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William Butler Yeats – A torre

1O que farei com esta absurdidade,Esta caricatura, coração?Decrepitude atada à minha idadeComo à cauda de um cão?Jamais terei sentidoTão grande, tão apaixonada, tão incrívelA fantasia, nem houve olho e ouvidoQue mais quisessem o impossível –Não, nem quando menino, com inseto e anzol,Ou mais humilde verme, no alto de Ben Bulben,Eu tinha a desfrutar todo um…
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Jeffrey Harrison – Um gole de água

“Um gole de água”, um poema de Jeffrey Harrison sobre a poderosa conexão entre gerações através de um gesto simples e cotidiano.
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Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonadadas habitações da minha infância,meus ouvidos relembram o badalar,ouvindo suas vozes soterradas. Ouço o verão primordial,as margens da aurora iluminadas por aves,o pulsar de sangue da escrevedeira-amareladourando meus olhos de berço. Ouço a lua-de-estanho subire a moeda do crepúsculo cair,o rastejar da geada e o gemidodo degelo e o pio dos piscos…
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Philip Roth – Patrimônio (excerto)

“Quando se visita uma sepultura, todo mundo tem pensamentos mais ou menos iguais, que, abstraída a questão da eloquência, não diferem muito daqueles que Hamlet expressou ao contemplar o crânio de Yorick. Há muito pouco para se pensar ou dizer que não seja uma variante de “Ele me carregou nos ombros mil vezes”. Num cemitério,…
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José Miguel Silva – Tudo coisas mortais para a poesia

A casa, o lume, o sono dobradodo corpo feliz, a cesta de figos,a curva do rio, a fotografiano cimo do monte, a veracidadedas glicínias, o rosto da mãe,a fava no bolo, o trunfo de copas,o filme da tarde, a música nova,o rasto da chuva por entre os pinheiros,as aves que voltam, os dias que passamperto…
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Donald Justice – Ponto de Ônibus

“Ponto de ônibus”, um poema de Donald Justice sobre a efêmera beleza das vidas que se entrelaçam em um cenário noturno de solidão.
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Juan Vicente Piqueras – Lençóis herdados

“Lençóis Herdados”, um poema de Juan Vicente Piqueras que explora as feridas e heranças invisíveis que moldam nossa existência, revelando, entre metáforas sutis, o peso do destino e a busca por liberdade dentro das sombras de uma tradição silenciosa.
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Christopher Wiseman – Maneiras à Beira da Cama

“Maneiras à Beira da Cama”, um poema de Christopher Wiseman sobre as sutilezas do amor e da compaixão diante do inevitável.
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W. S. Merwin – A estrada

Parece grande demais para que apenas um homemCaminhe sobre ela Como se ela e o dia vazioFossem tudo o que existisse. E um cachorrinhoTrotando no compasso das ondas de calor, pertoDo horizonte, parecendo nunca avançar.O sol e todas as coisasEstão empoçados nos mesmos lugares, e a valaÉ sempre a mesma, repleta de todo tipo deOsso,…

