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Theodore Roethke – O campo distante

I Sonho com viagens repetidamente:Em voar como um morcego por um túnel estreitoEm dirigir sozinho, sem bagagem, por uma longa penínsulaA estrada ladeada por uma vegetação rala carregada de neve,Uma neve fina e seca atingindo o para-brisas,Neve e granizo alternados, nenhum tráfego em sentido contrário,E nenhuma luz atrás, no embaçado espelho lateral,A estrada mudando de…
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Wendell Berry – Antes do Anoitecer

“Antes do Anoitecer”, de Wendell Berry: uma observação lírica e contemplativa da natureza, que explora a interação entre o observador e a cena natural.
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Franz Wright – Missa das cinco

A igreja é um navio em uma tempestade de neve que se dissipa;feixes de luz adentrando pelos vitrais azuis.Já é quase noite e começa a clarear!O planeta também está à derivaem uma infinita nevasca de estrelas –onde a maioria de nós está doentee faminta na turbulenta escuridão, e os quecelebram lá em cimatambém não sabem…
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Joseph Stroud – Primeira Canção

“Primeira Canção”, um poema de Joseph Stroud que evoca uma memória delicada e etérea de um momento passado, explorando a interseção entre a beleza natural e a transformação emocional à luz de uma noite silenciosa.
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Alberto Ríos – Manhã de dezembro no deserto

A manhã está nublada e os pássaros, encolhidos,Mais pelo frio que pela fome, mais entorpecidos que ruidosos, Nesta costa árida do Arizona, onde o deserto se encontraCom as fronteiras do mundo invernal. É uma gélida revelação em um anúncio gritante,A miríade de estrelas fazendo a escuridão brilhar, Com se o próprio céu tivesse sido coberto…
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Joan Margarit – Água-forte

“Água-forte”, um poema de Joan Margarit que explora a fragilidade das relações humanas e a luta contra as adversidades, onde uma tempestade se torna o cenário de um exame profundo da vida e do amor.
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Abdellatif Laâbi – A Língua Materna

Faz vinte anos que vi minha mãe pela última vezEla se deixou morrer de fomeDizem que todas as manhãsela retirava o lenço da cabeça e batia com ele no chão sete vezesamaldiçoando os céus e o TiranoEu estava na cavernaonde os condenados liam no escuro e pintavam nas paredes o bestiário do futuroFaz vinte anos…
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Wislawa Szymborska – Bagagem de volta

“Bagagem de Volta”, um poema de Wislawa Szymborska que reflete sobre vidas breves e incompletas, evocando a delicada transitoriedade da existência e o mistério do tempo que as envolve.
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Mary Oliver – Robert Schumann

Mal passa um dia sem que eu pense neleno hospício: mais jovem do que sou agora, trilhando a longa estradada loucura em direção à morte. Sua música explode pelo mundo todo, de um modo que ele nunca imaginou. E agora compreendoalgo tão assustador e maravilhoso – como a mente se apega ao caminho conhecido, precipitando-sepelos…
