Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Linda Pastan – Flores Silvestres

Você me deu dentes-de-leão.Eles tomaram nosso jardimpor direito de ocupação —sóis redondos surgindoem abril, delicadas luasretirando-se em junho.Você me deu sapatinhos-de-dama,sanguinárias, serralhas,trillium cujo número secretoas crianças que você me deucontam. Na hierarquiadas flores, as silvestresse erguem em seus caulespara serem nomeadas.Chame-as de ervas daninhas.Eu as colho como colhi você,por sua alegria feroze indisciplinada. Trad.: Nelson…
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Thomas Ligotti – Memento

Você pretendia cuidar de tudoe organizar seus assuntos.Mas o inesperado aconteceue não houve tempo. Mais tarde, os entes queridos vieram,se desfizeram de algumas coisase deixaram outras de lado:lembranças ou objetos de valor. Eles choraram por um velho penteque ainda tinha alguns cabelosenrolados entre os dentes.Mas também riram um pouco. Então alguém encontrou o que você…
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Henry Reed – A nomeação das peças

“A nomeação das peças”, um poema de Henry Reed que revela, através de um jogo sutil entre o técnico e o poético, a tensão entre a brutalidade da guerra e a serenidade da natureza.
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William Stafford – Viajando na Escuridão

Viajando na escuridão, encontrei um cervomorto à margem da estrada junto ao Rio Wilson.Geralmente é melhor rolá-los para o cânion:aquela estrada é estreita; desviar pode deixar mais mortos. À luz da lanterna traseira, fui aos tropeços até atrás do carroe parei junto àquela massa, uma corsa, morta havia pouco;ela já enrijecera, quase fria.Arrastei-a para fora…
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Linda Gregg – Em louvor à primavera

O dia é tomado por tudo e se completa.Saio, entro, e saio novamente, confundidapor uma beleza que não conhece a espera,correndo como fogo. Todas as coisas se movem mais rápidoque o tempo e, assim, criam uma quietude. Minha mentese inclina para trás e sorri, sem ter nada a dizer.Mesmo à noite, saio com uma luz…
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Les Murray – O Significado da Existência

Todas as coisas, exceto a linguagem,conhecem o significado da existência.Árvores, planetas, rios, temponão têm outra consciência. Expressam-nomomento a momento, como o universo. Mesmo este corpo toloo vivencia em parte e teriadignidade plena nele,não fosse a liberdade ignorantede minha mente falante. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para…
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A. E. Housman – De “A Shropshire Lad”, Canto XL

Canto XL (de “Um Rapaz de Shropshire”) Em meu coração, sopra uma brisa assassina Oriunda de uma longínqua região: Aqueles pináculos, aquelas colinas Da memória, aquelas fazendas, o que são? Esta é a terra das perdidas substâncias Eu enxergo suas planícies a brilhar, As estradas felizes de minhas andanças Para as quais, entretanto, eu não posso voltar. Trad.:…
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Patrick Kavanagh – Raglan Road

Na Raglan Road1, em um dia de outono, uma vez a conheci e sabiaQue suas mechas escuras lançariam uma urdidura que me apanharia;Eu enxerguei o perigo, mas continuei pela viela encantada,E disse: que a aflição seja uma folha no chão ao despontar da alvorada. Na Grafton Street, em novembro, caminhamos com leveza pelo beiralDa grota…
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Kim Addonizio – Comendo juntas

Sei que minha amiga está partindo,embora ela ainda esteja sentadaà minha frente no restaurantee se incline sobre a mesa para mergulharseu pão no azeite do meu prato; seicomo o cabelo dela costumava ser espesso,e o que custa para ela deixar de ladoseu boné masculino no meio da refeição,olhar diretamente para o jovem garçome sorrir quando…
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Ellen Bass – A bancada da cozinha

Hoje ouvi uma jovem declamar um poemaem que o marido ergue seu traseiro nusobre a bancada da cozinhae, na próxima linha, abre suas pernas. O casamento tem problemas. Talvez já estejam divorciados.Mas de repente lamento o fato de quenunca ninguém tenha erguido meu traseiro nu sobre uma bancada de cozinha. Nem quando meu traseiro trotava…