Jan Heller Levi – Nada mal, pai, nada mal

Acho que você é mais você mesmo quando está nadando;
fatiando a água a cada braçada,
a maneira engraçada como respira, a boca arqueada
como se estivesse bocejando.

Você não é incrível nem péssimo
indo daqui para lá.
Você não ganharia nenhuma medalha, pai,
mas não se afogaria.

Penso em como tudo poderia ter sido diferente se eu
tivesse julgado seu amor
como julgo seu nado lateral, seu borboleta,
seu crawl.

Mas sempre pensei que estava me afogando
naquele oceano gelado entre nós,
sempre achei que você se movia muito devagar para me salvar,
quando você estava indo o mais rápido que podia.

Trad.: Nelson Santander

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Not Bad, Dad, Not Bad

I think you are most yourself when you’are swimming;
slicing the water with each stroke,
the funny way you breathe, your mouth cocked
as though you’re yawning.

You’re neither fantastic nor miserable
at getting from here to there.
You wouldn’t win any medals, Dad,
but you wouldn’t drown.

I think how different everything might have been
had I judged your loving
like I judge your sidestroke, your butterfly,
your Australian crawl.

But I always thought I was drowning
in that icy ocean between us,
I always thought you were moving too slowly to save me,
when you were moving as fast as you can.

Luís García Montero – Resumo dos fatos

Falei com a morte por telefone
e recebi e-mails de amor que foram apagados
sem deixar uma única lágrima em papel amarelo.
Ninguém esqueça os tempos, mas ninguém se engane:
no final, apenas o amor e a morte importam.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 05/04/2019

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Resumen de los hechos

He hablado con la muerte por teléfono
y he recibido e-mails de amor que se borraron
sin dejar una lágrima de papel amarillo.
Nadie olvide los tiempos, pero nadie se engañe:
al final sólo importan el amor y la muerte.

Paul Guest – 2020

Talvez seja preciso abraçar a decepção.
Da maneira como você não consegue dormir à noite,
sonhando com a poeira nos móveis
e o agradável odor de madeira compensada
e como é a sensação de descascar a pele
do polegar. Talvez você deva começar
aquele romance perfeito que irá
salvá-lo. Livrar você das rubras garras
de um monstro que está bem ali
além de sua visão falha. Não hoje,
Satã, ou Ronald Reagan —
você aprende que muitas vezes o mal não é uma questão de
nuance. Estava chovendo
no dia em que nasci,
e anos depois, eu não aprendi muito mais
sobre as estrelas: fogo
e luz fria flutuando na escuridão do cosmos.
Na noite passada, li sobre
os médicos que removeram 526 dentes
da mandíbula de um menino moribundo:
por um tempo, eles temeram que aquilo não tivesse fim.
Que a dor dele fosse infinita.
Suas mãos estavam presas.
Fragmentos de ossos brancos dispostos em espiral
ao lado de seu rosto adormecido
e era lindo e uma prova do divino.
Bem, não exatamente. Talvez você
não seja real, não esteja ouvindo o vento
que percorre a noite
como uma triste prece sob o céu pontilhado.
Talvez. Só talvez as coisas melhorem.
Espere um ano.

Trad.: Nelson Santander

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2020

Maybe you need to embrace disappointment.
The way you don’t sleep at night,
dreaming of dry dust on furniture
and the pleasant odor of plywood
and what it feels like to peel skin off
of your thumb. Maybe you should begin
that perfect novel which will
save you. Pluck you from the ruddy jaws
of a monster that is right there
beyond your failing sight. Not today,
Satan, or Ronald Reagan—
you learn that often enough evil is not about
nuance. It was raining
the day I was born
and years later I haven’t learned much more
about the stars: fire
and cold light afloat in the murk of the cosmos.
Last night I read about
the doctors who removed 526 teeth
from a boy’s dying jaw:
hours in they feared there was no end to it.
That his pain was infinite.
Their hands trapped.
Bits of white bone arrayed in a spiral
beside his sleeping face
and it was lovely and an evidence of the divine.
Well, not really. Maybe you
aren’t real, aren’t listening to the wind
as it goes through the night
like a sad prayer beneath the stippled sky.
Maybe. Just maybe things will get better.
Give it a year.

Chad Frame – Área de Fumantes

Área de fumantes

VA Medical Center em Wilkes Barre, Pennsylvania: lado de fora da enfermaria

Páscoa, e o recinto de vidro está embaçado
como um olho remelento. Os velhos fumam,
ofegantes em seus bonés e cadeiras de rodas.

Trouxemos o cachorro do meu pai. Eu sei que não é
um cachorro de homem, anuncia ele, o chihuahua
repousando na colcha azul cobrindo seu colo.

De qualquer forma, é um ótimo cachorro, diz Cecil,
com seu baixo ronco rouco e catarrento.
Ele parece ter o tamanho certo para uma bola de futebol.

Perdemos a última. O que começa como uma risada
em ambas as gargantas se transforma em tosse áspera e depois úmida,
ecos de um poço profundo. Meu pai diz:

Ouvi dizer que em outubro não poderemos
mais fumar aqui. Ele olha para mim.
Você vai me tirar daqui antes disso, certo?

Mas antes que eu possa responder, outro
homem sentado em uma cadeira se aproxima lentamente,
e diz ao meu pai: Você se parece com Jesus.

Acho que consigo ver. O cabelo, a barba,
o ar faminto, a pele pálida, pergaminho
estirado finamente sobre ornamentos de madeira.

Você sofre como ele, o homem continua.
Mas eu não posso curar vocês, meu pai responde.
Queria poder. Outro acesso de tosse.

Precisa de alguma coisa? minha mãe pergunta, pegando
sua bolsa. Sim, ele diz, limpando a boca
com a mão trêmula. Um comprimido de Enditol.

Eu me pergunto: Qual será seu último prazer?
A vista do estacionamento, algumas tragadas, a brisa quente,
o cheiro de frango de um posto de combustível?

Ele se levanta e anda, e percebo que cada coisa
se abre em seu próprio ritmo — nossos corações, as primeiras
flores da primavera, mulheres indo à igreja com chapéus amarelos.

Trad.: Nelson Santander

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Smoking Shelter

Outside the hospice ward of the VA Medical Center in Wilkes Barre, Pennsylvania

Easter, and the glass enclosure’s clouded
like a rheumy eye. Old men are smoking,
wheezing in their service hats and wheelchairs.

We’ve brought my father’s dog. I know it’s not
a man’s dog, he announces, chihuahua
resting on the blue quilt draped on his lap.

That’s a great dog anyway, says Cecil,
his rumbling basso hoarse with settled phlegm.
Looks about the right size for a football.

We lost our last one. What starts as laughter
in both throats turns to rasping, then wet coughs,
echoes from a deep well. My father says,

I hear come October we’re not allowed
to smoke here anymore. He looks at me.
You’ll get me out of here before then, right?

But before I can answer, another
chair-bound man slowly scoots over to us,
tells my father, You look just like Jesus.

I guess I can see it. The hair, the beard,
the starvation, sallow skin, scroll parchment
stretched thinly over wooden finials.

You suffer like he did, he continues.
But I can’t heal you guys, my father says.
I wish I could. Another coughing fit.

You need something? my mother asks, reaching
in her purse. Yeah, he says, wiping his mouth
with a trembling hand. An Enditol pill.

I wonder, What will be your last pleasure?
A parking lot view, a few puffs, warm breeze,
smelling secondhand gas station chicken?

He is risen, and I realize each thing
opens at its own pace—our hearts, the first
spring blooms, church-bound women in yellow hats.

Vicente Gaos – Esquecei

Esquece, homem…

Esquece que és cinzas
e em cinzas te tornarás.

Esquece esta quarta-feira
e o in pulvis reverteris.

Pois embora sejas cinza e pó,
há vida, amor, beleza ao redor.

É verdade: beleza, amor, vida,
fugazes flores de um dia.

Mas flores, sim. Enquanto durar
a magia verdadeira de seu perfume,

esquece o pó e a morte.
É melhor não lembrar

do que, com ou sem memória,
baterá algum dia à tua porta.

Por ora, fecha-a. Abre a varanda,
que te penetre e embriague o sol.

Olha-o bem: fecha as pálpebras,
e que o sol te salve do caos.

No final, verás que tanto faz
viver e morrer, seja domingo

ou quarta-feira. Quando chegar
fria e borralheira a morte,

acolhe-a satisfeito, tranquilo,
com a certeza de haver vivido.

Com a lembrança de uma vida
que ignorou a profecia

funeral, que não se perdeu
em medo e dúvida de Deus.

Quando sentires o gosto amargo
da cinza na boca, sorve-o,

apura-o. Quando a morte chegar,
abre a porta e deita-te, dorme.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 01/04/2019

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Olvidaos

Olvida, hombre…

Olvida que eres ceniza
y has de convertirte en ceniza.

Olvídate de ese miércoles
y del in pulvis reverteris.

Pues aunque seas ceniza y polvo,
hay vida, amor, belleza en torno.

Es verdad: belleza, amor, vida,
fugitivas flores de un día.

Pero flores, sí. Mientras dure
la magia cierta de su perfume,

olvidate del polvo y la muerte.
Más vale que no recuerdes

lo que con memoria o sin ella
llamará algún día a tu puerta.

Ahora ciérrala. Abre el balcón
que te penetre y embriague el sol.

Míralo bien: cierra los párpados,
y que el sol te salve del caos.

Al final verás que es lo mismo
vivir y morir, el domingo

que el miércoles. Cuando llegue
cenicienta y fría la muerte,

acógela conforme, tranquilo,
seguro de haber vivido.

Con la memoria de una vida
que desoyó la profecía

funeral, que no se perdió
en el miedo y duda de Dios.

Cuando sientas el gusto amargo
de la ceniza en la boca, trágalo,

apúralo. Al llegar la muerte,
abre la puerta y tiéndete, duérmete.

W. S. Merwin – Agradecimentos

Ouça
com o cair da noite nós agradecemos
paramos nas pontes e nos inclinamos sobre as grades
saímos às pressas das salas envidraçadas
com as bocas cheias de comida para olhar o céu
e agradecer
junto à água agradecemos a ela
de pé junto às janelas que olham
em nossa direção

de volta de uma série de hospitais de volta de um assalto
após funerais, agradecemos
após as notícias sobre os mortos
quer os conhecêssemos ou não, agradecemos

por telefone, agradecemos
nas portas, nos bancos traseiros dos carros e nos elevadores
lembrando das guerras e da polícia à porta
e das surras nas escadas, agradecemos
nos bancos, agradecemos
nos rostos dos funcionários e dos abastados
e de todos que nunca mudarão
continuamos agradecendo

com os animais morrendo à nossa volta
e nossa perda de sensibilidade, agradecemos
com as florestas ficando menores mais rápido que os minutos
de nossas vidas, agradecemos
com as palavras se dissipando como células de um cérebro
com as cidades crescendo sobre nós
agradecemos cada vez mais rapidamente
com ninguém escutando, agradecemos
agradecemos e acenamos
por mais escuro que esteja

Trad.: Nelson Santander

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Thanks

Listen
with the night falling we are saying thank you
we are stopping on the bridges to bow from the railings
we are running out of the glass rooms
with our mouths full of food to look at the sky
and say thank you
we are standing by the water thanking it
standing by the windows looking out
in our directions

back from a series of hospitals back from a mugging
after funerals we are saying thank you
after the news of the dead
whether or not we knew them we are saying thank you

over telephones we are saying thank you
in doorways and in the backs of cars and in elevators
remembering wars and the police at the door
and the beatings on stairs we are saying thank you
in the banks we are saying thank you
in the faces of the officials and the rich
and of all who will never change
we go on saying thank you thank you

with the animals dying around us
our lost feelings we are saying thank you
with the forests falling faster than the minutes
of our lives we are saying thank you
with the words going out like cells of a brain
with the cities growing over us
we are saying thank you faster and faster
with nobody listening we are saying thank you
we are saying thank you and waving
dark though it is

James Wright – Deitado em uma rede na fazenda de William Duffy, em Pine Island, Minnesota

Sobre a minha cabeça, vejo a borboleta-acobreada,
Adormecida no tronco preto,
Balançando como uma folha na sombra verde.
Descendo a ravina atrás da casa vazia,
Os sinos das vacas seguem uns ao outros
Nas distâncias da tarde.
À minha direita,
Em um campo de luz solar entre dois pinheiros,
Os dejetos dos cavalos do ano passado
Transformaram-se em rochas douradas.
Eu me inclino para trás, enquanto a noite escurece e se aproxima.
Um gavião-galinha sobrevoa o local, procurando abrigo.
Tenho desperdiçado minha vida.

Trad.: Nelson Santander

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Lying in a Hammock at William Duffy’s Farm in Pine Island, Minnesota

Over my head, I see the bronze butterfly,
Asleep on the black trunk,
Blowing like a leaf in green shadow.
Down the ravine behind the empty house,
The cowbells follow one another
Into the distances of the afternoon.
To my right,
In a field of sunlight between two pines,
The droppings of last year’s horses
Blaze up into golden stones.
I lean back, as the evening darkens and comes on.
A chicken hawk floats over, looking for home.
I have wasted my life.

Joan Margarit – Helena

O ontem é teu inferno. É cada instante
em que, sem sabê-lo, te perdeste
e também cada instante em que foste salvo.
Quando o jovem que foste está muito distante,
o amor é vingança do passado.
Vens de uma guerra em que foste vencido,
de armas e acampamentos abandonados
na Troia que levas dentro de ti.
Buscar-te-ão de noite os aqueos
e estreitarão o cerco. Voltarás,
por uma mulher, a perder a cidade.
Helena são todos os sonhos de que a vida
foi-se apropriando. Defende-a bravamente
pela última vez, desarmado.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 23/03/2019

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Helena

El ayer es tu infierno. Es cada instante
en el que, sin saberlo, te has perdido
y también cada instante en el que te has salvado.
Cuando el joven que fuiste está muy lejos,
el amor es venganza del pasado.
Viene de una guerra donde fuiste vencido,
de armas y campamentos abandonados
en la Troya que llevas en ti mismo.
Te buscarán de noche los aqueos
y estrecharán el cerco. Volverás,
por una mujer, a perder la ciudad.
Helena es todos los sueños que la vida
se ha ido apropiando. Defiéndela con valor
por última vez, desarmado.

Emily Jungmin Yoon – Questões Conexas

Olho para o oceano como se fosse um adeus.
Em algum lugar, ele toca uma terra à mercê do fogo.
Minha mãe enlutada traz a floresta para dentro de casa, um exagero verde.
Quando ela replanta as árvores, não é diferente de trocar fraldas.
Mas ela não se preocupa mais com os troncos mirrados das moribundas.
Hoje em dia, tudo parece o fim.
Dias atrás, um tufão estilhaçou vidros de edifícios.
Uma mulher de sessenta e poucos anos sangrou até a morte depois que eles rasgaram
a janela em seus braços. Aprendi que o nome do vento, Maysak,
significa teca em Khmer. A madeira dela
mantém sua fragrância aromática até uma idade avançada, aprendi. Eu estou sempre
aprendendo. O que é que eu quero
saber? Não há lugar nenhum neste mundo
em que eu queira viver. Olho para seu rosto
como se fosse um adeus. Não há para onde ir.
Fecho minha janela porque, o que mais
posso fazer? O tufão de amanhã se chama Haishen,
que significa deus do mar em mandarim. Confesso
que quero viver. Em nenhum lugar, mas ainda assim, com grande desespero, eu quero.
O que você quer?
Diga-me, seu rosto é igual ao meu?
Diga-me, nós vemos as mesmas coisas?
Diga-me que somos os mesmos olhos
ardendo noite adentro.

Trad.: Nelson Santander

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Related Matters

I look at the ocean like it’s goodbye.
Somewhere, it is touching a land laying prey to fire.
My grieving mother brings the forest inside, a green excess.
When she repots the trees, it is not unlike changing diapers.
But she no longer tends to the small abject frames of the dying.
These days, everything feels like the end.
A few days ago, a typhoon shaved glass off buildings.
A woman in her sixties bled to death after it cut
the window into her arms. The name of the wind, Maysak,
means teak tree in Khmer, I learn. The timber
retains its aromatic fragrance to a great age, I learn. I am always
learning. What is it that I want
to know? There is nowhere in this world
that I want to live. I look at your face
like it’s goodbye. There is nowhere to go.
I shut my window because what else
can I do. Tomorrow’s typhoon is called Haishen,
meaning sea god in Mandarin. I confess
I want to live. Nowhere, but still, with great desperation, I want.
What is it that you want?
Tell me, is your face the same as mine?
Tell me, do we see the same things?
Tell me we are the same eyes
burning through the night.

Joy Harjo – Canção de outono

É um dia escuro de outono.
A terra está ligeiramente molhada pela chuva.
Ouço um gaio.
O canto é triste.
Encontrei você na história novamente.
Existe outra palavra para ‘‘divino’’?
Preciso de uma canção que mantenha o céu aberto em minha mente.
Se eu pensar para trás, posso quebrar.
Se eu pensar para frente, perco o agora.
Para sempre será um dia assim,
Perfeitamente enlaçado ao colar dos dias.
Levemente encoberto
Folhas amarelas
Seu casaco pendurado no corredor
Junto ao meu.

Trad.: Nelson Santander

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Fall Song

It is a dark fall day.
The earth is slightly damp with rain.
I hear a jay.
The cry is blue.
I have found you in the story again.
Is there another word for ‘‘divine’’?
I need a song that will keep sky open in my mind.
If I think behind me, I might break.
If I think forward, I lose now.
Forever will be a day like this
Strung perfectly on the necklace of days.
Slightly overcast
Yellow leaves
Your jacket hanging in the hallway
Next to mine.