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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Louis MacNeice – A luz do sol no jardim

A luz do sol no jardimEndurece e esmorece,Não podemos enjaular o minutoEm suas malhas de ouro;Quando tudo é proclamadoNão podemos implorar por perdão. Nossa liberdade, como soldados a soldo,Avança em direção ao seu fim;A mundo compele, nele Baixam sonetos e pássaros; E em breve, meu amigo,Não teremos tempo para danças. O céu estava bom para…
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Mary Oliver – Os usos da tristeza

(enquanto dormia, sonhei este poema) Alguém que amei uma vez me deuuma caixa cheia de escuridão. Levei anos para entenderque isto, também, foi uma dádiva. Trad.: Nelson Santander The uses of sorrow (In my sleep I dreamed this poem) Someone I loved once gave mea box full of darkness. It took me years to understandthat…
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Lêdo Ivo – Achamento e duração dos mortos

És o cemitério. Os mortos não jazem debaixo da terra. Não estão ocultos num lençol de relva mas sob tua pele. Tuas veias são ruas onde os mortos passeiam fagueiros, e em férias percorrem, turistas do eterno, os museus do éter. E nas terras velhas de tua memória almas veraneiam. Meu filho, viver é comerciar…
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Jane Hirshfield – Jasmim

Quase o século vinte e um —quão rapidamente o pensamento ficará datado,até mesmo pitoresco? Nossas esperanças, nosso futuro,passarão como as esperanças e futuros dos outros. E todas as nossas ansiedades e terrores,noites de insônia,pesares,se apresentarão então como realmente são — Abelhas delirantes e trôpegas pelo aroma do chá de jasmim. In “The lives of the…
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Seán Hewitt – Fantasma

i. Despertando, quase de manhã, mas aindade um escuro metálico, fechado, no quarto: um som dentro do meu sonho, apenas um lamentono início, que depois se torna humano, um uivoque se eleva na rua do lado de fora, fica sem respostae então se eleva novamente. De cueca, tremendojunto à janela de uma só vidraça, mas…
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Edward Field – Máscara mortuária

Máscara mortuária “A velhice é a mais inesperada de todas as coisas que acontecem a um homem.“ –Leon Trotsky. “Não me falem Da sabedoria dos velhos, mas antes de…
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Carlos Drummond de Andrade – Nudez

Não cantarei amores que não tenho, e, quando tive, nunca celebrei. Não cantarei o riso que não rira e que, se risse, ofertaria a pobres. Minha matéria é o nada. Jamais ousei cantar algo de vida: se o canto sai da boca ensimesmada, é porque a brisa o trouxe, e o leva a brisa, nem…
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David Whyte – Algumas vezes

Algumas vezes,se você se mover cuidadosamentepela floresta,respirandocomo osdas velhas histórias,que podiam atravessarum resplandescente leito de folhassem um som,você chega a um lugar cuja única missão é incomoda-locom ínfimas mas assustadoras exigências,concebidas do nadamas neste lugarque começa a leva-lo para todos os lugares.Exigências para que você pareo que está fazendo agora,e pare o que você está…