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Robert Penn Warren – Conta-me uma história

No Kentucky, há tempos, um menino ouve os gansos rumando para o norte. Em meio à insanidade do século, ele pede uma história sobre as grandes distâncias e a luz das estrelas… “Conta-me uma história”, de Robert Penn Warren
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Roger McGough – Camas erradas

A vida é uma ala de hospital, e as camas em que nos colocamsão aquelas em que não queremos estar.Melhoraríamos mais rápido se estivéssemos junto à janela.Ou pertos do aquecedor, seria mais suportável lá. À noite, a alma impaciente sonha com lugares distantes.O Egeu: todo mármore e luz. Onde, numa praiatão plana quanto um mapa,…
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Ángel González – O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado

Queria ser alga, água, tudo ao teu redor, para unir meu sentimento ao rumor do mar. “O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado”, um poema de Ángel González
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John Burnside – História

HistóriaSt Andrews: West Sands; Setembro de 2001Hoje enquanto empinávamos pipas– a areia se desfazendo em fitas ao longo da praiae o cheiro de gasolina de Leuchars1 flutuando sobreos campos de golfe; a maré alta distantecinza-codorna; pessoascorrendo, ou parando para observarenquanto os aviões de guerra decolavam e circulavamna luz matinal –hoje – com as notícias em…
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Mario Quintana – Poema da gare de Astapovo

Leão Tolstoi, aos oitenta anos, foge de casa e morre solitário em uma estação de trem. Seu último pensamento: a glória é apenas um chocalho colorido nas mãos trêmulas de um idoso. Leia “Poema da gare de Astapovo”, de Mario Quintana
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Pierre de Ronsard – Ossos, nada mais tenho

Ossos, nada mais tenho, esqueleto pareço,Sem músculos, polpa e nervo, descarnado,Da morte chega a mim o impiedoso chamado,E se ouso olhar meus braços, de medo estremeço. Apolo e o filho seu, mestres de grande apreçoNão podem me curar, por eles fui burlado;Adeus, amável Sol, tenho o olhar turvado.Meu corpo já descamba onde não há regresso.…
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Joan Margarit – Astapovo

De madrugada, Tolstói foge em um trem russo, temendo o inverno e a morte. A morte muda os trilhos sem aviso. – “Astapovo”, de Joan Margarit
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Colette Bryce – Versão Inicial

Nosso embarcação tardou a alcançar Betsaida; os ventos nos oprimiam,rápidos e gelados, e nossas mãos estavam cheias de bolhas dos remos.Tínhamos esgotado nosso estoque de canções e gracejos, com quilômetrosainda por percorrer, quando Jesus falou: disse que estava agachado na praia, sozinho, emuma prece silenciosa, quando, ao olhar para baixo, se surpreendeu –viu sua própria…
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Manuel António Pina – Quinquagésimo ano

“Quinquagésimo ano”, de Manuel António PIna: são muitos dias que passam, e o tempo avança sem pressa. A vida e a literatura se entrelaçam, tornando-se uma só. Restam memórias e livros, mas a busca por sentido continua.
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Sue Boyle – Um Centro de Lazer é também um Templo do Saber

A garota de cor dourada no vestiário femininoestá empenhada em tornar seu corpo mais belo:ela flexionou e tonificou cada músculo com um mergulho matinale removeu os resíduos químicos de piscinausando um esfoliante aromático e suave. Ágil como um leopardo, ela tem estrutura óssea perfeita:sua fenda secreta é tão bem aparada quanto o bigode de um…