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Violeta de Outono – Outono

No percurso rumo ao prédio oculto Desolado o sol se põe a oeste Lua em gancho, triste, sons do vento Parte o coração o frio do outono Canto do extremo do mundo Espero em silêncio profundo No jardim noturno o esquecimento Velha árvore espera o julgamento Nada explicará meu sentimento Está em meu coração…
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Carlos Drummond de Andrade – Uma Hora e mais Outra

Há uma hora triste que tu não conheces. Não é a da tarde quando se diria baixar meio grama na dura balança; não é a da noite em que já sem luz a cabeça cobres com frio lençol antecipando outro mais gelado pano; e também não é a do nascer do sol enquanto enfastiado assistes…
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Carlos Drummond de Andrade – Coisa Miserável

Coisa miserável, suspiro de angústia enchendo o espaço, vontade de chorar, coisa miserável, miserável. Senhor, piedade de mim, olhos misericordiosos pousando nos meus, braços divinos cingindo meu peito, coisa miserável no pó sem consolo, consolai-me. Mas de nada vele gemer ou chorar, de nada vale erguer as mãos e olhos para um céu tão longe,…
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Chico Buarque e Francis Hime – Amor Barato

Eu queria serUm tipo de compositorCapaz de cantar nosso amorModesto Um tipo de amorQue é de mendigar cafunéQue é pobre e às vezes nem éHonesto Pechincha de amorMas que eu faço tanta questãoQue se tiver precisãoEu furto Vem cá, meu amorAguenta o teu cantadorMe esquenta porque o cobertor é curto Mas levo esse amorCom…
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Chico Buarque – Pedaço de Mim

Oh, pedaço de mim Oh, metade afastada de mim Leva o teu olhar Que a saudade é o pior tormento É pior do que o esquecimento É pior do que se entrevar Oh, pedaço de mim Oh, metade exilada de mim Leva os teus sinais Que a saudade dói como um barco Que aos poucos…
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Caetano Veloso – Como Dois e Dois

Quando você me ouvir cantar Venha, não creia, eu não corro perigo Digo, não digo, não ligo, deixo no ar Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar… Tudo vai mal, tudo Tudo é igual quando eu canto e sou mudo Mas eu não minto, não minto, estou longe e perto Sinto alegrias, tristezas e…
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Machado de Assis – Uma Criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável, que a si mesma devora os membros e as entranhas, com a sofreguidão da fome insaciável. Habita juntamente os vales e as montanhas; e no mar, que se rasga, à maneira de abismo, espreguiça-se toda em convulsões estranhas. Traz impresso na fronte o obscuro despotismo. cada olhar que…
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Caetano Veloso – O Homem Velho

O homem velho deixa a vida e morte para trás Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais O homem velho é o rei dos animais A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol As linhas do destino nas mãos a…

