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Walter Savage Landor – Rose Aylmer

Ah, de que vale a régia raça! E esta forma celeste! Toda virtude, toda graça! Rose Aylmer, tudo o que foste. Rose Aylmer, meus olhos despertos Eles choram, mas não veem, Uma noite de dor te oferto, E de lembranças também. Trad.: Nelson Santander Rose Aylmer Ah, what avails the sceptred race! Ah, what the…
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François Villon – Balada dos Enforcados

Irmãos humanos que ao redor viveis, Não nos olheis com duro coração, Pois se aos pobres de nós absolveis Também a vós Deus vos dará perdão. Aqui nos vedes presos, cinco, seis: Quanto era cara viva que comia Foi devorado e em pouco apodrecia. Ficamos, cinza e pó, os ossos, sós. Que de nossa aflição…
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Delmore Schwartz – Calmamente caminhamos neste dia de abril

Calmamente caminhamos neste dia de abril,Poesia urbana por todo lado,No parque sentam-se indigentes e usurários,As crianças gritando, o carroEm fuga que passa correndo por nós,Entre o trabalhador e o milionárioOs números expressam as distâncias,Estamos em mil novecentos e trinta e sete agora,Muitos camaradas foram levados para longe,O que será de você e de mim(Esta é…
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José Miguel Silva – Morangos Silvestres – Ingmar Bergman (1957)

Um ser humano é um combinado de egoísmo, sofrimento e necessidade. Não comove ninguém. Uma pedra não comove ninguém. A beleza é um acidente banal e pressupõe a morte; muitas vezes se rodeia de sandice, e se nos fala, chega a ser assustador. A inteligência, refrescante como um duche, sabe bem, no Estio; mas agora,…
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Eugénio de Andrade – De “As mãos e os frutos”

XIX Terra: se um dia lhe tocares o corpo adormecido, põe folhas verdes onde pões silêncio, sê leve para quem o foi contigo. Dá-lhe o meu cabelo para sonho, e deixa as minhas mãos para tecer a mágoa infinita das raízes que no seu corpo um dia hão-de beber
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Joan Margarit – El Primer Frío

Acompanhei-te até o museu, no parque,em uma manhã de inverno. Detivemo-nosdiante daquela escultura: El primer frío.Era de mármore cinzento: um velho, nu,olha ao longe, entre as folhas mortasque o vento carrega.A arte não é diferente da vida,lembro que disseste. Mas euvia apenas um mármore frio,um tanto retórico, e pensava em garotas.Entre aquele dia e hoje,…
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Manuel António Pina – Extrema-unção

Uma breve, amável mágoa à flor dos olhos, um distante desapontamento, morrias como se pedisses desculpa por nos fazeres perder tempo. Tinhas pressa mas não o mostravas, receavas que não estivéssemos preparados, e, suspenso sobre nós, esperavas que disséssemos tudo, que fizéssemos o apropriado. Morrer não é motivo de orgulho, mas estavas cansado demais para…
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Ferreira Gullar – Notícia da Morte de Alberto da Silva

(Poema Dramático para Muitas Vozes) I Eis aqui o morto chegado a bom porto Eis aqui o morto como um rei deposto Eis aqui o morto com seu terno curto Eis aqui o morto com seu corpo duro Eis aqui o morto enfim no seguro II De barba feita, cabelo penteado jamais esteve tão bem…
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Robert Penn Warren – Conta-me uma história

A Há muito tempo, no Kentucky, eu, apenas um rapaz, estavaEm uma estrada de terra, ao anoitecer, e ouviA algaravia dos gansos que rumavam para o norte. Não pude vê-los, pois não havia lua,E escassos eram os astros. Eu os ouvi. Não sabia o que se passava em meu coração. Era a estação antes dos…
