Robinson Jeffers – Ondas de novembro

Em um dia afortunado de novembro, grandes ondas despertam e são atraídas
Como montanhas esfumaçadas e brilhantes no oeste,
E vêm cobrir as falésias com uma purificação branca e violenta: então, subitamente,
O velho granito esquece meio ano de imundície:
Cascas de laranja, cascas de ovos, papéis, peças de roupas, grumos
De esterco nas quinas das rochas, e os preservativos
Usados que tornam seguro o amor ligeiro nas noites: todos os dejetos dos vadios
Do verão lavados em um êxtase de inverno:
Acho que este continente superlotado inveja suas falésias nessa época… Mas em todas as estações,
A Terra, em seu sono profético e infantil,
Segue sonhando com o banho de uma tempestade que se prepara ao longo da costa
Do futuro para varrer mais do que suas linhas marítimas:
As cidades submersas, as pessoas escassas e os falcões mais numerosos,
Os rios puros, da foz à nascente; quando o mamífero
Bípede, sendo de certa forma um dos animais mais nobres, recupera
A dignidade do espaço, o valor da raridade.

Trad.: Nelson Santander

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November Surf

Some lucky day each November great waves awake and are drawn
Like smoking mountains bright from the west
And come and cover the cliff with white violent cleanness: then
suddenly
The old granite forgets half a year’s filth:
The orange-peel, eggshells, papers, pieces of clothing, the clots
Of dung in corners of the rock, and used
Sheaths that make light love safe in the evenings: all the droppings of
the summer
Idlers washed off in a winter ecstasy:
I think this cumbered continent envies its cliff then… But all seasons
The earth, in her childlike prophetic sleep,
Keeps dreaming of the bath of a storm that prepares up the long coast
Of the future to scour more than her sea-lines:
The cities gone down, the people fewer and the hawks more numerous,
The rivers mouth to source pure; when the two-footed
Mammal, being someways one of the nobler animals, regains
The dignity of room, the value of rareness.

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