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Cassiano Ricardo – Os Futuricidas

Sois o Bloco dos Suicidas.Paradoxo pensar que todo suicí- dio será a morte de Deus em nós. Nós não. Vamos salva-l’Oda hecatombe em que, afinal, tudo tombe.Nós O queremos vivo e salvo mesmo escanhoado dequalquer ornamento, pluma ou liturgia. Calvo.Sem nenhum arco-íris na cabeça ou púrpura.Não esquartejado numa vila ricaou atado ao rabo de um…
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Lucille Clifton – Cântico de Louvor

“Cântico de Louvor”, um poema de Lucille Clifton sobre a força silenciosa das conexões humanas, o acolhimento incondicional e os momentos extraordinários escondidos na simplicidade do cotidiano.
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Cassiano Ricardo – 2ª Aula na Jaula

1 Ícaro morreu,não por voar junto ao Sol mas de obsoleto pelos robôs levadoem seu caixão preto os mitos de hojeconversam comigo na rua.Convidam-me a assis- tir a Antonioni no cinemaem plena iconosfera. Tudo o que foi ontem é outra era. 2No Jardim Zoológicouma Lua presa numa enorme jaula de vidro. Com todas as crateras…
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Timothy Liu – Melhor não deixar vestígios

“Melhor não deixar vestígios”, um poema de Timothy Liu que explora o confronto entre memória, perda e os rituais que moldam nossa relação com a morte, revelando camadas de intimidade e tensões familiares em meio ao efêmero.
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Susan Sontag – De “Sobre Fotografia”

“Todas as fotos são memento mori. Tirar uma foto é participar da mortalidade, da vulnerabilidade e da mutabilidade de outra pessoa (ou coisa). Precisamente por cortar uma fatia deste momento e congelá-lo, toda foto testemunha a dissolução implacável do tempo (…). A fotografia é simultaneamente uma pseudo-presença e um sinal de ausência.” Susan Sontag, em…
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William Stafford – Sim

“Sim”, um poema de William Stafford sobre a imprevisibilidade da vida e os pequenos presentes que ela oferece, mesmo sem garantias.
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Carlos Drummond de Andrade – Morte das Casas de Ouro Preto

Sobre o tempo, sobre a taipa,a chuva escorre. As paredesque viram morrer os homens,que viram fugir o ouro,que viram finar-se o reino,que viram, reviram, viram,já não vêem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro,menos rudes que orgulhosasna sua pobreza branca,azul e rosa e zarcão,ai, pareciam eternas!Não eram. E cai a chuvasobre rótula e portão. Vai-se a…
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Sean Thomas Dougherty – O Segundo O do Sofrimento

“O Segundo O do Sofrimento”, um poema de Sean Thomas Dougherty sobre memória, perda e a persistência de seguir em frente, enquanto ecos do passado ressoam na paisagem e na alma.
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T. S. Eliot – Quatro Quartetos (Excertos): East Coker

Em meu princípio está meu fim. Uma após outrasAs casas se levantam e tombam, desmoronam, são ampliadas,Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugarSurgem um campo aberto, uma usina ou um atalho.Velhas pedras para novas construções, velhas lenhas para novas chamas,Velhas chamas em cinzas convertidas, e cinzas sobre a terra semeada,Terra agora feita carne, pele e…
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Rosemerry Wahtola Trommer – Névoa

“Névoa”, um poema de Rosemerry Wahtola Trommer que explora a insignificância humana diante da vastidão da natureza, conduzindo a uma revelação silenciosa de amor e aceitação.
