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Ferreira Gullar – Galo Galo

O galono saguão quieto. Galo galode alarmante crista, guerreiro,medieval. De córneo bico eesporões, armadocontra a morte,passeia. Mede os passos. Pára.Inclina a cabeça coroadadentro do silêncio:— que faço entre coisas ?— de que me defendo ? Anda No saguão.O cimento esqueceo seu último passo. Galo: as penas queflorescem da carne silenciosae o duro bico e as…
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Wendell Berry – A Meta

“A Meta”, um poema de Wendell Berry que explora, com simplicidade e profundidade, a busca por uma quietude interior em meio à pressa e ao ruído da vida cotidiana.
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Carlos Drummond de Andrade – A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamenteuma estrada de Minas, pedregosa,e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatosque era pausado e seco; e aves pairassemno céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindona escuridão maior, vinda dos montese de meu próprio ser desenganado, a máquina do mundo…
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Alex Dimitrov – Solstício de inverno

“Solstício de Inverno”, de Alex Dimitrov, uma meditação sombria e ao mesmo tempo melancólica sobre a experiência da solidão, do amor e da efemeridade da vida.
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José Paulo Paes – Revisitação

Cidade, por que me persegues? Com os dedos sangrandojá não cavei em teu chãoos sete palmos regulamentarespara enterrar meus mortos?Não ficamos quites desde então? Por que insistesem acender toda noiteas luzes de tuas vitrinascom as mercadorias do sonhoa tão bom preço? Não é mais tempo de comprar.Logo será tempo de viajarpara não se sabe onde.Sabe-se…
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Sarah Lindsay – Origem

“Origem”, um poema de Sarah Lindsay sobre as delicadas interações da vida primordial e a tranquilidade de uma existência antes dos conflitos e das complicações, onde a beleza da simplicidade se encontra nas raízes da nossa própria história.
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Ron Koertge – Espaço vazio

“Espaço Vazio”, um poema em prosa de Ron Koertge que explora a íntima conexão entre pai e filho através de um ritual cotidiano, revelando, em sua simplicidade, a profundidade da perda e a saudade que fica nas entrelinhas.
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Ivan Junqueira – Morrer

Pois morrer é apenas isto:cerrar os olhos vaziose esquecer o que foi visto; é não supor-se infinito,mas antes fáustico e ambíguo,jogral entre a história e o mito; é despedir-se em surdina,sem epitáfio melífluoou testamento sovina; é talvez como despiro que em vida não vestiae agora é inútil vestir; é nada deixar aqui:memória, pecúlio, estirpe,sequer um…
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Eavan Boland – A douradora

“A douradora,” um poema de Eavan Boland em que o ofício de transformar metais preciosos torna-se uma metáfora para a criação poética, revelando as delicadas e perigosas alquimias da memória e do desejo.
