Eugénio de Andrade – De “As mãos e os frutos”

Eugénio de Andrade – De “As mãos e os frutos”

XIX

Terra: se um dia lhe tocares
o corpo adormecido,
põe folhas verdes onde pões silêncio,
sê leve para quem o foi contigo.

Dá-lhe o meu cabelo para sonho,
e deixa as minhas mãos para tecer
a mágoa infinita das raízes
que no seu corpo um dia hão-de beber

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