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Walter de la Mare – Os que Ouviam

‘Tem alguém em casa?’ indagou o Viajante Defronte à porta enluarada; Seu cavalo no silêncio ruminava o capim Da forragem fértil e enfolhada: E uma ave voou para muito além da torre, Acima de sua cabeça: E de novo a porta ele outra vez castigou; ‘Tem alguém em casa?’ ele disse. Mas ninguém desceu para…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Eppur Si Muove

Não se pode calar um homem Tirem-lhe a voz, restará o nome. Tirem-lhe o nome e em nossa boca restará a sua antiga fome. Matar, sim, se pode. Se pode matar um homem. Mas sua voz, como os peixes, nada contra a corrente a procriar verdades novas na direção contrária à foz. Mente quem fala…
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

ruas têm coração de pedra não espere nada do seu amor por elas a não ser cimento, asfalto e uma família nova na casa de um velho conhecido quando menos se espera uma rua muda de sentido
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Ulisses Tavares – Religião

olhar para o alto. tão alto que se tenha um torcicolo eterno e nunca mais se possa olhar direto para o próximo.
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

IV Só não dói mais porque não é preciso. Se fosse o caso, a dor era pior. Não há nada nisso de extraordinário: A natureza odeia o desperdício, tal como o vácuo. Sem tirar nem pôr. É exatamente a conta necessária, até que alguma solução se encontre. O que aliás não acontece nunca. E isso…
