Louise Glück – Matinas (5)

Quer saber como passo o meu tempo?
Eu caminho pelo jardim, fingindo
que estou capinando. Deve saber
que nunca estou capinando, de joelhos, extirpando
tufos de trevos dos canteiros de flores: na verdade,
estou em busca de coragem, de alguma evidência
de que minha vida irá mudar, ainda que
isso leve uma eternidade, verificando
cada touceira em busca da folha
simbólica, e logo o verão se encerra, já
as folhas se transformam, invariavelmente as árvores débeis
partem primeiro, as moribundas se tornam
amarelo-brilhantes, enquanto alguns pássaros pretos executam
seu toque de recolher musical. Quer ver minhas mãos?
Tão vazias agora quanto na primeira nota.
Ou o propósito sempre foi
continuar sem um sinal?

Trad.: Nelson Santander

Matins

You want to know how I spend my time?
I walk the front lawn, pretending
to be weeding. You ought to know
I’m never weeding, on my knees, pulling
clumps of clover from the flower beds: in fact
I’m looking for courage, for some evidence
my life will change, though
it takes forever, checking
each clump for the symbolic
leaf, and soon the summer is ending, already
the leaves turning, always the sick trees
going first, the dying turning
brilliant yellow, while a few dark birds perform
their curfew of music. You want to see my hands?
As empty now as at the first note.
Or was the point always
to continue without a sign?