Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntam
como comecei a escrever poesia,
eu falo da indiferença da natureza.

Foi logo depois que minha mãe faleceu,
um dia radiante de junho
em que tudo florescia.

Sentei-me em um banco de pedra acinzentado
em um jardim carinhosamente cultivado,
mas os lírios eram tão surdos
quanto os bêbados adormecidos
e as rosas curvadas para dentro.
Nada estava enlutado ou quebrado,
nem uma folha caiu
e o sol ressoava infindos comerciais
de férias de verão.

Sentei-me em um banco de pedra acinzentado
cercado das ingênuas faces
das não-me-toques rosas e brancas
e depositei minha dor
na boca da linguagem,
a única coisa que sofreria comigo.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 15/03/2020

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When I am asked

When I am asked
how I began writing poems,
I talk about the indifference of nature.

It was soon after my mother died,
a brilliant June day,
everything blooming.

I sat on a gray stone bench
in a lovingly planted garden,
but the day lilies were as deaf
as the ears of drunken sleepers
and the roses curved inward.
Nothing was black or broken
and not a leaf fell
and the sun blared endless commercials
for summer holidays.

I sat on a gray stone bench
ringed with the ingenue faces
of pink and white impatiens
and placed my grief
in the mouth of language,
the only thing that would grieve with me.

Adam Zagajewski – Improviso

Você deve carregar todo o peso do mundo
e torná-lo mais suportável.
Jogue-o como uma mochila
sobre seus ombros e siga em frente.
O melhor momento é à tardinha, na primavera, quando
as árvores respiram suavemente e a noite promete
ser boa, os ramos dos olmos estalando no jardim.
Todo o peso? Sangue e feiura? Impossível.
Um traço de amargura permanecerá em seus lábios,
assim como o desespero contagiante daquela velha
que você viu no bonde.
Por que mentir? Afinal, o êxtase
existe apenas na imaginação e depressa se dissipa.
Improviso – sempre apenas improviso,
grande ou pequeno, é tudo o que sabemos,
na música, como um trompete de jazz chora alegremente,
ou quando você encara a página em branco
ou tenta ludibriar
a tristeza abrindo seu livro de poemas favorito;
é nesse momento que o o telefone geralmente toca,
alguém perguntando se você gostaria de experimentar
o modelo mais recente. Não, obrigado.
Prefiro as marcas consagradas.
Cinza e monotonia permanecem; tristeza
que a melhor elegia não pode curar.
Mas talvez haja coisas ocultas de nós,
onde tristeza e entusiasmo se amalgamam
constantemente, no dia a dia, como o amanhecer
à beira-mar, não, espere,
como o riso daqueles coroinhas
em vestes brancas, na esquina da St. John com a Mark,
lembra?

Trad.: Nelson Santander a partir da versão do poema em inglês traduzido por Clare Cavanagh

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Improvisation

You must take up the world’s whole weight
and make it easier to bear.
Toss it like a knapsack
on your shoulders and set out.
The best time is evening, in spring, when
trees breathe calmly and the night promises
to be fine, elm twigs crackle in the garden.
The whole weight? Blood and ugliness? Can’t be done.
A trace of bitterness will linger on your lips,
and the contagious despair of the old woman
you spotted in the tram.
Why lie? After all rapture
exists only in imagination and leaves quickly.
Improvisation – always just improvisation,
great or small, that’s all we know,
in music, as a jazz trumpet weeps happily
or when you stare at the blank page
or try to outwit
sorrow by opening a favorite book of poems;
just then the phone usually rings,
someone asking, would you like to try
the latest model? No thank you.
I prefer the proven brands.
Grayness and monotony remain; grief
the finest elegy can’t heal.
But perhaps there are things hidden from us,
in which sorrow and enthusiasm mix
non-stop, on a daily basis, like the dawn’s birth
above the seashore, no, wait,
like the laughter of those little altar boys
in white vestments, on the corner of St. John and Mark,
remember?

Lawrence Ferlinghetti – Allen Ginsberg morrendo

Allen Ginsberg está morrendo
Está em todos os jornais
Está no noticiário noturno
Um grande poeta está morrendo
Mas sua voz
não vai morrer
Sua voz está na terra
No Baixo Manhattan
na sua cama
ele está morrendo
Não há nada
a fazer sobre isso
Ele está morrendo a morte que todos enfrentam
Ele está morrendo a morte do poeta
Ele tem um telefone em sua mão
e liga para todo mundo
de sua cama no Baixo Manhattan
Em todo o mundo
na calada da noite
os telefones estão tocando
É o Allen
diz a voz
Allen Ginsberg chamando
Quantas vezes eles ouviram isso
ao longo dos grandes anos
Ele não precisa dizer Ginsberg
Em todo o mundo
no mundo dos poetas
há apenas um Allen
Eu queria lhes dizer, ele diz
Ele lhes conta o que está acontecendo
o que vem se aproximando
dele
A Morte, amante sombria,
se abate sobre dele
Sua voz vai por satélite
sobre a terra
sobre o Mar do Japão
onde certa vez ele posou nu
tridente na mão
como um jovem Netuno
um homem jovem com barba negra
em pé numa praia de pedras
É maré alta e as aves marinhas choram
As ondas quebram sobre ele agora
e as aves marinhas choram
na orla de São Francisco
Há um vento forte
Grandes ondas brancas
flagelam o embarcadouro
Allen está ao telefone
Sua voz está nas ondas
Eu estou lendo poesia grega
E nela o mar
Nela os cavalos lamentam
Nela choram
os cavalos de Aquiles
aqui, à beira-mar,
em São Francisco
onde as ondas choram
Elas fazem um som sibilante
um som sibilino
Allen
elas sussurram
Allen

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 14/03/2020

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Allen Ginsberg dying

Allen Ginsberg is dying
It’s in all the papers
It’s on the evening news
A great poet is dying
But his voice
won’t die
His voice is on the land
In Lower Manhattan
in his own bed
he is dying
There is nothing
to do about it
He is dying the death that everyone dies
He is dying the death of the poet
He has a telephone in his hand
and he calls everyone
from his bed in Lower Manhattan
All around the world
late at night
the telephone is ringing
This is Allen
the voice says
Allen Ginsberg calling
How many times have they heard it
over the long great years
He doesn’t have to say Ginsberg
All around the world
in the world of poets
there is only one Allen
I wanted to tell you he says
He tells them what’s happening
what’s coming down
on him
Death the dark lover
going down on him
His voice goes by satellite
over the land
over the Sea of Japan
where he once stood naked
trident in hand
like a young Neptune
a young man with black beard
standing on a stone beach
It is hightide and the seabirds cry
The waves break over him now
and the seabirds cry
on the San Francisco waterfront
There is a high wind
There are great whitecaps
lashing the Embarcadero
Allen is on the telephone
His voice is on the waves
I am reading Greek poetry
The sea is in it
Horses weep in it
The horses of Achilles
weep in it
here by the sea
in San Francisco
where the waves weep
They make a sibilant sound
a sibylline sound
Allen
they whisper
Allen

Sharon Olds – Sexo sem amor

Como conseguem fazer isso, os que fazem amor
sem amor? Belos como bailarinos,
deslizando um sobre o outro como patinadores
no gelo, dedos enganchados
nos corpos um do outro, rostos
vermelhos como carne, vinho, molhados como as
crianças recém-nascidas que serão entregues pelas
mães. Como eles conseguem chegar a
chegar a chegar a Deus chegar às
águas calmas e não amar
aquele que chegou até lá com eles, a luz
se elevando lentamente como vapor saindo de suas peles
unidas? Esses são os verdadeiros devotos,
os puristas, os profissionais, os que não
aceitam falsos profetas e amam o
sacerdote em vez de Deus. Eles não
confundem o amante com seu próprio prazer,
são como grandes corredores: sabem que estão sozinhos
com a estrada, o frio, o vento,
o ajuste dos tênis, e sua saúde cárdio-
vascular – apenas fatores, como o parceiro
na cama, e não a verdade, que é o
corpo único e solitário no universo
contra seu próprio melhor tempo.

Trad.: Nelson Santander

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Sex Without Love

How do they do it, the ones who make love
without love? Beautiful as dancers,
gliding over each other like ice-skaters
over the ice, fingers hooked
inside each other's bodies, faces
red as steak, wine, wet as the
children at birth whose mothers are going to
give them away. How do they come to the
come to the come to the God come to the
still waters, and not love
the one who came there with them, light
rising slowly as steam off their joined
skin? These are the true religious,
the purists, the pros, the ones who will not
accept a false Messiah, love the
priest instead of the God. They do not
mistake the lover for their own pleasure,
they are like great runners: they know they are alone
with the road surface, the cold, the wind,
the fit of their shoes, their over-all cardio-
vascular health--just factors, like the partner
in the bed, and not the truth, which is the
single body alone in the universe
against its own best time.

Billy Collins – Esquecimento

O nome do autor é o primeiro a desaparecer
seguido obedientemente pelo título, a trama,
a conclusão comovente, o romance inteiro
que subitamente se torna algo que você nunca leu,
nunca sequer ouviu falar,

como se, uma a uma, as memórias que você costumava abrigar
decidissem se aposentar no hemisfério sul do cérebro,
em uma pequena aldeia de pescadores onde não há telefones.

Há muito você deu um beijo de adeus nas nove Musas
e viu a equação de segundo grau arrumar as malas,
e mesmo agora, enquanto memoriza a ordem dos planetas,

algo mais está se perdendo, um emblema floral, talvez,
o endereço de um tio, a capital do Paraguai.

Seja lá o que você esteja lutando para lembrar,
não está na ponta da língua,
nem espreita de um canto obscuro do seu baço.

Flutuou para longe, por um rio mitológico e sombrio
cujo nome começa com um L, pelo que você se lembra,
claramente rumo ao esquecimento, onde se unirá àqueles
que se esqueceram até mesmo como nadar e como andar de bicicleta.

Não espanta que você se levante no meio da noite
para pesquisar a data de uma famosa batalha em um livro sobre a guerra.
Não espanta que a lua lá fora pareça ter saído
de um poema de amor que você costumava saber de cor.

Trad.: Nelson Santander

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 13/03/2020

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Forgetfulness

The name of the author is the first to go
followed obediently by the title, the plot,
the heartbreaking conclusion, the entire novel
which suddenly becomes one you have never read,
never even heard of,

as if, one by one, the memories you used to harbor
decided to retire to the southern hemisphere of the brain,
to a little fishing village where there are no phones.

Long ago you kissed the names of the nine Muses goodbye
and watched the quadratic equation pack its bag,
and even now as you memorize the order of the planets,

something else is slipping away, a state flower perhaps,
the address of an uncle, the capital of Paraguay.

Whatever it is you are struggling to remember,
it is not poised on the tip of your tongue,
not even lurking in some obscure corner of your spleen.

It has floated away down a dark mythological river
whose name begins with an L as far as you can recall,
well on your own way to oblivion where you will join those
who have even forgotten how to swim and how to ride a bicycle.

No wonder you rise in the middle of the night
to look up the date of a famous battle in a book on war.
No wonder the moon in the window seems to have drifted
out of a love poem that you used to know by heart.

Mary Oliver – Hospital Universitário de Boston

As árvores no gramado do hospital
são frondosas e exuberantes. Elas também
recebem os melhores cuidados,
como você e os muitos anônimos,
nos quartos limpos acima desta cidade,
onde dia e noite os médicos continuam
chegando, onde máquinas intrincadas
registram com fria devoção
o sussurro do sangue,
o lento remendar dos ossos,
o desespero da mente.
Quando venho visitá-lo e saímos
à luz de um dia de verão,
sentamos sob as árvores —
castanheiras-da-índia, um sicômoro e uma
nogueira-preta que se inclina
sobre uma sebe de lilases,
tão antigas quanto o prédio de tijolos vermelhos
atrás delas, o hospital
original, construído antes da Guerra Civil.
Sentamos juntos no gramado, de mãos dadas,
enquanto você me diz que está melhor.
Quantos jovens, me pergunto,
vieram para cá, transportados em macas dos trens vagarosos
vindos dos rubros e horrendos campos de batalha
para passar deitados o verão inteiro nos quartos pequenos e abafados
enquanto os médicos faziam o que podiam, ansiando
por equipamentos ainda não imaginados, medicamentos ainda não descobertos,
saberes sequer pensados, e quantos morreram
olhando para as folhas das árvores, alheios
ao terrível esforço ao redor deles para mantê-los vivos?
Eu olho em seus olhos
que às vezes são verdes e às vezes cinzas,
e às vezes cheios de humores, mas muitas vezes não,
e digo a mim mesma que você está melhor,
porque minha vida sem você seria
um lugar de árvores ressequidas e despedaçadas.
Mais tarde, caminhando pelos corredores em direção à rua,
eu me viro e entro em um quarto vazio.
Ontem, alguém estava aqui com uma expressão ofegante.
Agora a cama está toda arrumada
e as máquinas foram retiradas. O silêncio
continua, profundo e neutro,
enquanto eu fico ali, amando você.

Trad.: Nelson Santander

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University Hospital, Boston

The trees on the hospital lawn
are lush and thriving. They too
are getting the best of care,
like you, and the anonymous many,
in the clean rooms high above this city,
where day and night the doctors keep
arriving, where intricate machines
chart with cool devotion
the murmur of the blood,
the slow patching-up of bone,
the despair of the mind.
When I come to visit and we walk out
into the light of a summer day,
we sit under the trees —
buckeyes, a sycamore and one
black walnut brooding
high over a hedge of lilacs
as old as the red-brick building
behind them, the original
hospital built before the Civil War.
We sit on the lawn together, holding hands
while you tell me: you are better.
How many young men, I wonder,
came here, wheeled on cots off the slow trains
from the red and hideous battlefields
to lie all summer in the small and stuffy chambers
while doctors did what they could, longing
for tools still unimagined, medicines still unfound,
wisdoms still unguessed at, and how many died
staring at the leaves of the trees, blind
to the terrible effort around them to keep them alive?
I look into your eyes
which are sometimes green and sometimes gray,
and sometimes full of humor, but often not,
and tell myself, you are better,
because my life without you would be
a place of parched and broken trees.
Later, walking the corridors down to the street,
I turn and step inside an empty room.
Yesterday someone was here with a gasping face.
Now the bed is made all new,
the machines have been rolled away. The silence
continues, deep and neutral,
as I stand there, loving you.

Bertrand Russell – de “No que acredito”

“Acredito que ao morrer apodrecerei e nada do meu eu sobreviverá. Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenho tremer de terror à ideia do aniquilamento. A felicidade não se torna menos verdadeira por ter que chegar ao fim, e o pensamento e o amor não perdem o seu valor por não durarem para sempre. Muitos homens já se portaram orgulhosamente no cadafalso; certamente o mesmo orgulho deveria nos ensinar a pensar verdadeiramente sobre o posto do homem no mundo. Mesmo se inicialmente as janelas abertas da ciência fazem-nos tremer após o quente aconchego dos mitos antropomórficos tradicionais, no final o ar fresco revigora, e os grandes espaços têm o seu próprio esplendor.”

REPUBLICAÇÃO: citação originalmente publicada na página em 11/03/2020

Catulo – poema XLVI de “Carmina”

XLVI

Já a Primavera traz ameno calor sem réstia de frio,
já a sanha equinocial do céu
aos sopros prazenteiros de Zéfiro cede lugar.
Que fiquem para trás, Catulo, os campos da Frígia
e da tórrida Niceia a terra fértil.
Até às ilustres cidades da Ásia voemos!
Já meu pensamento impaciente anseia por vaguear,
já meus pés, animados com zelo, se revigoram.
O doces reuniões de companheiros, adeus!
Tendo vindo pela mesma estrada até tão longe de casa,
são várias e diferentes as que restituem ao lar.

Trad.: João Pedro Moreira e André Simões

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Carlos Drummond de Andrade – A bruxa

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto…
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que leem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse nesse minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 09/03/2020

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Roberto Juarroz – Assim como não conseguimos

Assim como não conseguimos
sustentar por muito tempo um olhar,
a alegria,
o turbilhão do amor,
o pensamento livre,
a terra suspensa no canto.

E sequer conseguimos manter por muito tempo
as proporções do silêncio
quando algo o perturba.
E menos ainda
quando nada o perturba.

O homem não consegue suportar o homem por muito tempo,
e nem aquilo que não é homem.

E, no entanto, é capaz
de suportar o fardo inexorável
do que não existe.

Trad.: Nelson Santander

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Así como no podemos

Así como no podemos
sostener mucho tiempo una mirada,
tampoco podemos sostener mucho tiempo la alegría,
la espiral del amor,
la gratuidad del pensamiento,
la tierra en suspensión del cántico.

No podemos ni siquiera sostener mucho tiempo
las proporciones del silencio
cuando algo lo visita.
Y menos todavía
cuando nada lo visita.

El hombre no puede sostener mucho tiempo al hombre,
ni tampoco a lo que no es el hombre.

Y sin embargo puede
soportar el peso inexorable
de lo que no existe.