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James Davis May – Lei da Selva

Até1 e 2 na noite em que meu amigo morreudepois de uma longa doença —não vou usar a palavrabatalha,pois o câncer havia desaparecido,e depois voltou, como algum assassino de filmes de terror —até naquela noite, a gata selvagem, aquelabranca e fofa e às vezes afável,ainda cruzava nossa garagem, silenciosamente,dos pinheiros do vizinho até nossos rododendros,até…
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Joan Margarit – Inverno de 95

“Inverno de 95”, um poema de Joan Margarit sobre a complexa e silenciosa reconciliação entre passado e presente, capturando a melancolia de um encontro inevitável e as nuances da separação.
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Linda Pastan – Flores Silvestres

Você me deu dentes-de-leão.Eles tomaram nosso jardimpor direito de ocupação —sóis redondos surgindoem abril, delicadas luasretirando-se em junho.Você me deu sapatinhos-de-dama,sanguinárias, serralhas,trillium cujo número secretoas crianças que você me deucontam. Na hierarquiadas flores, as silvestresse erguem em seus caulespara serem nomeadas.Chame-as de ervas daninhas.Eu as colho como colhi você,por sua alegria feroze indisciplinada. Trad.: Nelson…
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Manuel António Pina – Eugénio de Andrade no seu leito de morte

“Eugénio de Andrade no seu leito de morte”, um poema de Manuel António Pina
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Thomas Ligotti – Memento

Você pretendia cuidar de tudoe organizar seus assuntos.Mas o inesperado aconteceue não houve tempo. Mais tarde, os entes queridos vieram,se desfizeram de algumas coisase deixaram outras de lado:lembranças ou objetos de valor. Eles choraram por um velho penteque ainda tinha alguns cabelosenrolados entre os dentes.Mas também riram um pouco. Então alguém encontrou o que você…
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Henry Reed – A nomeação das peças

“A nomeação das peças”, um poema de Henry Reed que revela, através de um jogo sutil entre o técnico e o poético, a tensão entre a brutalidade da guerra e a serenidade da natureza.
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William Stafford – Viajando na Escuridão

Viajando na escuridão, encontrei um cervomorto à margem da estrada junto ao Rio Wilson.Geralmente é melhor rolá-los para o cânion:a estrada é estreita; desvios poderiam causar mais mortos. À luz da lanterna traseira, caminhei até o carroe me coloquei ao lado do monte, uma corsa, recém-abatida;ela já estava rígida, quase fria.Eu a arrastei para longe;…
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Linda Gregg – Em louvor à primavera

O dia é tomado por tudo e se completa.Saio, entro, e saio novamente, confundidapor uma beleza que não conhece a espera,correndo como fogo. Todas as coisas se movem mais rápidoque o tempo e, assim, criam uma quietude. Minha mentese inclina para trás e sorri, sem ter nada a dizer.Mesmo à noite, saio com uma luz…
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Les Murray – O Significado da Existência

Todas as coisas, exceto a linguagem,conhecem o significado da existência.Árvores, planetas, rios, temponão têm outra consciência. Expressam-nomomento a momento, como o universo. Mesmo este corpo toloo vivencia em parte e teriadignidade plena nele,não fosse a liberdade ignorantede minha mente falante. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para…
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João Cabral de Melo Neto – Uma faca só lâmina

“Uma faca só lâmina” de João Cabral de Melo Neto: o poema descreve metáforas de objetos como bala, relógio e faca presentes no corpo humano. Aborda o impacto dessas metáforas na vida e na percepção do homem, destacando a influência desses elementos no vocabulário e na experiência humana. As imagens intensas geram uma sensação viva…