela colocava iogurte e abacates em sua cesta,emanando paz como a Estrela Polar.Eu queria perguntar: “Em que corredor você encontrousua serenidade, você sabecomo manter um casamento de cinquenta anos, ou como viver só,desculpe-me por…