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Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Terceira Elegia

Uma coisa é cantar a amada. Outra, ai de mim, é cantar o culpado e oculto Deus-Rio do sangue. Aquele que a amada reconhece de longe, seu amante, que sabe ele do Senhor da Volúpia que tantas vezes o assaltava em plena solidão, antes que a mulher amada o abrandasse, como se nem mesmo ela…
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Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Segunda Elegia

Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de mim, eu vos invoco, pássaros quase mortais da alma, sabendo quem sois. Tempos remotos de Tobias, em que o mais radiante dentre vós aparecia no limiar da casa humilde, sem intimidar, para a viagem levemente disfarçado (jovem que outro jovem, curioso, contemplava). Adiantasse agora o Arcanjo, ameaça…
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Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira Elegia

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjosme ouviria? E mesmo que um deles me tomasseinesperadamente em seu coração, aniquilar-me-iasua existência demasiado forte. Pois que é o Belosenão o grau do Terrível que ainda suportamose que admiramos porque, impassível, desdenhadestruir-nos? Todo Anjo é terrível.E eu me contenho, pois, e reprimo o apelodo meu soluço…
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Federico Garcia Lorca – Pranto por Ignacio Sánchez Mejías

1. A captura e a morte Às cinco da tarde.Eram as cinco em ponto dessa tarde Um menino trouxe o lençol brancoàs cinco da tarde. Uma alcofa de cal já prevenidaàs cinco da tarde.O mais era só morte e apenas morteàs cinco da tarde. O vento arrebatou os algodõesàs cinco da tarde.E o óxido semeou…
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John Ashbery – Medo da morte

Que há comigo agora, é assim que eu fiquei? Não há estado livre dos limites do antes e depois? Hoje a janela está aberta e o ar jorra para dentro com notas de piano nas suas saias, como a dizer, “Olha, John, eu trouxe isso e aquilo” – ou seja, alguns Beethovens, uns Brahms, umas…
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Álvaro de Campos – Tabacaria

Leia “Tabacaria”, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), um dos maiores poemas do modernismo português sobre identidade, fracasso, sonho e existência.
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Horácio – Ode 1/11

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe, os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopo da babilônia e aceita: o que há de ser, será, quer nos dê Jove mais invernos, quer só este que em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebe teu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos. Enquanto…
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Attila József – Dói demais

A morte atenta de dentro e fora te afugenta (ratinho oculto com receio) e, enquanto arderes, vais procurar junto às mulheres refúgio em braço, joelho e seio. Mais que o calor do colo afável, mais que o ardor, precisar muito é que te apressa; assim, quem quer que possa abraça uma mulher até que a…
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Eugenio Montale – Xenia I

1 Querido pequeno inseto que chamavam de mosca, não sei por quê, esta tarde quase ao escurecer enquanto lia o Segundo Livro de Isaías reapareceste ao meu lado, mas não tinhas óculos, não podias me ver nem podia eu sem aquela centelha reconhecer-te no escuro. 2 Sem óculos nem antenas pobre inseto que asas só…
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Basil Bunting – O que o diretor disse a Tom

Poesia? É um hobby O meu são trens elétricos. O sr. Shaw ali cria pombos. Não é trabalho. Você não sua a camisa. Ninguém paga. Tente anunciar sabão. Ópera é que é arte; ou o teatro. A Canção do Deserto. Nancy era do coro. Mas pedir doze libras por semana – casado, não? – isso…