Miguel Martins – Sou eu

são as minhas mãos que tremem até não poder segurar os talheres
sou eu sentado na cama, transido de medo de acordar para viver
sou eu a vomitar de medo como desde os tempos da escola primária
sou eu a driblar o futuro, acabando por sair pela linha lateral
sou eu agora em espasmos, assemelhando-me a um campo de minas
sou eu agarrando-me aos poucos que me disseram alguma coisa
eu tentando não cair, não sabendo como vim parar a esta copa
sou eu com a morte nos olhos que trago dentro dos meus olhos
eu, fidelíssimo traidor, não entendendo porque me achei só
eu a fugir de encontrar-me e sempre na exaustão de me encontrar
eu em cada vivo, em cada morto, em cada esquina da cidade
sou eu não conseguindo adormecer e, adormecendo, não dormindo
sou eu sem saber fugir a uma luxúria que jamais me faz feliz
eu a habitar um corpo doloroso, como semáforo amarelo
eu vendo outra coisa em cada coisa e em tudo palavras de papel
eu carregando o peso do passado sobre um futuro inexorável
eu mais mortal que os mortais e defrontando a imortalidade
sou eu com a cara e a alma à venda nos escaparates insensíveis
eu pedindo esmola a quem despreza o que lhe posso dar
sou eu rindo-me de mim para evitar chorar por tudo o mais
sou eu irremediavelmente sozinho para toda a eternidade
sou eu sem música de fundo, vendo-me num espelho desbotado
sou eu a fumar como se me defumasse para me poder comer
sou eu silenciando um grito por minuto e escrevendo no mel
eu vestindo toda esta nudez, só para só amar a verdade do amor

e se isto é difícil de entender, dizendo-te outra coisa não seria eu.

Ángel González – Aniversário

Eu percebo: como estou me tornando
mais incerto, confuso,
dissolvendo-me no ar
cotidiano, bruto
pedaço de mim, desgastado
e em frangalhos.

Eu compreendo: vivi
mais um ano, e isso é muito duro.
Pulsar o coração todos os dias
quase cem vezes por minuto!

Viver um ano requer
morrer muito muitas vezes.

Trad.: Nelson Santander

Cumpleaños

Yo lo noto: cómo me voy volviendo
menos cierto, confuso,
disolviéndome en aire
cotidiano, burdo
jirón de mí, deshilachado
y roto por los puños.

Yo comprendo: he vivido
un año más, y eso es muy duro.
¡Mover el corazón todos los días
casi cien veces por minuto!

Para vivir un año es necesario
morirse muchas veces mucho.

William Butler Yeats – Um aviador irlandês prevê a morte

Encontrarei meu fim no meio
das nuvens de algum céu sobejo;
os que combato, eu não odeio,
também não amo os que protejo;
Kiltartan Cross é meu país,
seus pobres são a minha gente,
nada a fará mais infeliz
do que já era, ou mais contente.
Não é por lei ou por dever,
turba ou políticos, que luto,
mas pelo afã de me entreter,
a sós, nas nuvens em tumulto.
Tudo na mente foi pesado:
nada que espere ou que recorde
vale-me a pena comparado
com esta vida ou esta morte.

Trad.: Nelson Ascher

An Irish airman foresees his death

I know that I shall meet my fate
Somewhere among the clouds above;
Those that I fight I do not hate
Those that I guard I do not love;
My country is Kiltartan Cross,
My countrymen Kiltartan’s poor,
No likely end could bring them loss
Or leave them happier than before.
Nor law, nor duty bade me fight,
Nor public man, nor cheering crowds,
A lonely impulse of delight
Drove to this tumult in the clouds;
I balanced all, brought all to mind,
The years to come seemed waste of breath,
A waste of breath the years behind
In balance with this life, this death.

Jaime Gil de Biedma – Pandêmia e Celeste

      Quan magnus numerus Libyssae arenae
      ……………………………..
      Aut quam sidera multa, cum tacet nox,
      Furtiuos hominum uident amores.
          CATULO, VII

Imagina agora que tu e eu
muito tarde da noite
falamos de homem para homem, enfim.
Imagina-o,
em uma dessas noites memoráveis
de rara comunhão, com a garrafa
meio vazia, os cinzeiros sujos,
depois de esgotado o problema da existência.
Que te vou expor um coração,
um coração infiel,
Nu da cintura pra baixo,
Hipócrita leitor – mon semblablemon frère!

Porque não é a impaciência do caçador de orgasmos
que me arremessa de um corpo para outros corpos
se possível jovens:
eu persigo também o doce amor,
o terno amor que comigo adormeça
e que alegre minha cama quando desperta,
próximo como um pássaro.
Já que não posso mais despir-me,
se nunca mais fui capaz de me abrigar em uns braços
sem sentir – ainda que só por um momento –
o mesmo deslumbramento que aos vinte anos!

Para saber sobre o amor, para aprende-lo,
ter estado só é necessário.
E é necessário em quatrocentas noites
– com quatrocentos corpos diferentes –
ter feito amor. Que seus mistérios,
como disse o poeta, são da alma,
mas um corpo é o livro no qual eles são lidos.

E por isso fico feliz por haver-me esfregado
na areia grossa, os dois meio vestidos,
enquanto procurava esse tendão do ombro.
Comove-me a recordação de tantas ocasiões…
Aquela estrada da montanha
e os bem empregados abraços furtivos
e o instante indefeso, em pé, após a freada,
colados ao muro, ofuscados pelas luzes.
Ou aquele entardecer perto do rio
nus e rindo, de hera coroados.
Ou aquele portal em Roma, na via do Babuíno.
E lembranças de rostos e cidades
pouco conhecidas, de corpos entrevistos,
de escadas sem luz, de camarotes,
de bares, de passagens desertas, de prostíbulos,
e de infinitas saunas,
de fossos de um castelo.
Lembro-me de vós, sobretudo,
ou de noites em motéis,
definitivas noites em sórdidas pensões,
em quartos recém inaugurados,
noites em que devolveis aos vossos hóspedes
um deslembrado sabor para eles mesmos!
A história de corpo e alma, como uma
Imagem partida,
de la languer goutée à cê mal d’être deux.
Sem desprezar
– alegres como feriado na semana –
as experiências da promiscuidade.

Embora eu saiba que de nada me valeriam
esforços de amores dispersos
se não houvesse o verdadeiro amor.
Meu amor,
íntegra imagem de minha vida,
sol das mesmas noites das quais o roubei,
sua juventude, a minha,
– música do meu passado –
sorri ainda na imprecisa graça
de cada corpo jovem,
em cada encontro anônimo,
iluminando-o. Dando-lhe uma alma.
E não há belas coxas
que não me façam pensar em suas belas coxas
quando nos conhecemos, antes de ir para a cama.

Nem paixão de uma noite em claro
que se possa comparar
com a paixão que dá o conhecimento,
os anos de experiência
do nosso amor.
Porque também no amor
é importante o tempo,
e adorável, de alguma forma,
verificar com mão melancólica
sua perceptível passagem pelo corpo
– ao passo que basta um movimento familiar
nos lábios,
ou a ligeira palpitação de um membro,
para fazer-me sentir a maravilha
daquela graciosidade antiga,
fugaz como um reflexo.

Em sua pele manchada,
quando passar mais tempo e estejamos no fim,
quero afinar os lábios invocando
a imagem do seu corpo
e de todos os corpos que um dia amei,
mesmo que só por um instante, desfeitos pelo tempo.
Para pedir a força de poder viver
sem beleza, sem força e sem desejo,
enquanto seguimos juntos
até morrer em paz. Os dois,
como costumam dizer que morrem aqueles que amam muito.

Trad.: Nelson Santander

Pandémica y Celeste

      Quan magnus numerus Libyssae arenae
      ……………………………..
      Aut quam sidera multa, cum tacet nox,
      Furtiuos hominum uident amores.
          CATULO, VII

Imagínate ahora que tú y yo
muy tarde ya en la noche
hablemos de hombre a hombre, finalmente.
Imagínatelo,
en una de esas noches memorables
de rara comunión, con la botella
medio vacía, los ceniceros sucios,
y después de agotado el tema de la vida.
Que te voy a enseñar un corazón,
un corazón infiel,
Desnudo de cintura para abajo,
Hipócrita lector – mon semblable – mon frère!

Porque no es la impaciencia del buscador de orgasmo
quien me tira del cuerpo hacia otros cuerpos
a ser posible jóvenes:
Yo persigo también el dulce amor,
el tierno amor para dormir al lado
y que alegre mi cama al despertarse,
cercano como un pájaro.
¡Si yo no puedo desnudarme nunca,
si jamás he podido entrar en unos brazos
sin sentir -aunque sea nada más que un momento-
igual deslumbramiento que a los veinte años!.

Para saber de amor, para aprenderle,
haber estado solo es necesario.
Y es necesario en cuatrocientas noches
– con cuatrocientos cuerpos diferentes –
haber hecho el amor. Que sus misterios,
como dijo el poeta, son del alma,
pero un cuerpo es el libro en que se leen.

Y por eso me alegro de haberme revolcado
sobre la arena gruesa, los dos medio vestidos,
Mientras buscaba ese tendón del hombro.
Me conmueve el recuerdo de tantas ocasiones…
Aquella carretera de montaña
y los bien empleados abrazos furtivos
y el instante indefenso, de pie, tras el frenazo,
pegados a la tapia, cegados por las luces.
O aquel atardecer cerca del río
desnudos y riéndonos, de hiedra coronados.
O aquel portal en Roma en vía del Babuino.
y recuerdos de caras y ciudades
apenas conocidas, de cuerpos entrevistos,
de escaleras sin luz, de camarotes,
de bares, de pasajes desiertos, de prostíbulos,
y de infinitas casas de baños,
de fosos de un castillo.
Recuerdos de vosotras, sobre todo,
o noches en hoteles de una noche,
definitivas noches en pensiones sórdidas,
en cuartos recién fríos,
noches que devolvéis a vuestros huéspedes
un olvidado sabor a sí mismos!
La historia en cuerpo y alma, como una
imagen rota,
de la langueur goutée a ce mal d’être deux.
Sin despreciar
– alegres como fiesta entre semana –
las experiencias de promiscuidad.

Aunque sepa que nada me valdrían
trabajos de amor disperso
si no existiese el verdadero amor.
Mi amor,
Íntegra imagen de mi vida,
sol de las noches mismas que le robo,
su juventud, la mía,
– música de mi fondo –
sonríe aún en la imprecisa gracia
de cada cuerpo joven,
en cada encuentro anónimo,
iluminándolo. Dándole un alma.
Y no hay muslos hermosos
que no me hagan pensar en sus hermosos muslos
cuando nos conocimos, antes de ir a la cama.

Ni pasión de una noche de dormida
que pueda compararla
con la pasión que da el conocimiento,
los años de experiencia
de nuestro amor.
Porque en amor también
es importante el tiempo,
y dulce, de algún modo,
verificar con mano melancólica
su perceptible paso por un cuerpo
– mientras que basta un gesto familiar
en los labios,
o la ligera palpitación de un miembro,
para hacerme sentir la maravilla
de aquella gracia antigua, fugaz como un reflejo.

Sobre su piel borrosa,
Cuando pasen más años y al final estemos,
quiero aplastar los labios invocando
la imagen de su cuerpo
y de todos los cuerpos que una vez amé
aunque fuese un instante, deshechos por el tiempo.

Para pedir la fuerza de poder vivir
sin belleza, sin fuerza y sin deseo,
mientras seguimos juntos
hasta morir en paz. Los dos,
como dicen que mueren los que han amado mucho.

Eugénio de Andrade – Mulheres de preto

Há muito que são velhas, vestidas
de preto até a alma.
Contra o muro
defendem-se do sol de pedra;
ao lume
furtam-se ao frio do mundo.
Ainda têm nome? Ninguém
pergunta, ninguém responde.
A língua, pedra também.

Giuseppe Ungaretti – Céu claro

  Bosque de Courton, julho de 1918

Depois de tanta
névoa
uma
a uma
se desvelam
as estrelas

Respiro
o frescor
que me deixa
a cor do céu

Me reconheço
imagem
passageira

Presa de um ciclo
imortal

Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti

Giuseppe Ungaretti – Sereno

  Bosco di Courton luglio 1918

Dopo tanta
nebbia
a una
a una
si svelano
le stelle

Respiro
il fresco
che mi lascia
il colore del cielo

Mi riconosco
immagine
passeggera

Presa in un giro
Immortale.

Raymond Carver – A cabine telefônica

Ela desaba na cabine, chorando
no telefone. Perguntando uma coisa
ou outra, e chorando um pouco mais.
Seu companheiro, um camarada mais velho,
usando jeans e camiseta, aguarda em pé
a sua vez de falar, e chorar.
Ela passa o telefone para ele.
Por um minuto eles ficam juntos
na minúscula cabine, as lágrimas dele
rolando junto com as dela. Então
ela vai se encostar no para-choque
do sedan. E fica escutando
enquanto ele toma providências.

Assisto a tudo isso do meu carro.
Eu também não tenho telefone em casa.
Fico sentado atrás do volante,
fumando, esperando para tomar
as minhas próprias providências. Logo depois
ele desliga. Sai da cabine e enxuga o rosto.
Eles entram no carro e se sentam
com as janelas erguidas.
O vidro vai embaçando, enquanto
ela se ampara nele, e ele coloca
o braço em volta de seu ombro.
Os mecanismos do consolo naquele espaço apertado e público.

Eu levo meus trocados até
a cabine, e entro.
Mas deixo a porta aberta, é tão
pequeno ali dentro. O telefone ainda está quente ao toque.
Detesto usar um telefone
que acabou de dar notícias de morte.
Mas preciso, já que é o único telefone
em quilômetros, e um que pode
ouvir sem tomar partido.

Insiro as moedas e aguardo.
As pessoas no carro também aguardam.
Ele dá a partida no motor, depois desliga.
Para onde? Nenhum de nós é capaz
de imaginar. Sem saber onde
o próximo golpe poderá cair,
ou por quê. O telefone para de chamar
quando ela atende do outro lado.
Antes que eu consiga dizer duas palavras, o telefone
começa a gritar: “Eu já disse que acabou!
Está tudo terminado! Por mim
você pode muito bem ir pro inferno!”

Ponho o fone no gancho e passo a mão
pelo rosto. Fecho e abro a porta da cabine.
O casal no sedan abaixa os vidros
das janelas e observa, suas lágrimas pausadas
por um momento em face daquela distração.
Depois sobem os vidros de novo
e se recolhem no carro. Por algum tempo
não vamos a parte alguma.
Depois vamos embora.

Trad.: Cide Piquet

The phone booth

She slumps in the booth, weeping
Into the phone. Asking a question
or two, and weeping some more.
Her companion, an old fellow in jeans
and denim shirt, stands waiting
his turn to talk, and weep.
She hands him the phone.
For a minute they are together
in the tiny booth, his tears
dropping alongside hers. Then
she goes to lean against the fender
of their sedan. And listens
to him talk about arrangements.

I watch all this from my car.
I don’t have a phone at home, either.
I sit behind the wheel,
smoking, waiting to make
my own arrangements. Pretty soon
he hangs up. Comes out and wipes his face.
They get in the car and sit
with the windows rolled up.
The glass grows steamy as she
leans into him, as he puts
his arm around her shoulders.
The workings of comfort in that cramped, public place.

I take my small change over
to the booth, and step inside.
But leaving the door open, it’s
so close in there. The phone still warm to the touch
I hate to use a phone
that’s just brought news of death.
But I have to, it being the only phone
for miles, and one that might
listen without taking sides.

I put in coins and wait.
Those people in the car wait too.
He starts the engine then kills it.
Where to? None of us able
to figure it. Not knowing
where the next blow might fall,
or why. The ringing at the other end
stops when she picks it up.
Before I can say two words, the phone
begins to shout, “I told you it’s over!
Finished! You can go
to hell as far as I’m concerned!”

I drop the phone and pass my hand
across my face. I close and open the door.
The couple in the sedan roll
their windows down and
watch, their tears stilled
for a moment in the face of this distraction.
Then they roll their windows up
and sit behind the glass. We
don’t go anywhere for a while.
And then we go.

Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia em sépia
és jovem e sorri. Faz-me lembrar
as mulheres dos filmes de guerra
da minha infância:
barcos na neblina, trens noturnos
e grandes cidades sob o alarme aéreo.
Na lápide está escrito que ela se foi
no inverno de 44,
aos vinte anos, quando me apaixonava
pela sufocante escuridão
cruzada por um raio de luz, a heroína
dos sonhos de amor de minha meninice.
A dura pedra
tem uma cavidade com água de chuva
onde os pássaros vão beber quando,
de casaco e cabelos grisalhos
desgrenhados pelo vento,
o narrador se afasta.
Tem o mesmo sonho nos olhos, em uma cidade,
em um cinema onde agora está só.

Trad.: Nelson Santander

El año em que murió

En la fotografía color sepia
es joven y sonríe. Me recuerda
a las muchachas de las películas de guerra
de mi infancia:
barcos entre la niebla, trenes nocturnos
y grandes ciudades bajo la alarma aérea.
En la losa está escrito que murió
en el invierno del cuarenta y cuatro,
a los veinte años, cuando me enamoraba
desde la bochornosa oscuridad
cruzada por un foco, la heroína
de los sueños de amor de mi niñez.
La dura piedra
tiene un hueco con agua de lluvia
donde beberán los pájaros cuando,
abrigo largo y pelo gris
desordenado por el viento,
se aleje el narrador.
Tiene el mismo sueño en los ojos, en una ciudad,
en un cine donde ahora está solo.

Manuel António Pina – Corpo presente

Toda a casa suspendera
a respiração
incapaz de conter
tamanha desproporção,

e eu próprio desaparecera
algures na sala, entre a tua vida e a tua morte.
Atenderam o telefone
falando baixo,

temendo que regressasse
cada coisa do teu lugar
sem estar prontos ainda
para a tua solidão.

Faltava muito
para podermos perceber,
muitos passos para chegarmos
aonde sempre estivéramos:

mais perto do tédio do que da esperança,
da parte do que do todo,
vagueando ainda na tua ausência,
longe do céu e da ideia da morte.

Paulo Henriques Britto – Plaudite, amici

Seria muito bom saber sair de cena
sem fazer cenas, sem roubar a cena, sem
atropelar sequer um figurante. Pena
que nessas horas se improvisa, e que ninguém

respeita nada quando foge do roteiro.
Mesmo os maiores canastrões têm seu momento
de glória, de prima-donismo o mais rasteiro
e o mais justificável. Pois na vida há tempo

mesmo pras coisas mais ridículas, vexames
impensáveis, mas perfeitamente visíveis,
derramamentos nem um pouco cabralinos

mas necessários. (Quem não gostar, que reclame
a seu deus predileto – ex machina, inclusive –
um fim de comédia um pouco menos indigno.)