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Philip Roth – A Marca Humana (excerto)

“Porque não sabemos, não é? Todo mundo sabe… Como é que as coisas acontecem do jeito que acontecem? O que está por trás da anarquia da seqüência de eventos, as incertezas, os infortúnios, a incoerência, as irregularidades chocantes que definem os assuntos humanos? Ninguém sabe, professora Roux. ‘Todo mundo sabe’ é a invocação do clichê e o início da…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Carta aos Mortos

Carta aos Mortos, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, reflete sobre a aparente marcha do progresso e as surpreendentes permanências da experiência humana.
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José Luís Peixoto – na hora de pôr a mesa…

na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Eu me Perdi

Eu me perdi na sordidez de um mundo Onde era preciso ser Polícia agiota fariseu Ou cocote Eu me perdi na sordidez do mundo Eu me salvei na limpidez da terra Eu me busquei no vento e me encontrei no mar E nunca Um navio da costa se afastou Sem me levar
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Eugénio de Andrade – Quase Epitáfio

O outro sabia. Tinha uma certeza. Sou eterno, dizia. Eu não tenho nada. Amei o desejo com o corpo todo. Ah, tapai-me depressa. A terra me basta. Ou o lodo.
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W. H. Auden – Funeral Blues

BLUES FÚNEBRE Que parem os relógios, cale o telefone,jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,que emudeça o piano e que o tambor sancionea vinda do caixão com seu cortejo atrás. Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.Que as pombas guardem luto — um laço no…