Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,
Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,
Há um espelho que me viu pela última vez,
Há uma porta que fechei até o fim do mundo.
Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Este verão cumprirei cinqüenta anos:
A morte me desgasta, incessante.

Trad.: Antonio Cicero

REPUBLICAÇÃO. Poema publicado no blog originalmente em 17/02/2016.

Límites

Hay una línea de Verlaine que no volveré a recordar,
Hay una calle próxima que está vedada a mis pasos,
Hay un espejo que me ha visto por última vez,
Hay una puerta que he cerrado hasta el fin del mundo.
Entre los libros de mi biblioteca (estoy viéndolos)
Hay alguno que ya nunca abriré.
Este verano cumpliré cincuenta años:
La muerte me desgasta, incesante.

De Inscripciónes (Montevideo, 1923), de Julio Platero Haedo

2 comentários

  1. Avatar de luciana maringoli luciana maringoli disse:

    Este poema, que conheci aqui, me tocou profundamente. Em 2020, quando ia fazer 50 anos, cheguei a fazer uma releitura dele, sob meu ponto de vista . Agora preparo um livro de poemas… posso dizer que esta sua publicação me incentivou muito . Obrigada!

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    1. Poxa, que bacana esse seu comentário. Fico feliz em saber que meu humilde blog estimula esse tipo de sentimento e inspiração em meus leitores. Continue voltando, tá?

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