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Wendy Cope – Nomes

“Nomes”, um poema de Wendy Cope em que o tempo dissolve e refaz a identidade, enquanto os nomes dados e recebidos traçam a silenciosa cartografia de uma vida.
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Robert Frost – A estrada não trilhada

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.Assim, por longo tempo eu ali me detive,e um deles observei até um longe decliveno qual, dobrando, desaparecia… Porém tomei o outro, igualmente viável,e tendo mesmo um atrativo especial,pois mais ramos possuía e talvez mais capim,embora, quanto a isso, o…
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Robert Wrigley – Ser um lago

“Ser um lago”, um poema de Robert Wrigley em que a contemplação de algo aparentemente simples revela um anseio profundo e inesperado, entre transparência, solidão e o desejo de permanência.
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Carlos Drummond de Andrade – Declaração em Juízo

Peço desculpas de sero sobrevivente.Não por longo tempo, é claro.Tranqüilizem-se.Mas devo confessar, reconhecerque sou sobrevivente.Se é triste/cômicoficar sentado na platéiaquando o espetáculo acaboue fecha-se o teatro,mais triste/grotesco é permanecer no palco,ator único, sem papel,quando o público já virou as costase somente baratascirculam no farelo. Reparem: não tenho culpa.Não fiz nada para sersobrevivente.Não roguei aos altos…
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Shari Wagner – A mulher do fazendeiro muda de canal

“A Mulher do Fazendeiro Muda de Canal”, um poema de Shari Wagner que contrapõe a simplicidade de uma fé vivida na natureza à artificialidade de um discurso televisivo, revelando, com ironia sutil, a diferença entre autenticidade e engano.
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Carlos Drummond de Andrade – Morte no Avião

Acordo para a morte.Barbeio-me, visto-me, calço-me.É meu último dia: um diacortado de nenhum pressentimento.Tudo funciona como sempre.Saio para a rua. Vou morrer. Não morrerei agora. Um diainteiro se desata à minha frente.Um dia como é longo. Quantos passosna rua, que atravesso. E quantas coisasno tempo, acumuladas. Sem reparar,sigo meu caminho. Muitas facescomprimem-se no caderno de…
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Jo Balmer – Nada acontecerá

“Nada acontecerá”, um poema de Jo Balmer em que a poesia confronta a brutalidade da guerra, desarmando a vingança com a beleza e deixando no ar a questão de seu verdadeiro poder.
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Carlos Drummond de Andrade – Uma Hora e mais Outra

Há uma hora tristeque tu não conheces.Não é a da tardequando se diriabaixar meio gramana dura balança;não é a da noiteem que já sem luza cabeça cobrescom frio lençolantecipando outromais gelado pano;e também não é ado nascer do solenquanto enfastiadoassistes ao diaperseverar no câncer,no pó, no costume,no mal divididotrabalho de muitos;não a da comidahora mais…
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Natalie Shapero – Primeiro de dezembro

“Primeiro de Dezembro”, um poema de Natalie Shapero em que a súplica ao divino se confunde com a denúncia do absurdo, onde a liturgia encontra o software e a morte é repartida como mercadoria rara.
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Carlos Drummond de Andrade – Coisa Miserável

Coisa miserável,suspiro de angústiaenchendo o espaço,vontade de chorar,coisa miserável,miserável. Senhor, piedade de mim,olhos misericordiosospousando nos meus,braços divinoscingindo meu peito,coisa miserávelno pó sem consolo,consolai-me. Mas de nada velegemer ou chorar,de nada valeerguer as mãos e olhospara um céu tão longe,para um Deus tão longeou, quem sabe? para um céu vazio. É melhor sorrir(sorrir gravemente)e ficar caladoe…
