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Aldir Blanc – Valsa pra Leila

Tu te esfumarásme neblinareisobre os telhadosgaláxias azuis.Sonambularáste volteareigatos lambendo as estrelasWendy e Peter Pansem o amanhãnunca, pra nós dois, é sempre cedo.Marietarás,eu Buarquireiem dois cavaloscom asas de luz.Tu te nublarás,me eclipsareinuvens em nossa cabeça.Toma, Peter Pan,só um lexotanpra que tanto amor não te enlouqueça.Vagalumarás por sobre o campo,eu virei do mar, teu pirilampo.Como um circo…
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Charles Bukowiski – oh, sim

há coisas piores do que estar sozinho mas muitas vezes leva décadas para perceber isso e na maioria das vezes quando você percebe é tarde demais e não há nada pior do que tarde demais Trad.: Nelson Santander oh, yes there are worse things than being alone but it often takes decades to realize this…
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Emily Dickinson – Após grande dor sobrevém um sentimento austero

Após grande dor sobrevém um sentimento austero –Os Nervos ficam cerimoniosos como um cemitério –Indaga o rijo Coração se foi Ele que sofreu,Se Ontem, ou Séculos antes aconteceu? Os pés, mecânicos, circundam sem cessar –Nos Sopés, no Ar, em qualquer Lugar –Um caminho de madeiraQue indiferentemente medraUm contentamento de Quartzo, uma pedra – A Hora…
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William Carlos Williams – Nevasca

Neve:anos de fúria seguindohoras que flutuam indolentes —a nevascadeposita seu fardocada vez mais fundo por três diasou sessenta anos, não? Entãoo sol! um tumulto deflocos amarelos e azuis —Árvores de aparência hirsuta destacam-seem longas alamedassobre uma selvagem solidão.O homem se vira e lá —seu solitário rastro estendendo-sesobre o mundo. Trad.: Nelson Santander Mais do que…
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Nuno Júdice – Epidemia

Passa de um para o outro através do olhar, de uma palavra, de um toque de mãos; por vezes, basta um leve suspiro para adivinhar a febre, e atrás dele descobre-se que não é preciso cura nem tratamento. Instala-se na cabeça, no corpo, na boca, nos dedos, sem dor nem cansaço, apenas aquela ânsia a…
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Susana Cattaneo – Quando já não estiver…

Quem porá o pésobre a marca que o meu deixou?Quem olhará estas árvoresonde meus olhos deixaram sinais?Alguém ouvirá cantar um pássaroque será outro.Alguém respirará os mesmos pinheirosde um verde mais cansado.A vida será uma folha em brancoe não poderei timbrá-la com minha palavra. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre…
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William Butler Yeats – A torre

1 O que farei com esta absurdidade, Esta caricatura, coração? Decrepitude atada à minha idade Como à cauda de um cão? Jamais terei sentido Tão grande, tão apaixonada, tão incrível A fantasia, nem houve olho e ouvido Que mais quisessem o impossível – Não, nem quando menino, com inseto e anzol, Ou mais humilde verme,…
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Joan Margarit – Despedidas

Ela o acompanhava até o primeiro trem que partia às segundas antes do amanhecer, e naquele bar costumavam despedir-se, o mais próximo da Estación de Francia. Evoco os invernos detidos atrás das vidraças da infância. E talvez esta seja sua mesa, onde agora lembro-me de que, naquela mesma hora, eu estava na penumbra do meu…
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Paul Verlaine – Arte poética

Arte Poética A Charles Morice Antes de tudo, a Música. Preza Portanto o Ímpar. Só cabe usar O que é mais vago e solúvel no ar, Sem nada em si que pousa ou que pesa. Pesar palavras será preciso, Mas com algum desdém pela pinça: Nada melhor do que a canção cinza Onde o Indeciso…
