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Octavio Paz – Pedra de sol

Pedra de sol La treizième revient… c’est encor la première;et c’est toujours la seule – ou c’est le seul moment;car es-tu reine, ô toi, la première ou dernière?es-tu roi, toi le seul ou le dernier amant? GÉRARD DE NERVAL, Arthémis. Um salgueiro de cristal, um choupo de água,um alto repuxo que o vento arqueja,uma árvore…
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Nelson Santander – Renata Maria

Renata Maria, por Nelson Santander: uma análise da letra da canção de Chico Buarque
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Miller Williams – Um poema para Emily

Fatos e dedos pequenos e o mais distante de minha vezna terra, a um palmo e duas gerações de mim afastada,neste ainda presente eu tenho cinquenta e três.Você, nem vinte e quatro horas completadas. Quando eu tiver sessenta e três, e você, dez completos,e você não estiver nem longe nem perto de mimseus braços se…
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Carlos Drummond de Andrade – A um Ausente

Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.Detonaste o pacto.Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade viver e explorar os rumos de obscuridadesem prazo sem consulta sem provocaçãoaté o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora.Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas…
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Dan Gerber – Para Deneb

Tão impossivelmente distante,dizem os eruditos astrônomos,mais remotado que qualquer outra Coisa queeu já tenha visto,calorosa companheira de uma noite de verão,um quarto de milhão de vezesa luz do nosso sol,obliterando os quatrilhõesde milhas da escuridão à sua volta,ainda assim tão familiar,tão em casa com as estrelas do nosso bairro,aqui na cauda do Cisne,tão serena em…
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Ferreira Gullar – Ano Novo

Meia-noite. Fimde um ano, iníciode outro. Olho o céu:nenhum indício. Olho o céu:o abismo vence oolhar. O mesmoespantoso silêncioda Via-Láctea feitoum ectoplasmasobre a minha cabeçanada ali indicaque um ano novo começa. E não começanem no céu nem no chãodo planeta:começa no coração. Começa como a esperançade vida melhorque entre os astrosnão se escutanem se vênem…
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Joan Margarit – Ser velho

Entre as sombras dos galose dos cachorros dos pátios e curraisde Sanaüja, abre-se um buracoque se enche de tempo perdido e chuva sujaenquanto as crianças caminham para a morte.Ser velho é uma espécie de pós-guerra.Sentados à mesa da cozinha,limpando as lentilhasao anoitecer do braseiro,vejo os que me amaram.Tão pobres que no fim daquela guerrativeram que…
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Philip Larkin – Aubade

De dia, trabalho; à noite, eu meio que encho a cara.Olho o negror sem som, me levantando às quatro.Em tempo, a borda da cortina vai estar clara.Até lá, vejo aquilo que está ali, de fato:A morte infatigável, um dia mais perto,Tornando inviável todo pensamento, excetoO de onde, como e quando a minha vai chegar.Uma pergunta…
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Jane Hirshfield – Otimismo

Tenho admirado a resiliência cada vez mais.Não a simples resistência de um travesseiro, cuja espumasempre volta ao mesmo formato, mas a sinuosatenacidade de uma árvore: ao encontrar a luz recém-bloqueada em um dos lados,ela se volta para o outro. Uma inteligência cega, é verdade.Mas de tal persistência surgiram tartarugas, rios,mitocôndrias, figos — todo este resinoso…
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Konstantinos Kaváfis – À Espera dos Bárbaros

O que esperamos na ágora reunidos? É que os bárbaros chegam hoje. Por que tanta apatia no senado?Os senadores não legislam mais? É que os bárbaros chegam hoje.Que leis hão de fazer os senadores?Os bárbaros que chegam as farão. Por que o imperador se ergueu tão cedoe de coroa solene se assentouem seu trono, à…