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Carlos Nejar – José Mora

Eu retornei. A morte imensa, tão imensa que não tocava mais os seus limites, os feudos. E eu, aos poucos, fui vencendo, fui desembaraçando seus cordames, o mortal peso, a superfície desamparada e vasta como se num escafandro viesse lentamente ao som das águas e fosse uma cítara tangida entre duas espigas de penumbra e…
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Goethe – Canção Noturna do Andarilho

No alto das colinas há paz; não se ouve, ali nas frondes, mais que um sopro manso. Nem há no bosque um trino. Aguarda: tampouco tarda o teu descanso. Trad.: Nelson Ascher
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Carlos Drummond de Andrade – Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo…
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Carlos Drummond de Andrade – O Medo

Em verdade temos medo. Nascemos escuro. As existências são poucas: Carteiro, ditador, soldado. Nosso destino, incompleto. E fomos educados para o medo. Cheiramos flores de medo. Vestimos panos de medo. De medo, vermelhos rios vadeamos. Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos. Há as árvores, as fábricas, Doenças galopantes, fomes. Refugiamo-nos no amor, este…
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Edgar Allan Poe – Só

Desde criança nunca fui como outros foram Nem meus olhos nunca viram o que outros viram, Já que minhas paixões não têm a mesma origem Não vêm da mesma fonte as dores que me afligem. Também o prazer era de outra natureza – Tudo que amei ninguém amou, tenho certeza. Lá – no despontar de…
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Rainer Maria Rilke – Morgue

Estão prontos, ali, como a esperar que um gesto só, ainda que tardio, possa reconciliar com tanto frio os corpos e um ao outro harmonizar; como se algo faltasse para o fim. Que nome no seu bolso já vazio há por achar? Alguém procura, enfim, enxugar dos seus lábios o fastio: em vão; eles só…
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Ruy Proença – Tiranias

antigamente diziam: cuidado, as paredes têm ouvidos então falávamos baixo nos policiávamos hoje as coisas mudaram: os ouvidos têm paredes de nada adianta gritar Conheça outros livros de Ruy Proença clicando aqui
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Nelson Santander – Saindo do Armário da Sacristia

Saindo do armário da sacristia, por Nelson Santander: ateísmo, humanismo secular e outras questões
