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Ivan Junqueira – No Leito Fundo

No leito fundo em que descansas,em meio às larvas e aos livores,longe do mundo e dos terroresque te infundia o aço das lanças; longe dos reis e dos senhoresque te esqueceram nas andanças,longe das taças e das danças,e dos feéricos rumores; longe das cálidas criançasque ateavam fogo aos corredorese se expandiam, quais vapores,entre as alfaias…
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Dan Gerber – No final de setembro

Certa estrela, da qual eu gostava,desapareceu. É possível queeu a tenha perdido. Esquecios nomes das nuvens e árvores e rostos, como canções das quaisremanesce apenas uma duradoura melodia.*Pequeno riacho,sob os salgueiros junto à minha cabana alugada —mais minha do que qualquer outra que eu possa possuir —,diga-me novamente o nome secretoque você murmura enquanto estou…
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Ivan Junqueira – de “Três Meditações na Corda Lírica”

Only through time time is conquered.T. S. Eliot, Four Quartets, Burnt Norton, 92 I Deixa tombar teu corpo sobre a terrae escuta a voz escura das raízes,do limo primitivo, da limalhafina do que é findo e ainda respira.…
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J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeralde nossa amiga, causa da morte: um câncer nasentranhas do cérebro no interior da estrutura ósseaque dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludoà mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracospara segurar um pincel. Ele a…
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Ivan Junqueira – Antes que o Sol se Ponha

Antes que o sol se ponha e seja tarde,e o azul crepuscular me deite a garra,e eu, nu, retorne à terra sem fanfarraou mortalha que o corpo me resguarde;antes que murche a pétala na jarra,e eu cale, para sempre, sem alarde,e tudo o que me coube, por covarde,não mais recorde a relva que se agarraàs…
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Matthew Olzmann – Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor

“Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor”, um poema de Matthew Olzmann que enumera, com humor e ternura, os gestos cotidianos e as excentricidades que sustentam um casamento, culminando no gesto simbólico de guardar uma garrafa de Mountain Dew como prova concreta e inesperada de amor.
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Ivan Junqueira – Lição

À beira do claustroo monge se inclinae na pedra aprendeo que a pedra ensina:que a vida é nadacom a morte por cima,que o tempo apenaseste fim lhe adiae que o ser carecede não ser ainda,pois à luz se esquivado que o purifica:a doce pedra,sem musgo ou limo,o pátio só,conquanto o sino,o ermo das coisassimples e…
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Werner Aspenström – Depois de ouvir Mozart o dia todo

As árvores se despem e se vestemrepetidamente,como em um casamento.Os gansos selvagens vão para o sul, e depois para o norte.Você conhece a natureza, conhece as artes.Como Mozart o socorre?O rebanho cinzento de pequenos estudantes se afastoupor sob as tíliase o rebanho cinzento de pequenos estudantes retornou.Música é tempo cultivado.O tempo não fecha as cicatrizes…
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Ferreira Gullar – Traduzir-se

Uma parte de mimé todo mundo;outra parte é ninguém:fundo sem fundo. Uma parte de mimé multidão:outra parte estranhezae solidão. Uma parte de mimpesa, pondera;outra partedelira. Uma parte de mimalmoça e janta;outra partese espanta. Uma parte de mimé permanente;outra partese sabe de repente. Uma parte de mimé só vertigem;outra parte,linguagem. Traduzir-se uma partena outra parte– que…
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Joaquin Zihuatanejo – Exame final para o meu pai

1. Verdadeiro ou falso. Na noite em que abandonou a mim e minha mãe você hesitou antes de segurar a maçaneta. 2. Se um ônibus deixa a cidade a 100 km por hora para lugar nenhum em particular, e um homem naquele ônibus deixou seu único filho para trás na escuridão dessa cidade, quantos quilômetros…