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Ursula K LeGuin – Equinócio de 75

Estou farta de homens e mulheres1mas nem por isso me tornosentimental e elogio a sabedoria dos animais(diferentemente de nós, eles são sábios sem elogios).Nem para olhar as estrelaspreciso ser irônica com astrônomos eruditosque, afinal, olhampara as estrelas com mais frequência do que eu. Mesmo doente ainda canto, incansável,a paixão intelectual. Não me voltarei, nem mesmo…
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Ian Hamilton – Poema de Aniversário

Segura em tuas mãos,Tua caneca de barbear da Exposição do Império.Tu a guardas agoraComo escarradeira, suas pombas inchadas,Seu 1938Manchado pelas gotas de teu sangue.Nesta noite,Meio sufocado, canceroso,Desenganado,Mordes sua boca dourada de porcelanaE esperas por um ataque. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em 15/11/2018 Ian Hamilton – Birthday…
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Robinson Jeffers – Oh, adorável rocha

Passamos a noite no inexplorado desfiladeiro do Ventana Creek, no braço leste.Os paredões rochosos e os cumes das montanhas se estendiam em camadas de florestas acima de nós, bordo e sequoia,Loureiro, carvalho, madrona, até os altos e esbeltos abetos de Santa Lucian que contemplam as cataratasDe rochas escorregadias até os precipícios da cor das estrelas.…
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Ivan Junqueira – A tua data

Alguém só morre em sua data,que é única, ôntica, enfática.Nunca depende de quem vainem de quem fica ao pé da lápide. É quando o corpo, enfim, se acaba,e, se dele a alma se aparta,não cabe a ninguém afirmá-lo,nem se a tinha, em vida, o finado. É quando as lâmpadas se apagame trocam-se então os cenários,as…
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Joan Kwon Glass – Novembro

Estamos no início de novembroe minha filha não se impressiona mais com as folhas que caem.Ela me diz que, a partir de agora,devo pedir permissão para abraça-la,e a resposta costuma ser não.As nozes se espalham pelo pátio da escolaao lado de nossa casa e os esquilosexecutam sua corrida frenética,perseguindo-se uns aos outros nos carvalhos,parecendo desafiar…
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Paulo Henriques Britto – Nenhum Mistério

I Não chega a ser desespero,mas não por haver esperança.Falta a ênfase, o tempero,o sal da intemperança, sem o qual não é iguariaà altura de grandes gestos.É mais da categoriadas migalhas, dos restos. Pois dessa matéria escassahá que se tirar sustância.(Até mesmo na desgraçaé pra poucos a abundância.) II Não há nenhum mistério nesta históriaem…
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Mary Ruefle – Desconstrução

Acho que as sereias de A Odisseia cantaram A Odisseia,pois não há nada mais atraente, mais terrível,do que a história de nossa própria vida, aquela que nãoqueremos ouvir e faremos de tudo para escutar. Trad.: Nelson Santander Deconstruction I think the sirens in The Odyssey sang The Odyssey,for there is nothing more seductive, more terrible,than…
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Amalia Bautista – Nu de Mulher

Para ti nunca passei de um blocode mármore. Esculpiste nele o meu corpo,um corpo de mulher branco e formoso,em que não viste nada a não ser pedrae o orgulho, isso sim, do teu trabalho.Nunca imaginaste que eu te amavae que tremia quando, docemente,me modelavas os seios e os ombros,ou alisavas as coxas e o ventre.Hoje,…
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Randall Jarrell – O rosto

O Rosto Die alte Frau, die alte Marschallin!* Não é mais agradável, tampouco belo, Nem mesmo jovem. Este não é o meu. Onde está o antigo, os anteriores? Aqueles eram os meus. É assim: eu tenho fotos, Mas não tão antigas; as pessoas se comportavam De forma diferente antigamente… quando me encontram hoje, dizem: Você…
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América, Aztecas – O rio passa, passa

O rio passa, passae nunca cessa.O vento passa, passae nunca cessa.A vida passa:nunca regressa. Versão: Herberto Helder REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 10/12/2018