Shari Wagner – A mulher do fazendeiro muda de canal

O Jesus da minha infância
prefere estar ao ar livre.
Se não está pescando, está colhendo figos
ou nos mostrando sua plantação de mostarda.

Ele gosta das estradas poeirentas, do pardal banal,
e dos lírios do campo.
Quando bate à sua porta
segurando uma lanterna, você sabe que é hora
de caçar as botas
e segui-lo para alimentar as ovelhas.

Mas esse pregador, que encara
a câmera e afirma conhecer
Jesus, diz que o que ele quer
é que eu creia nele
para que ele possa entrar.

Isso me cheira a trapaça.
Como um lobo que cobriu as patas de farinha1.

O Jesus que curava os cegos
disse que conheceremos uma árvore pelo fruto.

Trad.: Nelson Santander

  1. A imagem do lobo com as patas cobertas de farinha alude ao conto popular europeu, difundido pelos Irmãos Grimm (O lobo e os sete cabritinhos), no qual o lobo disfarça as patas para fingir ser a mãe dos cabritos e enganá-los. No poema, a metáfora sugere dissimulação e falsa piedade: alguém que se apresenta como inofensivo ou virtuoso para conquistar confiança e acesso. ↩︎

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The Farm Wife Turns Off the TV Evangelist

The Jesus I grew up with
likes to be outside.
If he’s not fishing, he’s picking figs
or showing us his mustard crop.

He prefers dusty roads, the common sparrow,
and lilies of the field.
When he knocks on your door
holding a lantern, you know it’s time
to buckle on overshoes
and go with him to feed the sheep.

But this preacher, who looks straight
into the camera and claims he knows
Jesus, says what he wants
is for me to believe in him
so he can come inside.

That sounds shifty to me.
Like a wolf with his paws dipped in flour.

Jesus who heals the blind
said we will know a tree by its fruit.

Carlos Drummond de Andrade – Morte no Avião

Acordo para a morte.
Barbeio-me, visto-me, calço-me.
É meu último dia: um dia
cortado de nenhum pressentimento.
Tudo funciona como sempre.
Saio para a rua. Vou morrer.

Não morrerei agora. Um dia
inteiro se desata à minha frente.
Um dia como é longo. Quantos passos
na rua, que atravesso. E quantas coisas
no tempo, acumuladas. Sem reparar,
sigo meu caminho. Muitas faces
comprimem-se no caderno de notas.

Visito o banco. Para que
esse dinheiro azul se algumas horas
mais, vem a polícia retirá-lo
do que foi meu peito e está aberto?
Mas não me vejo cortado e ensanguentado.
Estou limpo, claro, nítido, estival.
Não obstante caminho para a morte.

Passo nos escritórios. Nos espelhos,
nas mãos que apertam, nos olhos míopes, nas bocas
que sorriem ou simplesmente falam eu desfilo.
Não me despeço, de nada sei, não temo:
a morte dissimula
seu bafo e sua tática.

Almoço. Para quê? Almoço um peixe em ouro e creme.
É meu último peixe em meu último
garfo. A boca distingue, escolhe, julga,
absorve. Passa música no doce, um arrepio
de violino ou vento, não sei. Não é a morte.
É o sol. Os bondes cheios. O trabalho.
Estou na cidade grande e sou um homem
na engrenagem. Tenho pressa. Vou morrer.

Peço passagem aos lentos. Não olho os cafés
que retinem xícaras e anedotas,
como não olho o muro do velho hospital em sombra.
Nem os cartazes. Tenho pressa. Compro um jornal. É pressa,
embora vá morrer.

O dia na sua metade já rota não me avisa
que começo também a acabar. Estou cansado.
Queria dormir, mas os preparativos. O telefone.
A fatura. A carta. Faço mil coisas
que criarão outras mil, aqui, além, nos Estados Unidos.
Comprometo-me ao extremo, combino encontros
a que nunca irei, pronuncio palavras vãs,
minto dizendo: até amanhã. Pois não haverá.

Declino com a tarde, minha cabeça dói, defendo-me,
a mão estende um comprimido: a água
afoga a menos que dor, a mosca,
o zumbido… Disso não morrerei: a morte engana,
como um jogador de futebol a morte engana,
como os caixeiros escolhe
meticulosa, entre doenças e desastres.

Ainda não é a morte, é a sombra
sobre edifícios fatigados, pausa
entre duas corridas. Desfalece o comércio de atacado,
vão repousar os engenheiros, os funcionários, os pedreiros.
Mas continuam vigilantes os motoristas, os garçons,
mil outras profissões noturnas. A cidade
muda de mão, num golpe.

Volto à casa. De novo me limpo.
Que os cabelos se apresentem ordenados
e as unhas não lembrem a antiga criança rebelde.
A roupa sem pó. A mala sintética.
Fecho meu quarto. Fecho minha vida.
O elevador me fecha. Estou sereno.

Pela última vez miro a cidade.
Ainda posso desistir, adiar a morte,
não tomar esse carro. Não seguir para.
Posso voltar, dizer: amigos,
esqueci um papel, não há viagem,
ir ao cassino, ler um livro.

Mas tomo o carro. Indico o lugar
onde algo espera. O campo. Refletores.
Passo entre mármores, vidro, aço cromado.
Subo uma escada. Curvo-me. Penetro
no interior da morte.

A morte dispôs poltronas para o conforto
da espera. Aqui se encontram
os que vão morrer e não sabem.
Jornais, café, chicletes, algodão para o ouvido,
pequenos serviços cercam de delicadeza
nossos corpos amarrados.
Vamos morrer, já não é apenas
meu fim particular e limitado,
somos vinte a ser destruídos,
morreremos vinte,
vinte nos espatifaremos, é agora.

Ou quase. Primeiro a morte particular,
restrita, silenciosa, do indivíduo.
Morro secretamente e sem dor,
para viver apenas como pedaço de vinte,
e me incorporo todos os pedaços
dos que igualmente vão perecendo calados.
Somos um em vinte, ramalhete
de sopros robustos prestes a desfazer-se.

E pairamos,
frigidamente pairamos sobre os negócios
e os amores da região.
Ruas de brinquedo se desmancham,
luzes se abafam; apenas
colchão de nuvens, morros se dissolvem,
apenas
um tubo de frio roça meus ouvidos,
um tubo que se obtura: e dentro
da caixa iluminada e tépida vivemos
em conforto e solidão e calma e nada.

Vivo
meu instante final e é como
se vivesse há muitos anos
antes e depois de hoje,
uma contínua vida irrefreável,
onde não houvesse pausas, síncopes, sonos,
tão macia na noite é esta máquina e tão facilmente ela corta
blocos cada vez maiores de ar.

Sou vinte na máquina
que suavemente respira,
entre placas estelares e remotos sopros de terra,
sinto-me natural a milhares de metros de altura,
nem ave nem mito,
guardo consciência de meus poderes,
e sem mistificação eu voo,
sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,
ligado à terra pela memória e pelo costume dos músculos,
carne em breve explodindo.

Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio,
cautelosa, não obstante irreprimível aproximação de um perigo atmosférico,
golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço, raio
choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
caio verticalmente e me transformo em notícia.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 22/03/2016

Jo Balmer – Nada acontecerá

Nada acontecerá

Arredores de Atenas, 404 BCE

Enquanto os espartanos celebravam a vitória suada,
um de seus jovens entoou um canto de Eurípides –
versos para os derrotados, os mortos, os desaparecidos…
(Plutarco, Vida de Lisandro, 15)

Meio bêbado, meio atordoado, quase decidido
a ser zombado, recitei versos do inimigo.

Tínhamos votado para destruir Atenas. Converter
suas ruas fervilhantes em pasto, grama. O clamor da caterva
em crocitar de corvos. O contrário de uma cidade.
Escravizá-los, como haviam escravizado outros.

Mas quando minha canção se dissipou como uma dor mal cicatrizada,
nossa determinação esmoreceu; a vingança perdeu sua forma.

Vi embrutecidos hoplitas espartanos, soldados,
baixarem suas cabeças, como se envergonhados, os rostos riscados
por lágrimas afiadas. Agora todos nós concordávamos:
não poderíamos, em sã consciência, obliterar
uma cidade que nos dera tanta beleza;
poetas para registrar nossa perda acumulada.

Por fim, a carnificina poderia cessar. Nada de guerra,
selvageria, escravidão. A poesia
não faria nada acontecer. Não é pra isso que ela serve?

Trad.: Nelson Santander

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Make Nothing Happen

Outside Athens, 404 BCE
As the Spartans celebrated hard-fought victory
one of their youths sung a song by Euripides –
lines for the defeated, the dead, the disappeared…
(Plutarch, Life of Lysander, 15)

Half-drunk, half-dazed, half-decided to be jeered,
at the feast I recited enemy verse.

We’d voted to destroy Athens. To scorch
its teeming streets to pasture, grass. Crowd cry
to crow call. The opposite of city.
To enslave them as they’d enslaved others.

But as my song faded like a half-healed ache,
our resolve bruised; revenge bent out of shape.

I watched hardened Spartan hoplites, soldiers,
bow their heads as if in shame, faces scraped
by razored tears. Now all of us concurred:
we could not, in conscience, obliterate
a city that had given us such beauty;
poets to score our accumulated loss.

At last the butchery could stop. No war.
No savagery. No slavery. Poetry
would make nothing happen. What it’s for.

Carlos Drummond de Andrade – Uma Hora e mais Outra

Há uma hora triste
que tu não conheces.
Não é a da tarde
quando se diria
baixar meio grama
na dura balança;
não é a da noite
em que já sem luz
a cabeça cobres
com frio lençol
antecipando outro
mais gelado pano;
e também não é a
do nascer do sol
enquanto enfastiado
assistes ao dia
perseverar no câncer,
no pó, no costume,
no mal dividido
trabalho de muitos;
não a da comida
hora mais grotesca
em que dente de ouro
mastiga pedaços
de besta caçada;
nem a da conversa
com indiferentes
ou com burros de óculos,
gelatina humana,
vontades corruptas,
palavras sem fogo,
lixo tão burguês,
lesmas de blackout
fugindo à verdade
como de um incêndio;
não a do cinema
hora vagabunda
onde se compensa,
rosa em tecnicólor,
a falta de amor,
a falta de amor,
A FALTA DE AMOR;
nem essa hora flácida
após o desgaste
do corpo entrançado
em outro, tristeza
de ser exaurido
e peito deserto,
nem a pobre hora
da evacuação:
um pouco de ti
desce pelos canos,
oh! adulterado,
assim decomposto,
tanto te repugna,
recusas olhá-lo:
é o pior de ti?
Torna-se a matéria
nobre ou vil conforme
se retém ou passa?
Pois hora mais triste
ainda se afigura;
ei-la, a hora pequena
que desprevenido
te colhe sozinho
na rua ou no catre
em qualquer república;
já não te revoltas
e nem te lamentas,
tampouco procuras
solução benigna
de cristo ou arsênico,
sem nenhum apoio
no chão ou no espaço,
roídos os livros,
cortadas as pontes,
furados os olhos,
a língua enrolada,
os dedos sem tato,
a mente sem ordem,
sem qualquer motivo
de qualquer ação,
tu vives: apenas,
sem saber por que,
como, para que,
tu vives: cadáver,
malogro, tu vives,
rotina, tu vives
tu vives, mas triste
duma tal tristeza
tão sem água ou carme,
tão ausente, vago,
que pegar quisera
na mão e dizer-te:
Amigo, não sabes
que existe amanhã?
Então um sorriso
nascera no fundo
de tua miséria
e te destinara
a melhor sentido.
Exato, amanhã
será outro dia.
Para ele viajas.
Vamos para ele.
Venceste o desgosto,
calcaste o indivíduo,
já teu passo avança
em terra diversa.
Teu passo: outros passos
ao lado do teu.
O pisar de botas,
outros nem calçados,
mas todos pisando,
pés no barro, pés
n’água, na folhagem,
pés que marcham muitos,
alguns se desviam,
mas tudo é caminho.
Tantos: grossos, brancos,
negros, rubros pés,
tortos ou lanhados,
fracos, retumbantes,
gravam no chão mole
marcas para sempre:
pois a hora mais bela
surge da mais triste.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 14/03/2016

Natalie Shapero – Primeiro de dezembro

Deus qual é? parai de me cortar
de vossas fotos Deus parai de arrastar
o mouse em torno do meu corpo
puído qual contorno de giz clicando depois em
PREENCHER COM FUNDO eu sei Deus

que são tempos difíceis sei que só
destinastes uma morte por pessoa lamento
ter agarrado mais do que minha parte
mas por certo já ouvistes falar de A CADA QUAL
CONFORME SUA NECESSIDADE e suponho que

obtive o que me cabia Deus lamento
por aqueles que com o tempo descobrem
que não lhes restam mortes para morrer
mas Deus sois vós quem fomentais a
demanda e depois estrangulais a oferta

Trad.: Nelson Santander

First of December

God come on stop cutting me
out of your photos God stop dragging
the mouse around my shopworn
body like a chalk outline then clicking FILL
WITH BACKGROUND God I know

that times are tight I know you only
made one death per person I’m sorry
to have snagged more than my
share but surely you’ve heard about TO EACH
ACCORDING TO HIS NEED and I guess

I got what I needed God I’m sorry
to those who find with time
that there aren’t deaths left for them to die
but God you’re the one who stokes
demand then chokes up the supply

Carlos Drummond de Andrade – Coisa Miserável

Coisa miserável,
suspiro de angústia
enchendo o espaço,
vontade de chorar,
coisa miserável,
miserável.

Senhor, piedade de mim,
olhos misericordiosos
pousando nos meus,
braços divinos
cingindo meu peito,
coisa miserável
no pó sem consolo,
consolai-me.

Mas de nada vele
gemer ou chorar,
de nada vale
erguer as mãos e olhos
para um céu tão longe,
para um Deus tão longe
ou, quem sabe? para um céu vazio.

É melhor sorrir
(sorrir gravemente)
e ficar calado
e ficar fechado
entre duas paredes,
sem a mais leve cólera
ou humilhação.

REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 14/03/2016 

Tess Gallagher – Vão

Entrei neste mundo sem querer
vir. Dele vou sair sem
querer partir. Todo esse tempo,
em que parecia haver duas portas,
apenas uma porta havia – esta
passagem.

Trad.: Nelson Santander

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Opening

I entered this world not wanting
to come. I’ll leave it not
wanting to go. All this while,
when it seemed there were two doors,
there was only one – this
passing through.

Tom Hirons – Enquanto isso

Enquanto isso, as flores ainda florescem.
A lua aparece, e o sol também.
Bebês sorriem e, em algum lugar,
Contra todas as probabilidades,
Duas pessoas se apaixonam.

Estranhos dividem cigarros e piadas.
A luz brinca na superfície da água.
A graça acontece em ruas improváveis,
E nos abraçamos com força
Contra a entropia, o fogo e as águas.

A vida se inclina para a vida
E, embora a morte, por fim, reclame tudo,
Houve tantos momentos preciosos no intervalo,
Em que tudo era radiante,
E amávamos outra vez este mundo.

Trad.: Nelson Santander

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In the meantime

Meanwhile, flowers still bloom.
The moon rises, and the sun.
Babies smile and somewhere,
Against all the odds,
Two people are falling in love.

Strangers share cigarettes and jokes.
Light plays on the surface of water.
Grace occurs on unlikely streets
And we hold each other fast
Against entropy, the fires and the flood.

Life leans towards living
And, while death claims all things at the end,
There were such precious times between,
In which everything was radiant
And we loved, again, this world.

C. K. Williams – A Corsa

Perto do crepúsculo, de uma trilha, de um arroio,
paramos, eu, inquieto e angustiado
pelo sofrimento de alguém que eu amava;
a corsa, sempre sobressaltada.

Apenas sua orelha ligeira se movia,
transpassada pelo sol avermelhado,
tingida de uma cor que eu só vira
na foto de uma criança no ventre.

Nada mais se movia, nem uma folha,
nem o ar, mas ela se assustou e disparou
para dentro da mata crepitante.

A fração de minha dor que às vezes
me liberta partiu com ela; o resto,
no rastro da luz tardia, ficou.

Trad.: Nelson Santander

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The Doe

Near dusk, near a path, near a brook,
we stopped, I in disquiet and dismay
for the suffering of someone I loved,
the doe in her always incipient alarm.

All that moved was her pivoting ear
the reddening sun shining through
transformed to a color I’d only seen
on a photo of a child in a womb.

Nothing else stirred, not a leaf,
not the air, but she startled and bolted
away from me into the crackling brush.

The part of my pain which sometimes
releases me from it fled with her, the rest,
in the rake of the late light, stayed.

Eavan Boland – Chegamos sempre tarde demais

A memória
tem duas partes.

Primeiro, a revisitação:

o modo como ainda posso ver
aqueles amantes à mesa do café. Ela chora.

Nova Inglaterra. Hora do café da manhã. Inverno. Atrás dela,
além da janela panorâmica,
um bosque de pinheiros brancos.

Neve nova cai, e a antiga,
perdendo o equilíbrio nos ramos,
se desprende em fragmentos,
acrescendo novas frações. Depois,

a reencenação. Sempre a mesma coisa.
Eu me levanto, afasto
o café. E sempre estou indo até ela.

O rubor e o ardor coram
sua fronte agora, e descem pelo pescoço.

Ergo uma das mãos. Aponto para
aquelas árvores, mostro a ela nossa necessidade dessas
belas superações do
que sofremos pelo
que sobrevive. E ela nunca sequer me vê.

Trad.: Nelson Santander

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We are always too late

Memory
is in two parts.

First, the revisiting:

the way even now I can see
those lovers at the café table. She is weeping.

It is New England, breakfast time, winter. Behind her,
outside the picture window, is
a stand of white pines.

New snow falls and the old,
losing its balance in the branches,
showers down,
adding fractions to it. Then

the reenactment. Always that.
I am getting up, pushing away
coffee. Always, I am going towards her.

The flush and scald is
to her forehead now, and back down to her neck.

I raise one hand. I am pointing to
those trees, I am showing her our needs for these
beautiful upstagings of
what we suffer by
what what survives. And she never even sees me.