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Mary Oliver – Prece

“Prece”, um poema de Mary Oliver em que o sagrado se revela na simplicidade do olhar.
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Cassiano Ricardo – O Festim Terrestre

O olho de Polifemojá depois de arrancadoao gigante bêbado,foi posto,entre rosas carnosase lírios agudos,sobre a alva mesa. Tinha ainda a pupilaacesa. E os doze convivas,— doze fomes irmãs, —todos ao mesmo tempo,simultâneos comofiguras de uma orquestra,vieram, graves, comero olhode Polifemo,em dourado molho. Eram só matériaexigindo a matéria.Bocas rubras de vinhonum banquete com algode mágicoe de…
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Ada Limón – Guarda compartilhada

“Guarda Compartilhada”, um poema de Ada Limón que explora a complexidade emocional de viver entre dois mundos distintos, revelando, através de uma perspectiva infantil, como a divisão familiar pode ser simultaneamente caótica e cheia de abundância de amor.
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Cassiano Ricardo – Evocação dos Mortos

Um dia conversarei com os meus mortos.E todos os que morri (os muitos eus que eu fui)reunidos inquietos sôfregos cada qual com um meu rosto na mão,me contarão (sua) a minha história.Não obstante a tua gélida memória.Ah, os defuntos que ficaram atrás de mim fotograficamente,agora juntos.Não acredito que aquele menino fui eu…Nem acreditarei que um…
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Ida Vitale – Peixe na água

“Peixe na água”, um poema de Ida Vitale em que a imagem simples de um peixe ganha dimensões infinitas, convidando-nos a explorar um universo de profundidade filosófica, onde o eu e o mundo se espelham em camadas de sentido e mistério.
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Waly Salomão – A Fábrica do Poema

do livro: Algaravias: FÁBRICA DO POEMA in memoriam Donna Lina Bo Bardi sonho o poema de arquitetura idealcuja própria nata de cimento encaixa palavra porpalavra,tornei-me perito em extrair faíscas das britase leite das pedras.acordo.e o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.acordo.o prédio, pedra e cal, esvoaçacomo um leve papel solto à mercê do ventoe evola-se,…
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Ansel Elkins – Autobiografia de Eva

“Autobiografia de Eva”, um poema de Ansel Elkins que, ao transitar entre o fogo e o eco, revela a história de uma mulher que, diante do desconhecido, encontra sua própria voz e se lança para além dos limites do que se espera.
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Ferreira Gullar – Galo Galo

O galono saguão quieto. Galo galode alarmante crista, guerreiro,medieval. De córneo bico eesporões, armadocontra a morte,passeia. Mede os passos. Pára.Inclina a cabeça coroadadentro do silêncio:— que faço entre coisas ?— de que me defendo ? Anda No saguão.O cimento esqueceo seu último passo. Galo: as penas queflorescem da carne silenciosae o duro bico e as…
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Wendell Berry – A Meta

“A Meta”, um poema de Wendell Berry que explora, com simplicidade e profundidade, a busca por uma quietude interior em meio à pressa e ao ruído da vida cotidiana.
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Carlos Drummond de Andrade – A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamenteuma estrada de Minas, pedregosa,e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatosque era pausado e seco; e aves pairassemno céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindona escuridão maior, vinda dos montese de meu próprio ser desenganado, a máquina do mundo…
