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Delmore Schwartz – All night, all night

I have been one acquainted whit the night – Robert Frost Viajou de trem a noite inteira, sob uma luz agoureira. Uma ave Voou em paralelo com singular determinação. Em ações e anseios de devaneios Os demais passageiros curvados, deitados, lendo, dormindo, Esperando, e esperando um local para se deslocar, Para a correta rota da…
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Armando Freitas Filho – Autobiografia até agora

No Cineac antes da descoberta do Brasil com a mãe a tiracolo vendo o Arqueiro Verde (um Robin Hood de segunda mão) disparando suas flechas morais. Depois, punhetas, colégios, lápis a primeira caneta, poesia, pin-ups futebol, jogo de botão e puteiros: a sessão começa quando você chega. Agora, no escuro, meio Zé Carioca trocando de…
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Miguel Martins – [Do lado de fora, tudo parece pouco]
![Miguel Martins – [Do lado de fora, tudo parece pouco]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/09/tga-9211-9-6-404-1_10.jpg)
Do lado de fora, tudo parece pouco. Borborinho. Intemperança. Sono. O rosto não faz prova da memória mas a memória testemunha a evolução do rosto, os pares de óculos que por ali passaram, a fome e o consolo, o medo, a morte de cada beijo, o milagre do seu renascimento e, por fim, o extremo…
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Théodore Fraenckel – Meditação do fim de Agosto

Mal as árvores se abatem, o que resta da floresta? Resistirá a madeira a ser moldada pelo acréscimo de formas que lhe vem da literatura? E no entanto a natureza nada tem de humano e dela não se pode dizer que prescinde de crescer e se aquieta nos limites de uma forma que a torna…
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Henry Scott Holland – [A morte não é nada]
![Henry Scott Holland – [A morte não é nada]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/09/67390f30a7a3629e3d14b98198d622ff.jpg)
A morte não é nada*. Ela não conta. Eu apenas passei para a sala vizinha. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como sempre foi. Eu sou eu, e você é você, e a velha vida que vivemos carinhosamente juntos permanece intocada, inalterada. O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda o somos. Chame-me…
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José Paulo Paes – Glauco

Nas duas vezes que voltei a Curitiba não o encontrei. Numa tinha viajado para o Rio na outra tinha viajado para a morte. E nem havia mais onde encontrá-lo: o Belas Artes fechara a redação de O Dia sumira-se no ar as pensões eram terrenos baldios. Desarvorado me sentei à mesa de uma confeitaria na…
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Ruy Belo – Uma vez que já tudo se perdeu

Que o medo não te tolha a tua mão Nenhuma ocasião vale o temor Ergue a cabeça dignamente irmão falo-te em nome seja de quem for No princípio de tudo o coração como o fogo alastrava em redor Uma nuvem qualquer toldou então céus de canção promessa e amor Mas tudo é apenas o que…
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Mário de Sá-Carneiro – Além-Tédio

Nada me expira já, nada me vive – Nem a tristeza nem as horas belas. De as não ter e de nunca vir a tê-las, Fartam-me até as coisas que não tive. Como eu quisera, enfim d’alma esquecida, Dormir em paz num leito de hospital… Cansei dentro de mim, cansei a vida De tanto a…
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A. M. Pires Cabral — Confesso que voei

1 Mas, se nestas seis décadas e meia eu fui capaz de algum voo — concedo: semelhante ao das galinhas, isto é, rudimentar, desgracioso, com muitíssimo dispêndio de energia para pouca ascensão, breve e apenas em desespero de causa; em todo o caso uma forma de voo pelo qual me sustentei no ar em horas…
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Tristan Corbière – Paisagem má

Praias de ossos. A onda estertora Seus dobres, som a som, na areia. Palude pálido. O luar devora Grandes vermes – é a sua ceia. Torpor de peste: somente a febre Coze… O duende danado dorme. A erva que fede vomita a lebre, Bruxa medrosa que se some. A lavadeira branca junta os Trapos surrados…