Joan Margarit – El Primer Frío

Acompanhei-te até o museu, no parque,
em uma manhã de inverno. Detivemos-nos
ante aquela escultura: El primer frío.
Era de mármore cinza: um velho que, nu,
olha ao longe por entre folhas mortas
que o vento vai carregando.
A arte não é diferente da vida,
lembro que disseste. Mas eu
via apenas um mármore frio,
bastante retórico, e pensava em garotas.
Entre aquele dia e hoje, como um mar,
minha vida se espalhou.
E se aproximam, singrando este mar gris,
cascos negros de embarcações, minhas recordações.
Volto ao museu nesta manhã de inverno
e estou pensando em ti ao cruzar o parque:
olho ao longe por entre folhas mortas
que o vento vai carregando.

Trad.: Nelson Santander

Joan Margarit – El Primer Frío

Te acompañé al museo, en el parque,
una invernal mañana. Nos paramos
ante aquella escultura: El primer frío.
Era de mármol gris: un viejo que, desnudo,
mira a lo lejos entre la hojarasca
que va arrastrando el viento.
El arte no es distinto de la vida,
recuerdo que dijiste. Pero yo
veía solamente un mármol frío,
más bien retórico, y pensaba en chicas.
Entre aquel día y hoy, igual que un mar,
se ha extendido mi vida.
Y se acercan, surcando este mar gris,
cascos negros de buques, mis recuerdos.
Vuelvo al museo esta invernal mañana
y voy pensando en ti al cruzar el parque:
miro a lo lejos entre la hojarasca
que va arrastrando el viento.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s