-
Antonio Cícero – O Fim da Vida

Conheci da humana lida a sorte: o único fim da vida é a morte e não há, depois da morte, mais nada. Eis o que torna esta vida sagrada: ela é tudo e o resto, nada.
-
Konstantinos Kaváfis – Ítaca (em três traduções)

ÍTACA(Trad. José Paulo Paes) Se partires um dia rumo a Ítaca,faz votos de que o caminho seja longo,repleto de aventuras, repleto de saber.Nem Lestrigões nem os Ciclopesnem o colérico Posídon te intimidem;eles no teu caminho jamais encontrarásse altivo for teu pensamento, se sutilemoção teu corpo e teu espírito tocar.Nem Lestrigões nem os Ciclopesnem o bravio…
-
Cassiano Ricardo – Os Futuricidas

Sois o Bloco dos Suicidas.Paradoxo pensar que todo suicí- dio será a morte de Deus em nós. Nós não. Vamos salva-l’Oda hecatombe em que, afinal, tudo tombe.Nós O queremos vivo e salvo mesmo escanhoado dequalquer ornamento, pluma ou liturgia. Calvo.Sem nenhum arco-íris na cabeça ou púrpura.Não esquartejado numa vila ricaou atado ao rabo de um…
-
Cassiano Ricardo – 2ª Aula na Jaula

1 Ícaro morreu,não por voar junto ao Sol mas de obsoleto pelos robôs levadoem seu caixão preto os mitos de hojeconversam comigo na rua.Convidam-me a assis- tir a Antonioni no cinemaem plena iconosfera. Tudo o que foi ontem é outra era. 2No Jardim Zoológicouma Lua presa numa enorme jaula de vidro. Com todas as crateras…
-
Algernon Charles Swinburne – O Jardim de Proserpina

Cá, em que a terra é calma;Cá, em que o drama é comoAr morto e exaustas almas,Dúbios sonhos assomo;Eu vejo o campo a medrarPara a ceifa e o plantar,A colheita e o roçar,Mundo fluido de sono. Farto de dor e riso,E de quem chora e ri;Do que vem sem avisoAos que colhem aqui:Dos dias e…
-
Alan Moore – Monólogo de Rorschach

“Olhei para o céu, através da fumaça espessa com gordura humana, e Deus não estava lá. A fria, sufocante escuridão persiste para sempre e estamos sozinhos. Vivemos nossas vidas, por falta de algo melhor para fazer. Inventamos um motivo depois. Nascemos do esquecimento; temos filhos, destinados ao inferno como nós, caímos no esquecimento. Não há…
