Do lado de fora, tudo parece pouco.
Borborinho. Intemperança. Sono.
O rosto não faz prova da memória
mas a memória testemunha a evolução do rosto,
os pares de óculos que por ali passaram,
a fome e o consolo,
o medo,
a morte de cada beijo,
o milagre do seu renascimento
e, por fim, o extremo cansaço,
a gloriosa vitória da derrota.
Por dentro, o tempo acumula-se,
chuva numa piscina abandonada
às sombras de um Inverno
que só se interrompe ante a imensa ternura dos teus olhos
nos dias em que o fogo me consome.
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![Miguel Martins – [Do lado de fora, tudo parece pouco]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/09/tga-9211-9-6-404-1_10.jpg)
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