Ian Hamilton – A Tempestade

Longe, uma tempestade irrompe. Ela avança em ondas até o nosso quarto.
Olhas para a luz, de modo que ela ilumina um lado
Do teu rosto, tua boca contraída, teu assustado.
Voltas-te para mim e quando chamo, tu vens
E ajoelhas-te ao meu lado, desejando que eu tome
Tua cabeça entre minhas mãos, como se fosse
Uma delicada tigela que a tempestade pudesse quebrar.
Queres que eu me coloque entre ti e o brutal trovão.
Pousando em tuas carnes, minhas grandes mãos se agitam,
Pulsam em ti e então, perguntando-se como, apertam.
A tempestade me atravessa enquanto tua boca se abre.

Trad.: Nelson Santander

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The Storm

Miles off, a storm breaks. It ripples to our room.
You look up into the light so it catches one side
Of your face, your tight mouth, your startled eye.
You turn to me and when I call you come
Over and kneel beside me, wanting me to take
Your head between my hands as if it were
A delicate bowl that the storm might break.
You want me to get between you and the brute thunder.
Settling on your flesh my great hands stir,
Pulse on you and then, wondering how to do it, grip.
The storm rolls through me as your mouth opens.

Francisco Brines – Aquele verão de minha juventude

E o que restou daquele distante verão
nas costas da Grécia?
O que resta em mim do único verão de minha vida?
Se pudesse escolher, de todos em que vivi,
algum lugar, e o tempo que o ata,
sua milagrosa companhia me arrasta até lá,
onde ser feliz era a razão natural de existir.

Perdura a experiência, como um quarto fechado da infância;
não resta mais a lembrança de dias sucessivos
nesta sucessão medíocre dos anos.
Hoje sinto essa carência,
e busco na ilusão algum resgate
que me permita ainda olhar para o mundo
com o amor necessário;
E assim saber-me digno do sonho da vida.

De tudo o que foi ventura, daquele lugar de alegria,
saqueio avaramente
sempre uma única imagem:
seus cabelos agitados pelo vento,
e o olhar fixo no mar.
Tão só esse momento indiferente.
Selada nele, a vida.

Trad.: Nelson Santander

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Aquel verano de mi juventud

Y qué es lo que quedó de aquel viejo verano
en las costas de Grecia?
¿Qué resta en mí del único verano de mi vida?
Si pudiera elegir de todo lo vivido
algún lugar, y el tiempo que lo ata,
su milagrosa compañía me arrastra allí,
en donde ser feliz era la natural razón de estar con vida.

Perdura la experiencia, como un cuarto cerrado de la infancia;
no queda ya el recuerdo de días sucesivos
en esta sucesión mediocre de los años.
Hoy vivo esta carencia,
y apuro del engaño algún rescate
que me permita aún mirar el mundo
con amor necesario;
y así saberme digno del sueño de la vida.

De cuanto fue ventura, de aquel sitio de dicha,
saqueo avaramente
siempre una misma imagen:
sus cabellos movidos por el aire,
y la mirada fija dentro del mar.
Tan sólo ese momento indiferente.
Sellada en él, la vida.

Paulo Henriques Britto – de “Duas autotraduções”

(CADERNO, XIV)
II

Isto, também, será lembrado um dia,
porém não tal qual é sentido agora.
Não que as lembranças sejam distorcidas
de propósito; é só porque a memória,
entre o vivido e o lembrado, interpõe
como que um filtro, com pequenas falhas
ou até mesmo substituições –
nem tanto por mentiras deslavadas,
mas por versões plausíveis do ocorrido.
São mudanças sutis, que se desculpam,
como perdas num texto traduzido,
e não trapaças. Pois a vida é tua,
e se nem sempre é possível amá-la,
tens o direito (ao menos) de editá-la.

Paulo Henriques Britto – de “Caderno”

XIV

This, too, will one day be remembered
not quite like what it feels like now.
It’s not that memories are tampered
with purposely, but that, somehow,
between life lived and life relalled
things go awry, details get lost
and are replaced – not by a bald-
faced fabrication, but at worst
a plausible version of what
could have happened, in circumstances
at just a slight remove from fact.
We’re talking subtlety, nuances,
not downright lies. Don’t you forget it:
Your life is yours (at least) to edit.

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Joan Margarit – Amor e tempo

Lembras quando ainda desconhecias
que a vida não teria piedade de ti?
Amor e tempo: o tempo nos habita
como a areia do rio que, lentamente,
vai moldando a forma da margem.
O amor, que refletiu em teu olhar
o esplendor da ilha do tesouro.
Sensual, solitária, cercada
pela sonora senectude do mar
e os gritos militares das gaivotas.
O sonho clandestino dos cinquenta anos.

Trad.: Nelson Santander

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Amor y tiempo

Recuerda cuando aún desconocías
que la vida no tendría piedad contigo.
Amor y tiempo: el tiempo nos habita
como arena del río que, despacio,
va cambiando la forma de la costa.
El amor, que ha copiado en tu mirada
la claridad de la isla del tesoro.
Sensual, solitaria, rodeada
por la sonora senectud del mar
y gritos militares de gaviotas.
El sueño clandestino de los cincuenta años.

Manuel António Pina – As vozes

A infância vem
pé ante pé
sobe as escadas
e bate à porta

– Quem é?
– É a mãe morta
– São coisas passadas
– Não é ninguém

Tantas vozes fora de nós!
E se somos nós quem está lá fora
e bate à porta? E se nos fomos embora?
E se ficamos sós?

William Soares dos Santos – A força do desejo

A força
do desejo
se desfaz
tão logo
se saciam
as tensões
ferozes
do corpo
e dos

hemisférios

e no destino
dos braços
do tempo
os amantes
se perdem em

mistérios

Manuel Vilas – O último Elvis

Respeita sempre a decadência das mulheres
e dos homens que amaram ou pelo menos tentaram amar
a vida e esta os chamuscou ou lhes quebrou os ossos da face,
as entranhas e as veias e o fígado e o nobre coração.
Respeita todos os sagrados e humildes naufrágios
dos seres humanos.

Respeita aqueles que se suicidaram.

Respeita aqueles que se lançaram aos oceanos.

Por favor, não fales mal deles, suplico-te de joelhos.

Ama toda essa gente, essa multidão, esse rio amarelo
da História de todos quantos foram derrotados tão injustamente,
ou tão justamente,
não importa.

Gente que acelerou em uma curva.

Gente que escondia garrafas pelos cantos de suas casas.

Gente que chorava nos parques dos subúrbios das cidades.

Gente que se envenenava com pílulas, com álcool,
com insônias aterrorizantes, com vinte horas de cama todos os
dias.

Eles tentaram, mas não conseguiram.

Gente a quem sobravam três quartos de suas pequenas
geladeiras.

Gente que não tinha com quem conversar por semanas.

Gente que não comia para não comer sozinha.

Eles são igualmente adoráveis, juro-te.

Um dia haverão de brilhar.

Nomeemos tudo o que
nos tornou seres humanos.

Para que não haja medo, nem inveja, nem maldade.

Amo, celebro e exalto todos os naufrágios
de todos os seres humanos que pisaram neste mundo.

Porque o fracasso jamais existiu,
porque o fracasso não é justo e ninguém merece fracassar,
absolutamente ninguém.

Trad.: Nelson Santander

El último Elvis

Respeta siempre la destrucción de las mujeres
y de los hombres que amaron o intentaron, al menos, amar
la vida y esta les quemó o les rompió los huesos de la cara,
las entrañas y las venas y el hígado y el buen corazón,
respeta todos los sagrados y los más humildes hundimientos
de los seres humanos.

Respeta a quienes se suicidaron.

Respeta a quienes se arrojaron a los océanos.

No hables mal de ellos, te lo ruego, te lo pido de rodillas.

Ama a toda esa gente, esa muchedumbre, ese río amarillo
de la Historia de todos cuantos perdieron tan injustamente,
o tan justamente,
da igual.

Gente que aceleró en una curva.

Gente que escondía botellas en los rincones de su casa.

Gente que lloraba en los parques de las afueras de las ciudades.

Gente que se envenenaba con pastillas, con alcohol,
con insomnios aterradores, con veinte horas de cama todos los días.

Lo intentaron, pero no lo consiguieron.

Gente a quien le sobraba tres cuartas partes de su pequeño frigorífico.

Gente que no tenía con quién hablar semanas enteras.

Gente que no comía por no comer sola.

Son hermosos igualmente, te lo juro.

Resplandecerán un día.

Nombremos todo aquello
que nos convirtió en seres humanos.

Para que no haya miedo, ni envidia, ni maldad.

Amo, celebro, y exalto todos los hundimientos
de todos los seres humanos que pisaron este mundo.

Porque el fracaso no existió jamás,
porque no es justo el fracaso y nadie merece fracasar,
absolutamente nadie.

Walter Savage Landor – Epitáfio

Não lutei com ninguém; nada valia a lida.
Amei a natureza, e, tanto quanto, a arte;
As mãos, estas aqueci no fogo da vida
Que naufraga; estou pronto para o desate.

Trad.: Nelson Santander

Walter Savage Landor – Dying Speech of an Old Philosopher

I strove with none, for none was worth my strife:
Nature I loved, and, next to Nature, Art:
I warm’d both hands before the fire of Life;
It sinks; and I am ready to depart.

Giuseppe Ungaretti – In Memoriam

  Locvizza, 30 de setembro de 1916

Chamava-se
Moammed Sceab

Descendente
de emires de nômades
suicida
porque não tinha mais
Pátria

Amou a França
e mudou de nome

Foi Marcel
mas não era francês
e já não sabia
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Alcorão
saboreando um café

E não sabia
desatar
o canto
do seu abandono

Acompanhei-o
junto com a dona da pensão
onde vivíamos
em Paris
do número 5 da rue des Carmes
esquálido beco em declive

Descansa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre
em dia
de
decomposta feira

E talvez apenas eu
ainda saiba
que viveu

Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti

In Memoria

  Locvizza il 30 settembre 1916.

Si chiamava
Moammed Sceab

Discendente
di emiri di nomadi
suicida
perché non aveva più
Patria
Amò la Francia
e mutò nome

Fu Marcel
ma non era Francese
e non sapeva più
vivere
nella tenda dei suoi
dove si ascolta la cantilena
del Corano
gustando un caffè

E non sapeva
sciogliere
il canto
del suo abbandono

L’ho accompagnato
insieme alla padrona dell’albergo
dove abitavamo
a Parigi
dal numero 5 della rue des Carmes
appassito vicolo in discesa.

Riposa
nel camposanto d’Ivry
sobborgo che pare
sempre
in una giornata
di una
decomposta fiera

E forse io solo
so ancora
che visse

Raymond Carver – Vocês não sabem o que é o amor (uma noite com Charles Bukowski)

Vocês não sabem o que é o amor disse Bukowski
Eu tenho 51 anos e olhem pra mim
estou apaixonado por essa garota
estou louco por ela mas ela também está
então tudo bem cara é assim que deve ser
Eu entro no sangue delas e elas não conseguem se livrar
Elas tentam de tudo pra se afastar de mim
mas no fim todas acabam voltando
Todas voltaram pra mim a não ser
aquela que eu enterrei
Por essa eu chorei
mas eu chorava fácil naquele tempo
Não me deixem partir pras bebidas pesadas
porque eu fico mau
Posso sentar aqui e beber cerveja
com vocês hippies a noite toda
Posso beber dez litros dessa cerveja
e nada isso é como água
Mas se me deixarem beber de verdade
vou começar a jogar gente pelas janelas
Vou jogar qualquer um pela janela
já fiz isso antes
Mas vocês não sabem o que é o amor
Vocês não sabem porque nunca
estiveram apaixonados é simples assim
Estou com essa garota sabe ela é bonita
Ela me chama de Bukowski
Bukowski ela diz com aquela vozinha
e eu digo O quê
Mas vocês não sabem o que é o amor
Estou dizendo o que é
mas vocês não estão ouvindo
Nenhum de vocês aqui nesse bar
reconheceria o amor se ele chegasse
e picasse vocês bem no rabo
Eu pensava que leituras de poesia eram uma vergonha
Olhe eu tenho 51 e rodei um bocado
eu sei que elas são uma vergonha
mas eu disse a mim mesmo Bukowski
passar fome é uma vergonha maior ainda
Então aí estão vocês e nada é do jeito que deveria ser
Aquele sujeiro como é mesmo o nome Galway Kinnell
eu via foto dele numa revista
Ele tem uma bela fuça
mas é um professor
Deus vocês podem imaginar
Mas vocês também são professores
e agora eu já estou insultando vocês
Não nunca ouvi falar dele
nem desse outro
São todos cupins
Talvez seja ego eu já não leio muito agora
mas essa gente que constrói
reputações com cinco ou seis livros
cupins
Bukowski ela diz
Por que você escuta música clássica o dia inteiro
Tentem ouvi-la dizendo isso
Bukowski porque você escuta música clássica o dia inteiro
Isso te surpreende não é mesmo
Você não pensaria que um bastardo tosco como eu
poderia ouvir música clássica o dia inteiro
Brahms Rachmaninoff Bartok Telemann
Merda eu nunca poderia escrever aqui
Muito silêncio árvores demais
Eu gosto da cidade lá é o meu lugar
Coloco minha música clássica toda manhã
e sento diante da minha máquina
acendo um charuto e fumo desse jeito veja
e digo Bukowski você é um cara de sorte
Bukowski você já passou por tudo
e é um cara de sorte
e a fumaça azul percorre a mesa
e pela janela eu vejo a avenida Delongpre
e observo as pessoas indo e vindo pela calçada
e trago o charuto assim
e então deixo o charuto no cinzeiro desse jeito
e respiro fundo
e começo a escrever
Bukowski isso é a vida eu digo
é bom ser pobre é bom ter hemorroidas
é bom estar apaixonado
Mas vocês não sabem como é
Vocês não sabem como é estar apaixonado
Se vocês a vissem saberiam o que estou dizendo
Ela pensou que eu vinha aqui pra transar
Ela simplesmente sabia
Merda eu tenho 51 e ela 25
e estamos apaixonados e ela é ciumenta
Deus como é bonito
ela disse que arrancaria meus olhos à unha se eu viesse aqui pra transar
Pois bem isso sim é amor
O que qualquer um de vocês pode saber
Me deixem contar uma coisa
Conheci homens na cadeia que tinham mais estilo
do que as pessoas que vadiam nas universidades
e vão a leituras de poesia
São chupadores de sangue que vêm só pra ver
se as meias do poeta estão sujas
ou se o sovaco dele cheira mal
Acreditem não vou desapontá-los
Mas quero que vocês se lembrem disso
só existe um poeta nesse bar essa noite
só um poeta nessa cidade essa noite
talvez só um poeta de verdade nesse país essa noite
e sou eu
O que qualquer um de vocês sabe sobre a vida
O que qualquer um de vocês sabe sobre sobre qualquer coisa
Quem de vocês já foi demitido de um emprego
ou bateu na sua garota
ou mesmo apanhou da sua garota
Eu fui demitido da Sears & Roebuck cinco vezes
Eles me demitiam e contratavam de novo
Eu trabalhava no estoque deles quando tinha 35
e fui em cana por roubar biscoitos
Eu sei como é eu estive lá
Agora tenho 51 anos e estou apaixonado
Essa garota ela diz
Bukowski
e eu digo O quê e ela diz
Eu acho que você é cheio de merda
e eu digo baby você me entende
Ela é a única mulher no mundo
homem ou mulher
de quem eu ouviria isso
Mas vocês não sabem o que é o amor
Todas elas acabaram voltando pra mim
cada uma delas voltou
a não ser aquela de quem falei
aquela que eu enterrei
Ficamos juntos sete anos
Bebíamos muito
Eu vejo um ou dois datilógrafos nesse bar
Não vejo nenhum poeta
E não me surpreende
Você tem que ter amado pra escrever poesia
e vocês não sabem o que é amar
esse é o problema de vocês
Me dê um pouco desse troço
Isso mesmo sem gelo
Está bom assim está ótimo
Então vamos botar esse show na estrada
Eu sei o que eu disse mas vou tomar um só
Isso é bom
Okay então vamos lá vamos acabar logo com isso
mas depois é melhor ninguém ficar perto
de uma janela aberta

Trad.: Cide Piquet

Raymond Carver – You don’t know what love is (an evening with Charles Bukowski)

You don’t know what love is Bukowski said
I’m 51 years old look at me
I’m in love with this young broad
I got it bad but she’s hung up too
so it’s all right man that’s the way it should be
I get in their blood and they can’t get me out
They try everything to get away from me
but they all come back in the end
They all came back to me except
the one I planted
I cried over that one
but I cried easy in those days
Don’t let me get onto the hard stuff man
I get mean then
I could sit here and drink beer
with you hippies all night
I could drink ten quarts of this beer
and nothing it’s like water
But let me get onto the hard stuff
and I’ll start throwing people out windows
I’ll throw anybody out the window
I’ve done it
But you don’t know what love is
You don’t know because you’ve never
been in love it’s that simple
I got this young broad see she’s beautiful
She calls me Bukowski
Bukowski she says in this little voice
and I say What
But you don’t know what love is
I’m telling you what it is
but you aren’t listening
There isn’t one of you in this room
would recognize love if it stepped up
and buggered you in the ass
I used to think poetry readings were a copout
Look I’m 51 years old and I’ve been around
I know they’re a copout
but I said to myself Bukowski
starving is even more of a copout
So there you are and nothing is like it should be
That fellow what’s his name Galway Kinnell
I saw his picture in a magazine
He has a handsome mug on him
but he’s a teacher
Christ can you imagine
But then you’re teachers too
here I am insulting you already
No I haven’t heard of him
or him either
They’re all termites
Maybe it’s ego I don’t read much anymore
but these people who build
reputations on five or six books
termites
Bukowski she says
Why do you listen to classical music all day
Can’t you hear her saying that
Bukowski why do you listen to classical music all day
That surprises you doesn’t it
You wouldn’t think a crude bastard like me
could listen to classical music all day
Brahms Rachmaninoff Bartok Telemann
Shit I couldn’t write up here
Too quiet up here too many trees
I like the city that’s the place for me
I put on my classical music each morning
and sit down in front of my typewriter
I light a cigar and I smoke it like this see
and I say Bukowski you’re a lucky man
Bukowski you’ve gone through it all
and you’re a lucky man
and the blue smoke drifts across the table
and I look out the window onto Delongpre Avenue
and I see people walking up and down the sidewalk
and I puff on the cigar like this
and then I lay the cigar in the ashtray like this and take a deep breath
and I begin to write
Bukowski this is the life I say
it’s good to be poor it’s good to have hemorrhoids
it’s good to be in love
But you don’t know what it’s like
You don’t know what it’s like to be in love
If you could see her you’d know what I mean
She thought I’d come up here and get laid
She just knew it
She told me she knew it
Shit I’m 51 years old and she’s 25
and we’re in love and she’s jealous
Jesus it’s beautiful
she said she’d claw my eyes out if I came up here
and got laid
Now that’s love for you
What do any of you know about it
Let me tell you something
I’ve met men in jail who had more style
than the people who hang around colleges
and go to poetry readings
They’re bloodsuckers who come to see
if the poet’s socks are dirty
or if he smells under the arms
Believe me I won’t disappoint em
But I want you to remember this
there’s only one poet in this room tonight
only one poet in this town tonight
maybe only one real poet in this country tonight
and that’s me
What do any of you know about life
What do any of you know about anything
Which of you here has been fired from a job
or else has beaten up your broad
or else has been beaten up by your broad
I was fired from Sears and Roebuck five times
They’d fire me then hire me back again
I was a stockboy for them when I was 35
and then got canned for stealing cookies
I know what’s it like I’ve been there
I’m 51 years old now and I’m in love
This little broad she says
Bukowski
and I say What and she says
I think you’re full of shit
and I say baby you understand me
She’s the only broad in the world
man or woman
I’d take that from
But you don’t know what love is
They all came back to me in the end too
every one of em came back
except that one I told you about
the one I planted We were together seven years
We used to drink a lot
I see a couple of typers in this room but
I don’t see any poets
I’m not surprised
You have to have been in love to write poetry
and you don’t know what it is to be in love
that’s your trouble
Give me some of that stuff
That’s right no ice good
That’s good that’s just fine
So let’s get this show on the road
I know what I said but I’ll have just one
That tastes good
Okay then let’s go let’s get this over with
only afterwards don’t anyone stand close
to an open window