Já não faço bolo de frutas — cerejas berrantes,
pedaços pegajosos de abacaxi glaceado,
casca cristalizada — aninhadas num leito de bolo
escuro e especiado. Só você gostava disso.
E não não sou mais capaz de caminhar pelos bosques cobertos de gelo
para derrubar (ou melhor, serrar) uma árvore perfumada,
erguê-la a custo até o teto do carro, carregá-la para dentro,
regá-la todos os dias, apoiada nas mãos e nos joelhos. Em vez disso,
uma árvore artificial, já iluminada por pequeninas luzes,
faz o que pode para clarear essas noites escuras.
Onde me sento diante da lareira, sozinha,
com minha taça solitária de vinho. A meia
que você costurou para mim no nosso primeiro ano juntos
pende vazia. Assim como a sua,
com recortes de feltro, costurada por sua mãe quando você
tinha dois anos. Não há presentes para embrulhar
nem presentes para esconder. Os biscoitos estão por assar.
Os assados, por cortar. Só o silêncio da neve,
a chama de uma única vela. A noite
mais longa do ano.
Trad.: Nelson Santander
Christmas without you
I no longer make fruitcake—those garish
cherries, sticky chunks of glacéed pineapple,
candied peel—snug in their bed of dark spiced
cake. No one but you ever liked it. And I’m not
capable of walking in the ice-crusted woods
to chop down (really, saw) a fragrant tree,
wrestle it on top of the car, then lug it inside,
water it daily on hands and knees. Instead,
an artificial tree, pre-lit with tiny lights,
does its best to brighten these dark nights.
Where I sit in front of the fire, alone,
with my solitary glass of wine. The stocking
you sewed for me the first year we were
together hangs empty. As does yours,
felt cut-outs sewn by your mother when you
were two. There are no presents to wrap
or gifts to hide. The cookies are unbaked.
Roasts untrimmed. Just the silence of the snow,
the flame from a single candle. The longest
night of the year.

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