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John Donne – Em despedida: proibindo o pranto

Como esses santos homens que se apagam Sussurrando aos espíritos: “Que vão…”, Enquanto alguns dos amigos amargos Dizem: “Ainda respira.” E outros: “Não.” — Nos dissolvamos sem fazer ruído. Sem tempestades de ais, sem rios de pranto, Fora profanação nossa ao ouvido Dos leigos descerrar todo este encanto. O terremoto traz terror e morte E…
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Cassiano Ricardo – Missa de Corpo Presente

O seu corpo tão alvo, o seu corpo presente é a coisa mais ausente, é uma ilusão pensar que a rosa ou o fruto já colhidos ainda soluçam desprendidos da haste. O seu corpo é já um fruto neutro e frio. Não obstante jovem, tem a mesma idade de todos os que morreram antes, ou…
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Ricardo Reis – Odes: 153 – Como este infante que alourado dorme

Como este infante que alourado dorme Fui. Hoje sei que há morte, Lídia, há largas taças por encher Nosso amor que nos tarda. Qualquer que seja o amor ou a taça, cedo Cessa. Receia, e apressa.
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Ricardo Reis – Odes: 144 – Uns, com os olhos postos no passado,

Uns, com os olhos postos no passado, Vêem o que não vêem; outros, fitos Os mesmos olhos no futuro, vêem O que não pode ver-se. Porque tão longe ir pôr o que está perto — A segurança nossa? Este é o dia, Esta é a hora, este o momento, isto É quem somos, e é…
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Ricardo Reis – Odes: 105 – Quando, Lídia, vier o nosso Outono

Quando, Lídia, vier o nosso outono Com o inverno que há nele, reservemos Um pensamento, não para a futura Primavera, que é de outrem, Nem para o estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa – O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes.
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Ricardo Reis – Odes: 80 – A nada imploram tuas mãos já coisas,

A nada imploram tuas mãos já coisas, Nem convencem teus lábios já parados, No abafo subterrâneo Da húmida imposta terra. Só talvez o sorriso com que amavas Te embalsama remota, e nas memórias Te ergue qual eras, hoje Cortiço apodrecido. E o nome inútil que teu corpo morto Usou, vivo, na terra, como uma alma,…
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Ricardo Reis – Odes: 63 – Tão cedo passa tudo quanto passa!

Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada.
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Ricardo Reis – Odes: 61 – De uma só vez recolhe

De uma só vez recolhe Quantas flores puderes. Não dura mais que até à morte o dia. Colhe de que recordes. A vida é pouco e cerca-a A sombra e o sem remédio. Não temos regras que compreendamos, Súbditos sem governo. Goza este dia como Se a Vida fosse nele. Homens nem deuses fadam, nem…
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Ricardo Reis – Odes: 40 – Não sem lei, mas segundo leis diversas

Não sem lei, mas segundo leis diversas Entre os homens reparte o fado e os deuses Sem justiça ou injustiça Prazeres, dores, gozos e perigos. Bem ou mal, não terás o que mereces. Querem os deuses a isto obrigar Porque o Fado não tem Leis nossas com que reja a sua lei. Quem é rei…
