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Catulo – Vivamus, mea Lésbia, ataque amemus

Vivamos minha Lésbia, e amemos,e as graves vozes velhas– todas –valham para nós menos que um vintém.Os sóis podem morrer e renascer:quando se apaga nosso fogo brevedormimos uma noite infinita.Dá-me pois mil beijos, e mais cem,e mil, e cem, e mil, e mil e cem.Quando somarmos muitas vezes milmisturaremos tudo até perder a conta:que a…
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Margaret Hasse – Primeiro dia de Jardim de Infância

“Primeiro dia de Jardim de Infância,” um poema de Margaret Hasse em que a despedida inocente entre mãe e filho revela, em instantes delicados, os primeiros vislumbres de independência e desapontamento.
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Olavo Bilac – Nel Mezzo Del Camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigadaE triste, e triste e fatigado eu vinha.Tinhas a alma de sonhos povoada,E a alma de sonhos povoada eu tinha… E paramos de súbito na estradaDa vida: longos anos, presa à minhaA tua mão, a vista deslumbradaTive da luz que teu olhar continha. Hoje, segues de novo… Na partidaNem o pranto teus…
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John Yau – “E Pluribus Unum”

“E Pluribus Unum”, um poema de John Yau sobre o tecido sutil que une o tumulto da existência e a quietude da alma, onde fragmentos de luz e sombra se entrelaçam, tecendo o véu da experiência humana.
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Machado de Assis – A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiroEm que descansas dessa longa vida,Aqui venho e virei, pobre querida,Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiroQue, a despeito de toda humana lida,Fez a nossa existência apetecidaE num recanto pôs um mundo inteiro. Trago-te flores, – restos arrancadosDa terra que nos viu passar unidosE ora mortos nos deixa…
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Ted Kooser – Abutre

“Abutre”, um poema de Ted Kooser que, sob a leveza de um instante efêmero, sussurra segredos sobre a presença de sombras imprevistas, desvelando a fragilidade da vida entre a luz e a escuridão.
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Carlos Pena Filho – A Solidão e sua Porta

Quando mais nada resistir que valhaa pena de viver e a dor de amare quando nada mais interessar,(nem o torpor do sono que se espalha). Quando pelo desuso da navalhaa barba livremente caminhare até Deus em silêncio se afastardeixando-te sozinho na batalha a arquitetar na sombra a despedidado mundo que te foi contraditório,lembra-te que afinal…
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Lucille Clifton – o último dia

“o último dia”, um poema de Lucille Clifton sobre o peso de nossas escolhas coletivas e o olhar inescapável da própria consciência.
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Carlos Drummond de Andrade – Destruição

Os amantes se amam cruelmentee com se amarem tanto não se vêem.Um se beija no outro, refletido.Dois amantes que são? Dois inimigos. Amantes são meninos estragadospelo mimo de amar: e não percebemquanto se pulverizam no enlaçar-se,e como o que era mundo volve a nada. Nada, ninguém. Amor, puro fantasmaque os passeia de leve, assim a…
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Marie Howe – Separação

“Separação”, um poema de Marie Howe em que o encontro fortuito com um passado íntimo num espaço público revela a estranha geometria do que resta após o amor – corpos que antes se conheciam e agora habitam universos paralelos.
