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Alex Dimitrov – Solstício de inverno

“Solstício de Inverno”, de Alex Dimitrov, uma meditação sombria e ao mesmo tempo melancólica sobre a experiência da solidão, do amor e da efemeridade da vida.
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José Paulo Paes – Revisitação

Cidade, por que me persegues? Com os dedos sangrandojá não cavei em teu chãoos sete palmos regulamentarespara enterrar meus mortos?Não ficamos quites desde então? Por que insistesem acender toda noiteas luzes de tuas vitrinascom as mercadorias do sonhoa tão bom preço? Não é mais tempo de comprar.Logo será tempo de viajarpara não se sabe onde.Sabe-se…
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Sarah Lindsay – Origem

“Origem”, um poema de Sarah Lindsay sobre as delicadas interações da vida primordial e a tranquilidade de uma existência antes dos conflitos e das complicações, onde a beleza da simplicidade se encontra nas raízes da nossa própria história.
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Ron Koertge – Espaço vazio

“Espaço Vazio”, um poema em prosa de Ron Koertge que explora a íntima conexão entre pai e filho através de um ritual cotidiano, revelando, em sua simplicidade, a profundidade da perda e a saudade que fica nas entrelinhas.
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Ivan Junqueira – Morrer

Pois morrer é apenas isto:cerrar os olhos vaziose esquecer o que foi visto; é não supor-se infinito,mas antes fáustico e ambíguo,jogral entre a história e o mito; é despedir-se em surdina,sem epitáfio melífluoou testamento sovina; é talvez como despiro que em vida não vestiae agora é inútil vestir; é nada deixar aqui:memória, pecúlio, estirpe,sequer um…
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Eavan Boland – A douradora

“A douradora,” um poema de Eavan Boland em que o ofício de transformar metais preciosos torna-se uma metáfora para a criação poética, revelando as delicadas e perigosas alquimias da memória e do desejo.
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia,alveja e estala à luz do sol a pinomoveu-se outrora, esguio e bailarino,como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destinolhe foi hostil e, astuto, em sua teiabebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceiao que havia de raro e de mais fino. Foram damas…
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Seamus Heaney – Posfácio

“Posfácio”, um poema de Seamus Heaney sobre a busca pela conexão com a natureza e os momentos fugazes que revelam a beleza do desconhecido, enquanto um simples passeio se transforma em uma experiência transformadora.
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Ivan Junqueira – A Sagração dos Ossos

Considerai estes ossos– tíbios, inúteis, apócrifos –que sob a lápide dormemsem prédica que os conforte. Considerai: é o que sobrade quem lhes serviu de invólucroe agora já não se moveentre as tábuas do sarcófago. Dormem sem túnica ou togae, quando muito, um lençollhes cobre as partes mais nobres(as outras quedam-se à mostra, não dos que…

